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Aluno do Senai custa quase o mesmo que um universitário

Cada hora de aula gratuita no serviço de aprendizagem da indústria custa R$ 13 contra R$ 12 das universidades federais, diz o jornal Folha de S. Paulo; Senai questiona método do cálculo

A briga entre o governo federal e os sindicatos patronais pelos R$ 7 bilhões arrecadados por ano pelo chamado Sistema S ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira com a publicação de uma reportagem da Folha de S. Paulo.

Baseado em um estudo do Ministério da Educação, o jornal informa que um aluno que estuda gratuitamente no Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial, o Senai, tem um custo próximo ao de um estudante de universidade federal. Já na comparação com os Centros Federais de Educação Tecnológica, os Cefets, o custo do aluno do Senai é bem mais alto. O Senai contesta a metodologia usada para fazer esta comparação.

O estudo foi feito pelo MEC para argumentar a favor do projeto que prevê mudanças na distribuição dos recursos arrecadados pelas empresas para o Sistema S – 2,5% da folha de pagamento, sendo 1,5% para o serviço social e 1% para a aprendizagem.

O governo quer inverter este percentual e criar um fundo que seria responsável pela distribuição do dinheiro da aprendizagem. As entidades patronais acusam o governo de querer estatizar a formação profissional que atende prioritariamente à demanda das empresas por mão-de-obra.

O jornal diz que o MEC usou o relatório do Senai de 2007 para fazer a comparação entre os estudantes do Senai e da universidade pública. A conta é uma combinação matemática entre o valor arrecadado da contribuição obrigatória, o número de matrículas gratuitas e pagas e o total de horas de aulas dadas.

Segundo a reportagem, o Senai arrecadou R$ 1,46 bilhão e teve 2,2 milhões de matrículas – 51% (1,1 milhão de matrículas) eram gratuitas. Se forem considerados apenas 1,1 milhão de matrículas gratuitas e a arrecadação de R$ 1,46 bilhão, cada aluno representou um gasto hora/aula de R$ 13. Considerando o total de matrículas, este valor cai para R$ 8. Já o MEC diz que um estudante matriculado em uma universidade federal custa R$ 12 a hora/aula. Nos Cefets, o ministério calcula um gasto médio por hora de aula de R$ 5 por aluno.

“Não faz sentido a formação de um aluno do Senai custar mais do que a de um universitário. Estamos formando em cursos de curta duração ao custo de um engenheiro em universidade federal”, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad, ao repórter Antonio Góis.

A diretora de Operações do Senai, Regina Torres, discorda da metodologia de cálculo do custo do aluno do sistema por hora de aula. Segundo ela, como muitos cursos não começam ao mesmo tempo – ele pode começar em setembro e terminar em março – somente parte de sua carga horária entraria na conta das horas de aula. Ela disse ainda à Folha de S. Paulo que é preciso considerar que há uma grande diversidade de cursos com objetivos, currículos e clientelas distintos.

Regina Torres argumenta ainda que a receita de contribuição no valor de R$ 1,46 bilhão é destinada tanto para a educação profissional quanto para serviços técnicos e tecnológicos. “Dos recursos destinados à educação profissional, o Senai aplicou diretamente em ações educacionais com gratuidade para os alunos, em 2007, recursos da ordem de R$ 719 milhões”, disse ela.

Leia a íntegra da matéria da Folha de S. Paulo (para assinantes do jornal)

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