by /0 comments

25% dos alunos do 2º ano não estão alfabetizados em São Paulo

Em 2007, quando a Prova São Paulo foi aplicada pela primeira vez, este número era de 39%

Uma em cada quatro crianças das escolas municipais da cidade de São Paulo conclui o 2º ano do ensino fundamental em 2010 sem dominar a leitura e a escrita, ou seja, dos 48 mil avaliados, mais de 11 mil não estão alfabetizados, informa o jornal O Estado de S. Paulo. Apesar do resultado ruim, houve um avanço. Em 2007, quando a prova foi aplicada pela primeira vez, os alunos não alfabetizados no 2º ano somavam 39%.

Os números são da Prova São Paulo, que avaliou 288 mil estudantes em língua portuguesa, matemática e uma questão de produção de textos, em novembro do ano passado. A prova foi aplicada a todos os alunos do ensino fundamental, exceto os do 1º ano, e realizados por amostragem para os estudantes do 3º, 5º e 7º anos.

Todas as escolas receberam o resultado com o desempenho individual do aluno, o rendimento da classe e da turma, da escola, da Diretoria Regional de Educação de toda a rede municipal.

O jornal informa que os estudantes avaliados integram o modelo antigo de ensino fundamental (de oito anos) e já tinham 8 anos. Uma das metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece que, até 2022, toda criança terá de estar alfabetizada até 8 anos.

O secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, disse que não tem “uma data estipulada” para alfabetizar todos os alunos até os 8 anos. “Queremos atingir a meta antes do prazo estipulado pelo Ministério da Educação. O resultado da Prova São Paulo mostra que estamos indo bem: em três anos, avançamos 25%”, afirmou à repórter Ocimara Balmant, se referindo aos resultados de 2007.

Já o jornal Folha de S. Paulo informa que o rendimento dos alunos dos anos finais (5º à 8º) do fundamental piorou e o dos anos iniciais (1º à 4º) melhorou na comparação com o exame anterior, feito em 2009.

No 8º ano, a média em português caiu 7% em um ano, chegando a 213 pontos, numa escala que vai até 375; no 2º ano, houve aumento de 4% em matemática.

O aluno do 8º ano teve nota semelhante ao que educadores esperam para o 4º ano, ou seja, um atraso de quatro anos.

Do lado positivo, o exame mostra que a defasagem dos mais novos já foi maior: alunos do 3º ano de 2010 tiveram nota superior aos do 4º ano de 2008.

O secretário Alexandre Schneider disse ao repórter Fábio Takahashi que “o desempenho dos anos finais não é bom, mas as séries iniciais mostram que o caminho está certo”. Na opinião dele, há mais dificuldades de melhorar os mais velhos porque eles foram alfabetizados em condições piores. Para tentar melhorar o aprendizado destes alunos, as escolas municipais terão, fora do horário de aula, reforço para os alunos com mais dificuldade. O reforço já é feito nos anos iniciais.

O presidente do Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo (Sinesp), João Alberto Rodrigues de Souza, afirmou que a recuperação é uma boa proposta, mas é preciso acompanhá-la. “Até agora, os professores não foram capacitados, o material específico não chegou e as escolas terão problemas para encontrar espaço para essas turmas”, disse ele, que representa os diretores das escolas.

Os dois jornais ouviram a opinião do professor Ocimar Munhoz Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). “Não dá para achar bom um número que mostra que, na cidade mais rica do País, uma em cada quatro crianças termina o 2º ano sem estar alfabetizada. Essa pesquisa mostra que há crianças que depois de três anos na escola ainda não sabem ler e escrever”, afirmou.

Ele cobra uma atenção especial para estes alunos. “Não é um trabalho fácil, porque a cidade tem muitas escolas e esses estudantes estão espalhados. Mas é preciso fazer um monitoramento sério para conhecer os casos mapeados e, por outro lado, evitar que isso ocorra com quem entra na rede agora.” Para o pesquisador, a prefeitura precisa reavaliar seus programas. “Os anos passam, as avaliações são feitas, o dinheiro é gasto e não aparece melhora substancial no desempenho”, disse.

O Estado de S. Paulo também entrevistou a diretora executiva da ONG Todos pela Educação, Priscila Cruz, para quem “os números não são bons”. “Estar alfabetizada é o direito de todas as crianças. Para esses estudantes que não foram incluídos, o tempo passou. Eles deixaram de aprender. Temos de ter total intolerância à desigualdade”, disse.

купить ноутбук в донецке бумощный ноутбук купитьpearl headbands for wedding