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90% dos municípios aderiram ao programa alfabetização na idade certa

Os professores alfabetizadores ganharão uma bolsa de R$ 200 por mês. De acordo com o Censo Escolar de 2011, há 380 mil docentes lecionando do 1º ao 3º anos do fundamental
O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), lançado em novembro passado, já tem a adesão de 4.997 municípios, ou 89,8% do total, informa a Agência Brasil. Outros 328 aderiram parcialmente, não concluíram a adesão ou não se manifestaram e oito optaram por não firmar o acordo. O objetivo do projeto é assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos, ao final do 3º ano do ensino fundamental.

O principal projeto da gestão de Aloizio Mercadante no Ministério da Educação trabalha na formação de uma rede que envolve estados, municípios, universidades e escolas na capacitação, ensino e avaliação do ciclo da alfabetização.

Segundo a agência de notícias do governo federal, 37 universidades públicas serão responsáveis pela formação dos orientadores, que por sua vez farão a capacitação dos professores alfabetizadores. De acordo com o Censo Escolar de 2011, há cerca de 380 mil docentes lecionando do 1º ao 3º anos do ensino fundamental.

Investimento

O pacto receberá investimento de R$ 3,3 bilhões em dois anos. Para incentivar a participação, os professores alfabetizadores ganharão uma bolsa de R$ 200; para o orientador a bolsa será de R$ 765, o mesmo valor a ser pago para o coordenador das ações nos estados e municípios; o formador da instituição de ensino superior receberá R$ 1.100 e o supervisor da instituição ganhará R$ 1.200; o coordenador adjunto da instituição de ensino superior receberá R$ 1.400, enquanto o coordenador-geral ficará com e R$ 2.000.

Até março deste ano estará concluída a primeira etapa da formação dos orientadores – 40 horas do total de 400 horas, 200 por ano até 2014. Em seguida e será a vez dos professores receberem as aulas – com carga horária de 120 horas por ano.

O projeto ganhou um material didático desenvolvido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) com colaboração de 11 instituições de ensino superior. “O material trata da alfabetização de forma que ela se complete em três anos. Não é só uma alfabetização que a criança aprenda a ler palavras. Tem que produzir textos e ler com autonomia”, disse a coordenadora adjunta do programa na UFPE, Ana Cláudia Pessoa. Segundo ela, o material não propõe um método a ser seguido em sala de aula, mas uma reflexão a ser feita sobre a função social de ler e escrever.

Caminhos

Em um dos textos, os s autores indagam no título: que caminhos percorrer? E respondem: “Para que o processo de alfabetização das crianças contribua com o fortalecimento das identidades coletivas e diversos saberes dos povos do campo é preciso que o mesmo se dê de forma estreitamente articulada com as comunidades ali existentes, ampliando e valorizando os conhecimentos e vínculos das crianças com a realidade em que vivem”.

Ao todo são oito cadernos para formação dos professores e mais oito para cada um dos três anos do ciclo de alfabetização. A formação também inclui conteúdos voltados para a educação multisseriada, muito presente nas escolas rurais, onde na mesma sala existem alunos de diferentes idades.

Para acompanhar o material teórico, os professores já têm disponíveis em sala de aula o Kit de Alfabetização e Linguagem, disponibilizado em 2005 com o programa governamental Pró-Letramento – Mobilização pela Qualidade da Educação, que tem como objetivo a formação de professores para o ensino do português e da matemática até o 5º ano do ensino fundamental e cujos preceitos e experiências serviram de subsídio para o Pnaic.

Universidades

A Agência Brasil entrou em contato com nove instituições que estão trabalhando com o Pnaic. Para a coordenadora do Grupo de Estudos em Letramento em Educação da Infância na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Regina Aparecida Marques de Souza, “é importante que saibamos guardar as especificidades de cada localidade e que os professores possam criam em cima do material disponível”. A UFMS espera formar 245 orientadores a fim de capacitar os 5.238 professores alfabetizadores da rede pública do estado.

O material de formação está disponível apenas na versão digital. “O material só foi liberado na versão final no início de janeiro de 2013. Muito tarde para conseguir cópias impressas para as primeiras formações”, lamentou o coordenador do Pnaic na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Jaylson Teixeira. Na universidade, serão formados 442 orientadores.

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) completou o material com slides e vídeos. O professor do Grupo de Estudo e Pesquisa em Alfabetização, Discurso e Aprendizagens (Geadas) da UFS, José Reicardo Carvalho, disse que “a capacitação ainda está no início, estamos observando”.

Analfabetos funcionais

A coordenadora-geral do programa na Universidade de Brasília (UnB), Leila Chalub Martins, destacou que o Pnaic define em três anos o período de alfabetização, a partir dos 6 anos. “De modo que, aos 8, as crianças já estejam em condições de evitar aquilo que se vê mais tarde: estudantes de 13, 14 anos que não conseguem interpretar um texto, os chamados analfabetos funcionais”, aifrmou à Agência Brasil.

A presidenta da Associação Brasileira de Alfabetização, Maria do Rosário Longo Moratti, critica o limite de 8 anos para a alfabetização. “Os 8 anos de idade como limite são uma resposta política a uma condição avaliada no nosso país como indesejada. Nossas crianças têm tido dificuldade de se alfabetizar, mas do ponto de vista científico é arriscado estabelecer o limite de 8 anos. Existem estudos que mostram que o processo pode se dar antes”, disse.

Matemática

A agência de notícias do governo federal informa ainda que um dos objetivos é melhorar o ensino em matemática. O projeto prevê que a partir de 2014, os números sejam o enfoque. A Prova Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização (Prova ABC) mostra que apenas 42% dos aluno dominam as operações de soma e subtração e conseguem solucionar problemas simples.

“Somos de uma tradição de medo da matemática. Os próprios professores tinham medo da matemática e isso era passado aos alunos. O objetivo agora é ter uma matemática voltada para professores, para chamar a atenção de aspectos que são colocados pelo professor que não estão sob seu controle direto”, disse Leila Chalub Martins, da UnB.

A coordenadora de Projetos do Centro de Formação Continuada de Professores em Alfabetização e Linguagem (Cform) da UnB, Paola Aragão, destaca que “a matemática exige um processo de entendimento e o aluno precisa de uma base que adquire aos 6, 7 anos”. Para ela, “não adianta decorar a tabuada sem entender onde e quando usá-la e isso serve de base para cálculos mais complexos”.

O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa também pretende incluir jogos inclusivos, que ainda estão sendo desenvolvidos pela UFPE.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de analfabetismo no Brasil em 2010, até os 8 anos, era de 14,2%. A maior taxa está no Nordeste, 25,4%, seguido do Norte, 27,3%, Centro-Oeste, 9%, Sudeste, 7,8% e Sul, 5,6%. O estado com a maior taxa de analfabetismo é Alagoas, 35%, e o com a menor é o Paraná, com 4,9%. No ranking do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil está em 75º lugar mundial em alfabetização, com 90,2% das mulheres e 89,8% dos homens acima dos 15 anos alfabetizados.михаил безлепкинtranslate hebrewтурецкая баня хамам