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9 dúvidas comuns sobre mudança de colégio

Veja orientações sobre definição de gastos, importância de atividades extracurriculares e estrutura ideal para a escola

Por Luciana Alvarez, especial para o Estado de S. Paulo

1 – QUAL É A ESTRUTURA IDEAL PARA A ESCOLA?

O olhar para o ambiente físico do colégio depende da faixa etária dos filhos. Para as crianças pequenas, os pais devem observar sobretudo se há segurança nos lugares que elas frequentam. Também devem procurar por parquinhos, áreas ao ar livre, espaços com areia e brinquedotecas fechadas. Repare ainda se os móveis são adequados ao tamanho dos pequenos, da sala de aula ao refeitório, passando pelos banheiros. Para a criança adquirir autonomia, ela precisa de um mobiliário acessível e confortável. Conforme vai crescendo, os espaços devem se tornar mais amplos. Laboratórios e biblioteca, pátios e quadras são itens básicos, pois a escola não deve desenvolver só aspectos cognitivos, mas também o lado social e o motor. De acordo com o perfil da família e o interesse dos filhos, outros itens devem entrar na lista, como hortas, ateliês de arte, piscinas e espaços maker, onde os alunos podem construir todo tipo de produto, em geral usando robótica. O recomendado é visitar o colégio em um dia normal de aula para que, além de verificar a infraestrutura em si, os pais possam observar como os estudantes se apropriam do que a escola oferece.

2 – COMO DEFINIR O QUANTO GASTAR COM A ESCOLA?

 Em São Paulo, há pais dispostos a pagar até R$ 8 mil de mensalidade, mas há também escolas na faixa dos R$ 500. Seja qual for o preço, antes de fechar a matrícula é importante incluir na conta outras despesas, como material escolar, uniforme, excursões e transporte. Considere também que haverá pressões de consumo pela convivência com os colegas: os tipos de passeios de fim de semana com a turma, como são os presentes e as festas de aniversário, para onde os amigos viajam nas férias. Embora não exista um valor ideal, no Brasil uma família de classe média gasta entre 10% e 15% com a educação dos filhos. Dedicar até 15% para as mensalidades é uma forma de manter o orçamento confortável, sem que a escola se torne um peso excessivo. Alguns pais preferem fazer sacrifícios para pôr os filhos na escola dos seus sonhos, mas precisam preparar as crianças para as diferenças de renda dos colegas e evitar cobrar em excesso um bom desempenho escolar, para que não se sintam culpadas por tudo o que a família tiver de abrir mão.

3 – COMO PROCURAR O MELHOR LUGAR?

A escola ideal deve ser perto de casa, dentro do perímetro urbano da família. Uma criança que leva uma hora no trânsito já chega cansada para estudar. Se é pequena, costuma adormecer e pode ficar de mau humor ao ser acordada. A localização é um fator muito importante a ser considerado em cidades grandes, porque o esforço diário para levar e buscar também não pode pesar demais na dinâmica familiar. Se os pais trabalham longe e não podem garantir que chegarão sempre no horário para buscar, deve-se procurar outros recursos, como fazer rodízio entre eles, pedir ajuda de parentes ou contratar um serviço de van. Estudar próximo de casa, além de otimizar seu tempo para outras atividades, facilita as relações sociais da criança. Quem mora muito longe costuma ter mais dificuldade para ir à casa dos amigos da escola, seja para fazer trabalhos, seja para brincadeiras.

4 – É INDICADO PERÍODO CURTO OU INTEGRAL?

Isso tem de ser visto como uma escolha para a família, não só para a criança. Se não há um cuidador de extrema confiança, deixar no colégio pelo período integral traz mais segurança. A escola tem projeto pedagógico, profissionais formados, coordenadores e todo um sistema de monitoramento para que as famílias saibam da rotina dos filhos. De qualquer forma, é interessante que alguns dias as crianças possam sair mais cedo e realizar atividades fora do mesmo ambiente. Reconhecendo essa necessidade, muitas escolas têm convênios com academias ou escolas de idiomas. Assim, as crianças são estimuladas a se adaptar a outros grupos, para além da sua classe. Para quem fica apenas o período curto na escola, o ideal é que os pais estabeleçam uma rotina, com horários predeterminados para refeições, lição, banho, brincadeiras – a partir de uns 10 anos, as próprias crianças já devem opinar. O horário não precisa ser uma camisa de força, mas ajuda a estruturar o dia.

5 – A INSTITUIÇÃO DEVE SE ADAPTAR À FAMÍLIA OU A FAMÍLIA AO COLÉGIO?

A escola é um espaço coletivo, de socialização, em que a criança e o adolescente vão ter de se submeter a regras diferentes das que vêm da sua família. E onde vão encontrar pessoas com valores diferentes dos seus valores familiares. Nenhuma família vai encontrar uma escola com uma ética exatamente igual à sua, mas é importante que tenha uma visão alinhada aos conceitos mais amplos. Porque, mesmo em questões práticas como horário, uniforme, tipo de lanche permitido, as famílias não podem querem impor as suas vontades sobre o coletivo. Se a escola é confessional, por exemplo, os pais têm de aceitar que haverá a promoção de uma certa crença. Se é uma escola inclusiva, vão ter de aceitar arranjos familiares diferentes ou ter crianças com deficiência na classe dos seus filhos. O colégio tem o dever de ser transparente quanto aos seus princípios, para que não haja mal-entendidos, mas também deve acolher e orientar os pais em casos de conflito, mostrando a importância dos filhos conviverem em um contexto social mais amplo.

6 – O IMPORTANTE É SÓ O BÁSICO OU DEVO BUSCAR QUEM MAIS OFERECE ATIVIDADES EXTRACURRICULARES?

Na escola ou em casa, é essencial deixar a criança e o adolescente com algum tempo livre, para que ele possa aprender a lidar com eles mesmos. Na escola ou em casa, isso tem sido cada vez mais raro acontecer. Os mais novos, com agendas de executivos mirins, quase nunca ganham a oportunidade de ficarem sozinhos. Até mesmo nos momentos de lazer, há diversas programações, muitas vezes impostas pelos adultos. Para atender a essa demanda por atividades, muitos colégios estão investindo em oferecer no contraturno aulas variadas, como judô, dança e teatro. Se há de fato interesse por parte do estudante, essas aulas podem enriquecer o desenvolvimento global dos mais novos. Quando há a possibilidade, o melhor é que se deem fora da escola, para que as crianças tenham a oportunidade de interagir em outros meios sociais. Para as famílias que não têm a flexibilidade de levar e buscar em atividades extras, a oferta disso no próprio colégio pode contar como fator decisório. Mas é saudável que, ainda que façam aulas extras, tenham tempo reservado para não fazer nada.

7 – QUAL É O NÍVEL DE PARCERIA QUE DEVE SER BUSCADO NA RELAÇÃO PAIS-INSTITUIÇÃO?

As crianças e os adolescentes passam cada vez mais tempo dentro da escola, o que fortalece o vínculo com as pessoas que encontram por lá, tanto colegas quantos professores e demais funcionários. A proximidade de considerar a escola uma “segunda família” contribui para o aprendizado e o desenvolvimento global do indivíduo. Quem já nasceu na era das interações, não consegue mais aprender em um ambiente impessoal ou cheio de formalidades. Hoje, as pessoas consideradas mais “inteligentes” são justamente as que conseguem articular os conhecimentos com uma boa capacidade de se relacionar com os outros. Os pais também buscam uma proximidade com a escola. As oportunidades de interação regular, contudo, em geral continuam restritas às festas e reuniões semestrais. Mas, se existe uma relação de confiança, esses momentos são suficientes. Sempre que o pai sentir um problema deve procurar a escola e ser atendido prontamente – é mais eficiente do que reclamar nos grupos de pais. Também deve ter a tranquilidade de saber que, caso seja necessário, a escola o chamará para uma conversa.

8 – ATÉ QUE PONTO SE DEVE OUVIR O FILHO NA DEFINIÇÃO DE UM COLÉGIO?

Ao escolher uma escola, os pais devem entender quais são as suas expectativas, mas também precisam entender quem é o filho, o que é o mais adequado para o perfil dele. É importante que as crianças falem durante o processo, expressem o que desejam e o que preferem evitar. Conforme a criança vai crescendo, o grau de discussão e o peso de sua vontade devem crescer junto. Quanto mais envolvida na escolha, mais vai se sentir responsável pela própria aprendizagem – e menos resistência à escola escolhida. Embora devam escutar, os pais precisam ter a consciência de que eles são os adultos responsáveis, com mais experiência de vida e, portanto, têm a autoridade para a decisão final. Se for diferente da vontade dos filhos, também é importante que os pais exponham com clareza quais são os seus motivos.

9 – É IMPORTANTE A ESCOLA OFERECER ESTRUTURA VIRTUAL E TECNOLÓGICA?

O que os pais devem procurar saber hoje é como as questões tecnológicas e a cultura digital estão inseridas no currículo. Para a família, é importante que a tecnologia seja ferramenta para o aprendizado, ou ela própria deve ser objeto de estudo? Ser usuário das novas tecnologias é algo que ocorre sem esforço para os mais novos, mas ser capaz de ser produtor nesse contexto exige esforço. A tendência é que a programação passe a ser vista como uma linguagem em si. Outro ponto a ser avaliado são os recursos extraclasse em ambiente virtuais. Quando eles existem, o aluno entende que aprendizado não se encerra na sala de aula, pode ocorrer em qualquer lugar, a qualquer hora. Esse tipo de atividade promove também autonomia, pois ele pode achar seu jeito de aprender.

Fontes: Quézia Bombonatto, Conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia; Neide Nofes, Diretora da Faculdade de Educação da PUS-SP; Edith Rubinstein, Coordenadora do Centro de Estudos Seminários de Psicopedagogia; Elizabeth dos Reis Sanada, professora do Instituto Singularidades; Vera Cabral, diretora de conteúdo do Bett Brasil Educar.

 

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