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56% dos médicos recém-formados são reprovados em exame em São Paulo

Mais da metade dos médicos recém-formados no estado de São Paulo (56,4%) foi reprovada nos exames de avaliação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), feitos no ano passado. Em comparação a 2015, houve aumento de 8,3 pontos percentuais na taxa de reprovação, informa a Agência Brasil.

Foram avaliados 2.677 novos profissionais contra 2.726, em 2015. Para serem aprovados, os médicos precisam dar a resposta correta a, no mínimo, 72 das 120 questões (60%).

Na comparação entre as escolas públicas e privadas, prevalece um desempenho mais baixo entre os alunos dos cursos particulares. Em 2015, 73,6% dos profissionais oriundos de escolas públicas tinham sido aprovados, taxa que caiu 62,2%, no ano passado. Já o percentual de aprovados entre os egressos de escolas privadas caiu de 41,2% para 33,7%.

Segundo o Cremesp, a avaliação foi feita com os formandos de 30 das 46 escolas médicas em atividade no Estado. As demais escolas foram abertas há menos de seis anos e não apresentavam turmas de graduados no período do exame.

Pior que 56%

O pior desempenho foi na área de saúde pública e epidemiológica, com média de acertos de 49,1. Na pediatria, a média chegou a 53,3 e na obstetrícia, 54,7. Muitos dos candidatos não foram capazes de interpretar imagem para diagnosticar e administrar a condução terapêutica para problemas básicos de saúde, como hipertensão e doenças respiratórias. Segundo o Cremesp, 80% dos recém-formados erraram a conduta no tratamento de paciente idoso e 75% demonstraram não saber identificar as principais características e conduta em caso de paciente com problemas respiratórios.

O presidente do Cremesp, Mauro Gomes Aranha de Lima, disse que a piora no desempenho reflete uma situação “sistêmica” da educação no país e a “ausência de um exame obrigatório de avaliação” que pudesse fazer um aperfeiçoamento do curso de medicina. Além do exame obrigatório, ele defende o impedimento do exercício legal da profissão até que as lacunas de conhecimento sejam preenchidas.

Segundo ele, o Cremesp não quer deixar a população insegura, mas sim sensibilizar os governantes e legisladores para que tornem o exame obrigatório para todo o país e para que novos critérios de fiscalização sejam adotados pelo Ministério da Educação.

Sindicato critica

O Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) disse, em nota, que  o “exame não tem competência para medir a qualidade do curso e nem do aluno”.  O  consultor jurídico do sindicato, José Roberto Covac, afirma que “divulgar que o exame mede a qualidade do curso ou do aluno é inverídico, tendencioso e padece de qualquer critério científico, levando a sociedade a uma percepção incorreta sobre os cursos e os alunos”.

Segundo a entidade, o Exame Nacional de Desempenho de Estudante (Enade), do Ministério da Educação, demonstra que 18,75% dos cursos avaliados pelo Cremesp tiveram conceito insatisfatório. Considerando as instituições privadas, esse número é de 13,04%. Para o advogado, a avaliação do conselho “é inconsistente e não retrata a realidade dos cursos de medicina” de São Paulo