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Alimentação saudável na política social e pedagógica da escola

A alimentação dos brasileiros continua na pauta do dia na imprensa de todo país. Há pouco menos de um ano, foi aprovada em âmbito nacional a portaria interministerial MS/ME n° 1.010 instituindo diretrizes para a promoção da alimentação saudável nas escolas de educação infantil, fundamental e médio das redes públicas e privadas. Nas diretrizes, são consideradas ações de política social e educacional que as escolas devem promover visando à formação de hábitos saudáveis e a construção da cidadania.

Seguindo a trajetória imposta pela legislação, escolas que já tinham a preocupação em inserir hábitos saudáveis, incorporaram ações diretas e começam a colher os frutos. Esse é o caso da Escola da Vila, zona oeste da capital, que desde 2002 têm políticas referentes à inserção do conceito de alimentação saudável, mas introduziu as especificidades da Portaria em seu cotidiano, garantindo um trabalho consistente, sustentável e em plena fase de transformação.

Artigo 1º – Desenvolver ações que promovam e garantam a adoção de práticas alimentares mais saudáveis no ambiente escolar.

Sem proibição e imposição, a Escola da Vila pôs em prática algumas ações simples e de efeito. Nas cantinas das duas unidades da escola, a venda de sucos naturais e frutas picadas têm preço mais em conta do que o “vilão” refrigerante e outras preparações calóricas como os salgados assados. As cantinas não vendem frituras e nem os salgadinhos de pacote, e os refrigerantes não figuram nas prateleiras de exposição. “O consumo de refrigerante não é incentivado de forma alguma. São escondidos, mas não proibidos. A Legislação é clara quando diz para restringir, e é isso o que a escola faz”, diz a nutricionista Elaine M.M. Occhialini. Mas segundo ela, a estratégia dos preços e a abolição da exposição dos alimentos não desejáveis, obtiveram um bom efeito. Mas a luta continua, pois a cada início de ano, uma nova clientela.

Mas não é só nas cantinas que as ações em prol dos bons hábitos alimentares figuram. A Escola realiza treinamento junto aos professores e auxiliares do ciclo I e ensino fundamental I, que recebem instruções de como incutir um bom comportamento alimentar nos alunos, garantindo a boa hidratação e traçando estratégias que garantam a ingestão do lanche e da refeição. “A intenção é que durante o almoço dos alunos, os professores e auxiliares fiquem ao lado, observem, monitorem e mostrem para as crianças que o momento da refeição tem que ser respeitado. Incentive-os a colocar a verdura no prato, e mostrar a forma correta de temperar e deixar a salada mais saborosa”, diz a nutricionista. Outro fator que a profissional considera importante para o sucesso de um bom comportamento alimentar, é a distribuição adequada de filtros e bebedouros de água pela escola.

Além do tratamento in loco, a nutricionista também desenvolve um trabalho de conscientização aos pais. Através de circular, fala sobre a importância da ingestão de um bom café da manhã e os benefícios que traz para o aprendizado dos alunos maiores. Segundo a nutricionista, é importante a conscientização dos pais e não deixa-los pensar que o mau hábito alimentar do jovem adolescente já está enraizado. “Tudo é tempo. O jovem que não toma café da manhã pode mudar esse hábito se a família cooperar e persistir. Coloque uma mesa bem caprichada com sucos, fruta, leite, pão e vários outros alimentos que apresentem os nutrientes necessários para o desenvolvimento de um organismo saudável. No primeiro dia, talvez o jovem não coma. No segundo, ele pode beliscar algo, e esse algo é o primeiro passo para uma mudança de hábitos que só trará benefícios”, aconselha a profissional.

Outra iniciativa da Escola da Vila é também chamar a atenção dos pais de alunos mais novos, para a qualidade do lanche que enviam para seus filhos. De acordo com a nutricionista, as orientações estão sendo bem aceitas e aplicadas no seu dia-a-dia. “Tem várias crianças que trazem legumes e frutas de lanche. Solicitamos aos pais que avaliem o valor nutricional dos alimentos, e que evitem alimentos que contém gordura trans, como as bolachas recheadas, por exemplo,” conta Occhialini. A orientação da nutricionista para um lanche saudável é: 1 alimento fonte de vitaminas e sais minerais (suco de frutas, frutas picadas) + 1 alimento fonte de energia (bolachas e pães integrais) + alimento fonte de cálcio (leite e derivados).

As salas de aula também não escapam da atuação da profissional. Ela conta que enquanto o professor (do 5º ano) está trabalhando corpo humano, ela participa do planejamento do tema nutrição em sala de aula, e fala sobre os alimentos, seus grupos e por que é necessário comer.

Na área da Educação Física, mais uma parceria. A orientação da escola é que os alunos estejam bem alimentados antes da prática esportiva, para que tenham energia para gastar e um bom desempenho esportivo. Segundo a nutricionista, antigamente não era incomum casos de jovens desmaiarem durante a prática de exercícios, por falta de alimento. Hoje, isso não acontece mais. Hábito saudável é preocupação mundial!

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