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Abertura de capital aumenta concentração no ensino superior

Hoje, uma das melhores maneiras de crescer é comprar um concorrente ou se fundir a ele. Três instituições já recorreram ao mercado financeiro e captaram R$ 1.438 em dinheiro novo.

O movimento das faculdades privadas de abrir capital na Bolsa de Valores deve provocar uma concentração de mercado, segundo reportagem da revista Carta Capital. Atualmente, três grupos já recorreram ao mercado financeiro e captaram R$ 1.438 em dinheiro novo.

 

A Anhanguera Educacional, de propriedade de Antonio Carbonari, captou 512 milhões em seis meses. O Kroton, da rede Pitágoras, que tem entre os sócios o ministro Walfrido dos Mares Guia, obteve R$ 479 milhões. A Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, conseguiu R$ 447 milhões. O COC, do interior paulista, está em negociação e várias outras estudam o assunto.

Quanto mais investidores atrair, mais as instituições serão obrigadas a apresentar melhores resultados e uma das melhores maneiras de crescer é comprar um concorrente ou se fundir a ele. “A abertura de capital vai levar necessariamente à consolidação dos gigantes do ensino. A concentração é um caminho sem volta. Já aconteceu nos Estados Unidos e vai acontecer aqui. Quem ficar de fora está morto”, disse o economista Marcelo Cordeiro, da Fidúcia Asset Management, aos repórteres João Marcello Erthal e Lívia Perozim.

Para o secretário de ensino

superior do Ministério da Educação (MEC), Ronaldo Mota, o importante neste movimento é garantir a qualidade do ensino. “O setor privado ocupou o lugar que o público não conseguiu ou não quis ocupar”, disse.

“Temos de avaliar e regulamentar para que isso não se torne uma simples disputa de mercado, o que pode fazer com que a instituição de qualidade sofrível, com valores de mensalidade menores, sacrifique as instituições de mais qualidade. A missão agora não é sufocar o crescimento do sistema privado, mas garantir que ele seja feito com controle de qualidade”.

Na opinião do professor Roberto Leher, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a expansão do ensino superior privado é “como um metabolismo do mercado, mas com forte indução estatal”, neste caso o Programa Universidade Para Todos (ProUni), do governo federal.

“O ProUni se moldou para atender a essa expansão do setor empresarial na educação. Em 2001, a tendência do setor privado era de encolhimento, pois não havia mais público de classe média para consumir a mercadoria. Mas, desde então, o que vemos é uma forte expansão do setor privado, estimulado no governo Fernando Henrique e agora se alimentando das bolsas do programa”, afirma na reportagem da Carta Capital.

O presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras do Ensino Superior de São Paulo (Semesp), Hermes Figueiredo reconhece que o ProUni ajuda. “Se não fosse o ProUni e as isenções de tributos que ele promove, teríamos tido um crescimento de apenas 3,5% no ano passado, não de 7%, como ocorreu”, afirmou. Há, hoje, no País 2.141 escolas superiores privadas, que reúnem 4,4 milhões de alunos. As públicas somam 257 e têm 1,4 milhão de estudantes.

Leia a reportagem da Carta Capital

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