by /0 comments

70% dos estudantes brasileiros sofrem violência na escola, diz pesquisa

Em todo o mundo, por dia, cerca de 1 milhão de crianças sofrem algum tipo de violência nas escolas

Cerca de 70% dos estudantes brasileiros são vítimas de violência escolar. Destes, 84% apontam suas escolas como violentas. Os números alarmantes são de uma pesquisa com 12 mil alunos de seis Estados, realizada pela organização não-governamental internacional Plan e divulgada na terça-feira, dia 7. Em todo o mundo, por dia, cerca de 1 milhão de crianças sofrem algum tipo de violência nas escolas, diz a ong, que atua em 66 países em defesa dos direitos da infância. O levantamento é parte da campanha mundial “Aprender sem medo”, que tem por objetivo promover um esforço mundial para erradicar a violência escolar.

A campanha tentará combater as três principais formas de violência na escola: o castigo corporal, a violência sexual e o chamado bullying, definido pelo estudo como “atitudes agressivas, intencionais e repetidas que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro”.

No Brasil, o bullying, incluindo o cyberbullying (a agressão via internet), será o centro das ações, informa a Agência Brasil. Segundo a pesquisa, pelo menos um terço dos estudantes brasileiros afirmou estar envolvido nesta atitude, seja como agressor ou como vítima. De acordo com o assessor de educação da Plan Brasil, Charles Martins, o bullying é hoje a prática mais presente nas escolas. “Com o conselho tutelar e outras ações externas, o castigo corporal não acontece tão facilmente, já o bullying tem implicações psicossociais nos indivíduos. Mas não se tem essa consciência, é uma temática nova”, disse.

O estudo diz que as vítimas do bullying perdem o interessem pela escola e passam a faltar às aulas para evitar novas agressões. “Essas vítimas apresentam cinco vezes mais probabilidade de sofrer depressão e as garotas têm oito vezes mais chances de serem suicidas”, diz o relatório. Quando questionadas sobre o castigo corporal, as crianças brasileiras de 7 a 9 anos disseram sentir, além da dor física, “dor no coração” e “dor de dentro”.

Martins alerta que o comportamento é difícil de ser identificado, mas pode ser configurado quando as agressões verbais se tornam repetitivas. “O professor precisa identificar em sala de aula as crianças que têm um padrão de vítima como timidez, problemas de rendimento e se tornam em alguns momentos anti-sociais”, afirmou.

Para a organização, é na escola que o problema deve ser resolvido. O estabelecimento de normas claras de comportamento, treinamento de professores e a promoção da conscientização dos direitos infantis são medidas apontadas para tentar reverter este quadro de violência nas escolas. Dos 66 países pesquisados pela Plan, apenas cinco (Coréia, Noruega, Sri Lanka, Reino Unido e EUA) possuem leis que proíbem o bullying nas escolas.

A ong informou que buscará o apoio de dirigentes escolares, professores e do poder público para divulgar o tema. Um das idéias é criar projetos para desenvolver o chamado “protagonismo infantil”. “Ao final eles serão orientados a implementar na escola um comitê dos direitos das crianças. Eles serão multiplicadores também em outras escolas”, disse Martins. O número de escolas ainda não está definido, pois dependerá de futuras parcerias.

Segundo ele, uma escola sem violência é o direito de toda a criança. “Todos nós temos um papel a desempenhar, quer como indivíduos, governos ou ONGs: temos de garantir que as crianças possam ir à escola sem medo ou ameaça de violência e recebam uma educação de qualidade em um ambiente seguro”, afirma.

A íntegra do relatório Aprender Sem Medo (em inglês)

Um resumo do estudo (em português)

Assista ao vídeo da campanha

Конкуренция на рынке США и Европыandroid планшет купитьбелые брекеты