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85% das piores escolas melhoraram no Ideb em quatros anos

Segundo a Folha de S. Paulo, 11% das escolas pioraram e 4% mantiveram a nota.

Um levantamento do jornal Folha de S. Paulo com 2.620 escolas públicas entre os 10% piores no 9º ano do ensino fundamental no Ideb revela que 85% (2.241) delas melhoraram entre 2007 e 2012. Neste grupo, 7% (118) melhoraram e atingiram a média nacional. Segundo o estudo, 11% das escolas (283) pioraram e 4% (96) mantiveram a nota.

A presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), Nilene Badeca, afirma que as redes estaduais, responsáveis pelo fundamental 2, possuem dificuldades em lidar com os anos finais porque dão prioridade aos anos iniciais. Ela assegura que os governos estaduais manterão esforços para “não descuidar de nenhuma escola”.

A reportagem de Fábio Takahashi e Nelson Barros Neto informa que o Ministério da Educação garante que os piores colégios que passaram a ter jornada integral atingiram as médias nacionais em português e matemática. O secretário da educação básica do MEC, Cesar Callegari, disse que o número de colégios com ensino integral subiu de 15 mil no ano passado para 32 mil este ano.

O secretário aposta ainda no novo programa da alfabetização das crianças de até 8 anos, lançado em julho. O projeto prevê bolsas para formação de professores alfabetizadores e materiais didáticos, entre outras iniciativas. “Se melhorarmos a alfabetização nessa idade, esses alunos mais bem preparados chegarão como uma onda no final do fundamental”, disse ele à Folha de S. Paulo.

O MEC diz que também promove ajuda técnica e financeira para os colégios com piores notas no Ideb.

O jornal relata que os Estados da Bahia e de Alagoas são os que mais possuem escolas que não melhoraram. Já Minas Gerais, Ceará e Pernambuco foram os Estados que mais tiraram colégios das piores posições.

A reportagem visitou duas escolas estaduais na capital Salvador, ambas com notas 1,5 no Ideb de 2011 e que pioraram na avaliação e constatou uma série de problemas, desde a falta de professores, passando pela insegurança e merenda de baixa qualidade.

No colégio professora Maria Odette Pithon Raynal a vice-diretora Lêda Guimarães afirmou que dois professores justificaram a falta no dia da reportagem com atestados médicos e que o caso é excepcional.

Duas alunas disseram ao jornal que a falta de professores é constante. “Essa é a nossa rotina, mesmo depois da greve. Também não tivemos aula ontem [quarta], nem vai ter amanhã [sexta]”, disse uma delas, em uma referência à greve dos professores que deixou os estudantes sem aula por 115 dias, esticando o período letivo até março de 2013. Os professores reivindicam melhores salários e melhorias na carreira.

Elas contaram ainda que “tem tráfico dentro da escola; roubaram três celulares em um só dia” e que na merenda “só tem sopa, aipim com ovo, os copos são sujos e o suco fica armazenado naqueles baldes de lavar o chão.”

No colégio de Praia Grande, a mãe de uma aluna contou que a filha foi ameaçada com uma faca dentro da sala de aula e que “tem até um negócio chamado ‘corredor da morte’, onde os mais velhos batem nos mais jovens”.

Professores reclamaram da chegada de estudantes vindos de um colégio desativado do bairro que seriam “analfabetos funcionais” no ensino médio.

Um dos vice-diretores da escola, Ueldnei Ferreira, não soube “explicar com exatidão” a nota no Ideb e culpou a gestão anterior. Segundo ele, a escola tomou providências para tentar diminuir a violência. “Criamos uma ficha de advertência, que precisa ser assinada por nós, eles e os pais”, disse.

A Secretaria de Educação disse ao jornal que está acompanhando a situação e que criou um reforço escolar. Garantiu “não faltar verba” e acusou (mas não citou) algumas escolas de não saberem administrar o dinheiro.

Em Minas Gerais, a secretária da Educação, Ana Lúcia Gazzola, acredita que as piores escolas melhoraram por causa do sistema próprio de avaliação, implantado em 2007. “Sabemos os nomes dos alunos que estão com dificuldades”, afirmou. Ela informou que identifica os piores colégios e aplica um programa especial, como cursos de gestão para os diretores.

A Folha de S. Paulo também entrevistou dois especialistas em educação. O pesquisador Romualdo Portela, da Faculdade de Educação da USP, afirmou que “a situação deveria ser objeto de intensa preocupação” e cobrou ações específicas para colégios que não conseguem melhorar.

O pesquisador Naercio Aquino Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper e professor da USP, defendeu o fechamento das piores escolas. “Se nenhum programa de ajuda do Estado está funcionando, essas escolas deveriam ser fechadas”, afirmou. Ele sugeriu a transferência dos alunos e professores para outras escolas.

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