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Adolescer e adoecer… quem poderá me ajudar?

Quem vive o cotidiano de uma escola na pele vai entender do que falarei a seguir. Mesmo aqueles que não vivem imersos no pulsante mundo escolar certamente já passaram por ele e se lembrarão de que o caldeirão ferve e vibra muito.

Compartilhar boa parte da vida com adolescentes ou pré-adolescentes faz com que consigamos entender o turbilhão de desafios e dificuldades por que eles passam, diariamente, bombardeados pelo apelo do consumo, pela valorização do ter em detrimento da importância do ser. Também não escapam da incerteza contemporânea do que está por vir, das questões sobre os rumos do planeta, além da transitoriedade dos conhecimentos e da enorme fragilidade dos limites que lhes são colocados. Como agir diante da descrença no outro, do outro e às vezes de si mesmo?

A escola tem sido um espaço coletivo fundamental para apoiar essa passagem, que se torna mais complicada a cada dia. Em tempos em que a violência é quase o primeiro recurso para lidar com conflitos, na Stance Dual, há mais de 25 anos acreditamos que o trabalho de formiguinha, diário, mas com objetivos grandiosos e transformadores, tem feito a diferença na vida de nossos alunos. Equipes de ajuda, recreios integrados, trabalhos em grupo, projetos interdisciplinares, Projetos de Ação Social, Rodas de Convivência, enfim, muitas são as nossas iniciativas para transformar a escola num ambiente sociomoral cooperativo, seguro e acolhedor.

O projeto pedagógico constituído dessa forma possibilita aos alunos vivências plenas de valores morais, favorecendo a solidificação de qualidades éticas que os ajudam a se colocar no lugar do outro, olhar as questões por ângulos diferentes, verbalizar sofrimentos, pedir ajuda e assim por diante. A equipe de educadores acredita que pode ir além dos conteúdos formais, investindo com os estudantes no respeito, na tolerância e na busca pela igualdade na diferença.

Elaboramos e concretizamos diariamente um projeto de convivência sério e respeitado, pois ele é mais do que um currículo, ele transforma todos em pessoas que ouvem o outro e o respeitam, sobretudo porque todos se sentem respeitados também. Nesse cenário, é importante considerar a problemática do suicídio, da automutilação, da depressão, etc. Porém, o caráter fatalista de algumas situações expostas pode paralisar as pessoas, especialmente os jovens, que, amedrontados e às vezes em pânico, passam a desacreditar em outras chances de superação e resgate da autoestima. Vamos ficar alertas para oferecer apoio e reflexão e para que situações de violência e bullying possam ser cuidadas e superadas.

Adolescer

E o jogo da Baleia Azul? E o seriado 13 Reasons Why? Como os pais podem agir? Ao final deste texto disponibilizamos links para maior esclarecimento sobre esses tópicos. Por ora, destacaremos a importância da atuação dos pais diante de qualquer situação que represente riscos à integridade física, afetiva, intelectual e emocional de seus filhos. A forma de agir dos pais pode gerar proteção ou aumentar a vulnerabilidade de crianças e jovens em situações perigosas ou estressantes. A grande repercussão do seriado e do jogo da Baleia Azul pode representar uma ótima oportunidade para aproximação de pais e filhos em discussões e reflexões sobre:

– Como agir quando tenho um problema que gera sofrimento?
– A quem posso recorrer se preciso desabafar?
– Que importância estou dando à opinião que as pessoas têm sobre mim?

Também é importante observar nos filhos:

– Alterações de ansiedade, humor, agitação e irritabilidade no comportamento.
– Queda no rendimento escolar.
– Isolamento.
– Machucados como cortes pelo corpo.
– Discursos que aludem à própria morte ou à desesperança em relação ao futuro.

O acompanhamento dos pais sobre o que os filhos assistem e por onde navegam na internet é fundamental como dispositivo de segurança. “Você deixaria seu filho transitar à noite por uma rua escura, desconhecida, à qual diferentes pessoas têm livre acesso? Ou permitiria que entrasse no carro de um desconhecido para que fizesse uma viagem com destino incerto? Provavelmente sua resposta é não. Então, também não permita que ele esteja sozinho ao navegar pela internet ou para decidir que materiais (filmes, séries, livros) são adequados para seu momento de desenvolvimento”.

Sugestões de leitura:

Bullying continua desafiando escolas

O que é o jogo “Baleia Azul” e como abordá-lo na escola

“Jogo” do Suicídio: nossas recomendações para a imprensa e alerta aos pais

Por Ana Claudia Esteves Correa, Orientadora Educacional do EF2 da Stance Dual School

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