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70% dos presos brasileiros não completaram o ensino fundamental

Representantes brasileiros e de 16 países da América Latina debateram estratégias para garantir educação aos 420 mil detentos. Mais de 60% deles têm entre 18 e 30 anos

Dos mais de 420 mil presos do Brasil, 70% não concluíram o ensino fundamental, apenas 20% estudam ou trabalham dentro do cárcere e 60% deles têm entre 18 e 30 anos, segundo números oficiais. Para discutir estratégias capazes de garantir o direito dos presos à educação, representantes brasileiros e de 16 outros países se reuniram em Brasília, dias 27 e 28 de março para o encontro regional da América Latina de Educação em Prisões.

Na opinião do representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny, um dos organizadores do encontro, o tema da educação de presos é complexo e exige ações especializadas. “É evidente que a especificidade da população prisional exige uma atenção e abordagens específicas. É por isso que reunimos não apenas profissionais de educação, mas também especialistas de justiça e de segurança pública”, disse em matéria publicada no site da Unesco.

Para o diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional, Mauricio Kuehne, há muita hipocrisia sobre a questão. “Tenho certeza de que enfrentaremos resistência da sociedade porque existe muita hipocrisia e descaso no que se refere à situação dos presos”, disse em reportagem da Agência Brasil. “As pessoas deveriam lutar para que eles saíssem da prisão com condições de não voltar para o crime. É o melhor para todos”.

O senador Cristovam Buarque, autor de projetos que estabelecem a criação de salas de aulas nos presídios em número proporcional ao número de presos e a redução da pena de acordo com aulas assistidas, disse que o sistema prisional brasileiro é “antieconômico” porque gasta com a manutenção dos encarcerados e os mantém sem formação. “Colocar uma pessoa na cadeia não é puni-la, mas recuperar essa pessoa para a sociedade. Cada vez mais, a política é de punição, não de recuperação”, criticou.

O representante da Unesco destacou a importância do encontro como o início de um processo global. “Pela primeira vez na história poderemos dar destaque especial ao tema educação nas prisões em um dos mais importantes eventos da Unesco que será realizado no Brasil, em 2009″, disse, referindo-se à VI Conferência Internacional de Educação de Adultos (Confintea).

O Encontro Regional também é preparatório para a Conferência Internacional de Educação em Prisões (CIEP), marcada para outubro deste ano, em Bruxelas, na Bélgica.

A reunião em Brasília contou com representantes da Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Honduras, México, Paraguai, Peru, Uruguai, Bolívia, Chile, Guatemala, Nicarágua, Panamá e Venezuela.

O evento em Brasília foi uma parceria entre a Unesco, os ministérios da Educação e da Justiça e a Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

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