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Alunos brasileiros têm obras expostas às margens do Tamisa

Quem passear pelas margens do rio Tamisa nos próximos dias, em Londres, será surpreendido com a exposição de arte de estudantes brasileiros e de outras partes do planeta, com obras que retratam os “rios do mundo”. A exposição faz parte do Thames Festival, que ocorre anualmente no mês de setembro, em comemoração aos 40 anos de despoluição do rio londrino.

Entre os artistas brasileiros, estão os alunos da Escola Carlitos, no Pacaembu, cujas criações retratam o rio Tietê daqui a 100 anos. Como será o Rio Tietê daqui a 100 anos? Desafiados com a pergunta, e motivados pelo sucesso da despoluição do rio Tamisa – Londres – em quatro décadas, alunos do 8º ano da Escola Carlitos, na zona oeste da capital, se dedicaram a conhecer a história do rio mais famoso do estado de São Paulo – o Rio Tietê – através da participação no projeto Rivers of the World/Rios do Mundo, promovido pela Organização Internacional Britsh Council Brasil.

O estudo sobre os rios do mundo é global e envolveu a participação de escolas de várias partes do planeta- Reino Unido, China, Índia, Egito, África do Sul, Brasil e México e teve como principio o desenvolvimento de um projeto colaborativo e multidisciplinar, envolvendo estudos sobre os rios e criação de trabalhos artísticos, entre os estudantes dos países participantes com as escolas inglesas.

Durante pesquisa e estudo sobre o grande rio poluído de São Paulo, os alunos puderam ouvir nas aulas de Geografia a história do verdadeiro curso do Tietê quando era navegado pelos bandeirantes e levava o nome de Anhembi, em Tupi “rio verdadeiro”. Em ciências, percorreram o processo de degradação do rio na década de 40 devido à poluição industrial e esgotos domésticos; na disciplina de história, levantaram discussão sobre a falta de interesse político nas décadas de 60 e 70, agravado pela ditadura militar, e o movimento provocado nos anos 90 pela Rádio Eldorado, cuja equipe navegava pelo rio Tietê e fazia comentários sobre a poluição e deterioração das águas.

Desvendando as áreas do conhecimento no percurso da biografia do rio Tietê e suas interferências sociais, os alunos chegaram em momento da história que a degradação do rio se mostrou tão intensa, que extrapolou para a área cultural e artística da metrópole. Tomaram conhecimento sobre a inspiração do cartunista Laerte, quando criou os “Piratas do Tietê” e intervenções de artistas plásticos, como a exposição recente de Eduardo Srur, que criou várias esculturas de garrafas de 10 metros, espalhadas pelas margens do rio.

Para a Coordenadora Pedagógica da Escola Carlitos e também filósofa, Luciana Zaterka, mergulhar na história do Rio Tietê e participar do projeto londrino desencadeou amplas discussões e reflexões nas aulas de filosofia. “A partir do momento que os alunos se dão conta de que o homem é o ministro e senhor da natureza, se conscientizam de que as ações de cada um hoje serão refletidas no Rio Tietê daqui a cem anos”.

Os trabalhos realizados pelos alunos brasileiros contaram com a colaboração do artista plástico e museólogo, Paulo Portella Filho- responsável pelo setor educativo do MASP- que atuou como artista facilitador. Em outubro, os trabalhos dos alunos brasileiros serão expostos no Conjunto Nacional em São Paulo.никас вакансииканалы зуба фото