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Professores se dividem sobre a valorização da profissão

A valorização dos professores é vista como um caminho para a melhoria da educação. Ainda assim, a realidade é de baixa remuneração e estresse cotidiano. Pesquisa do “Todos pela Educação” demonstrou que cada vez menos os jovens se interessam pela profissão e que isso pode gerar um “apagão” na carreira. Na mesa “Profissão: Professor”, no evento internacional Educação 360, especialistas debateram como reverter este quadro.

O encontro é promovido pelos jornais O Globo e Extra com patrocínio de Sesi, Fundação Telefônica, Fundação Itaú Social, Instituto Unibanco e Colégio pH, apoio de Fundação Cesgranrio, e apoio institucional de TV Globo, Canal Futura, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Unesco, Unicef e Todos pela Educação.

Instituto Singularidades

A conversa contou com Mila Gonçalves, gerente de projetos da Fundação Telefônica Vivo e especialista em educação à distância; Miguel Thompson, diretor do Instituto Singularidades e consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento das Nações (Pnud); Jayse Antonio, psicopedagogo especializado na aplicação de linguagens artísticas em sala de aula e premiado no “Professores do Brasil”, e Heleno Manoel Gomes, professor da rede pública de Pernambuco e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.

O debate começou com Mila Gonçalves analisando que, nos últimos anos, pesquisas desmistificam que a profissão do professor é construída através somente de uma vocação. Na realidade, é fruto de um contínuo trabalho e dedicação.

— A profissão do professor não é simples e dever ser pensada como estratégica. Por isso, deve ser valorizada. A qualidade do professor faz a diferença na aprendizagem. Então o que nós precisamos fazer para melhorar a vida deste profissional? Poucos jovens querem seguir esta carreira e, quando seguem, não tem clareza do que se espera deles. São muitas frentes que precisam ser trabalhadas — analisou Mila, ao apresentar um slide mostrando que atratividade e formação inicial são alguns dos desafios para reverter este quadro.

Miguel Thompson usou sua fala para rebater o pessimismo da apresentação de Mila e mostrar como os dados podem ser utilizados com outro ponto de vista.

— Eu tenho certeza que a profissão de professor é a profissão do futuro e do Brasil. Vou interpretar seus dados de outra maneira. Onde alguém vê “não”, outro vê “sim”. Há um desejo de deixar nossa profissão lá embaixo. Quando dizem que 2,4% dos alunos querem ser professores, fica parecendo pouco. Mas a gente não analisa os índices das outras profissões. Quantos querem ser sapateiros? Ou melhor: 2,4% de 8 milhões de alunos que fazem o Enem, já vira 150 mil. Esta é a quantidade de professores que vão se aposentar. Em um ano, já recompensamos.

Jayse Antonio adicionou o debate mostrando sua experiência em sala de aula.

— Eu me entristeço quando vejo um aluno meu que não quer ser professor, pois esta foi a profissão que mudou minha vida — apontou Jayse, que também falou da desvalorização da profissão perante outras — Ninguém pergunta se a receita dada pelo médico está correta. Mas, é natural perguntarem se o professor é bom ou se o que ele está fazendo é o certo. Da mesma forma, um erro médico pode custar uma vida. Um erro meu, pode custar uma turma de 42.

O professor Heleno de Araújo também analisou as pesquisas sobre o universo docente e criticou a percepção de que o problema da educação não está atrelado a falta de dinheiro.

— A gente vê pesquisas mostrando escolas sem banheiro, sem água, sem biblioteca e alguns ainda apontam que o problema não é falta de financiamento. Neste processo é difícil para nós ouvirmos pessoas dizendo o que tem que fazer e como fazer. O nosso sentimento é que nós melhoramos quando escutamos nosso estudante. É neste momento que ocorre o crescimento.