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6 dicas para melhorar a relação entre professor e aluno

 

Uma parte importante do processo de ensino e aprendizagem está apoiada na relação entre o professor e aluno. “Alunos e professores são portadores de valores, de sentimentos e de experiências singulares que são trazidas para a sala de aula. E isso pode fazer a diferença, pois quando ignoramos ou tratamos o outro com insensibilidade, não há didática ou estratégia pedagógica que dê jeito”, opina o professor do Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Alonso Bezerra De Carvalho. Ele é autor do livro “A Relação Professor e Aluno: Paixão, Ética e Amizade na Sala de Aula” (Editora Appris). Confira, a seguir, seis dicas para estreitar essa conexão.

1. Diálogo sem hierarquia
“O pressuposto da educação é a conversa”, descreve Carvalho. “Como a própria palavra em seu sentido etimológico diz, diálogo é uma conversa (logos) no mínimo entre duas pessoas (dia). É um momento em que um fala e o outro escuta, uma interlocução que não pressupõe hierarquia, mas horizontalidade”, defende. Nessa perspectiva, o educador considera a sala de aula como um local de encontro. “Um lugar para transgredirmos padrões de autoridade tidos como únicos e edificarmos maneiras renovadas de nos relacionar”, destaca.
2. A escuta tem que ser verdadeira
Ouvir e entender os anseios e dificuldades do outro são fatores importantes para qualquer relação. Na escola, isso não é diferente. “Ouvir a voz do outro é reconhecer a pluralidade de sentido que constitui a nossa vida social. A qualidade de uma prática docente estaria, então, na capacidade de escutar a dinâmica que forma o ambiente pedagógico”, aponta. Mas como ouvir todos em uma sala com 40 alunos? “Nesse caso, deve-se partir da intenção de criar em um espaço educativo mais dinâmico, buscando-se evitar fazer da sala de aula um depósito, onde a criatividade e a curiosidade sãotolhidas”, orienta.

3. Valorize a cultura infanto-juvenil – Instituto Singularidades

Funk, cosplay, seriados, games… Adultos muitas vezes tendem a rechaçar elementos da cultura infanto-juvenil. Isso, claro, aumenta a distância entre professor e aluno, contribuindo para que o jovem não se reconheça no espaço escolar. “Esses elementos podem ser utilizados para aproximar o aluno do conhecimento a ser transmitido. Se o professor não conhece os elementos que fazem parte do universo outro, o interesse e a aprendizagem podem ficar dificultados”, defende o educador e diretor do Instituto Singularidades, Miguel Thompson.
4. Feedbacks constantes e personalizados
Segundo Thompson, o feedback é um momento de diálogo que pode ajudar a conectar o professor com o aluno. “O aluno pode ser orientado a partir dos caminhos que seguiu até ali e naquilo que pode se desenvolver ainda mais. Para isso, uma boa saída é dar o feedback de acordo com o perfil de cada aluno, identificado ao longo do semestre. Uns podem ser mais reservados, intelectuais, engraçados e etc.”, propõe.
5. Evite a cultura do medo
O clima de medo e de represália é outro fator que prejudica a relação entre o profissional e o aluno. Nesse caso, o diretor do Instituto Singularidades atenta para o uso da nota como mecanismo de punição. “Quando se cria um processo de encantamento pelo conhecimento que está sendo transmitido, cria-se também um contexto onde o aspecto punitivo da nota perde a força”, pontua.

6. Busque querer bem ao seu aluno – 6 dicas

No livro “Pedagogia da Autonomia”, Paulo Freire afirma que ensinar também exige “querer bem ao educando”. O professor Alonso Bezerra De Carvalho concorda. “Ensinar significa justamente isso: apontar caminhos, inventar e reinventar direções e rumos, descobrir e seguir pegadas antes ignoradas e se surpreender com os imprevistos e as coisas inesperadas que surgem. Para isso, é bom que estejamos atentos na busca por aturamos de forma benevolente e aberta em relação ao outro que caminha conosco mesmo diante dos desafios diários”, finaliza.
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