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Alunos pobres, indígenas e quilombolas do ensino superior público receberão dinheiro e apoio acadêmico

Serão exigidos dois critérios para o benefício: renda per capita inferior a 1,5 salário mínimo e matrícula em cursos com carga horária de cinco horas
O Ministério da Educação lançou nesta quinta-feira mais um programa de bolsas, desta vez chamado Bolsa Permanência. Os estudantes do ensino superior “vulneráveis socioeconomicamente” receberão R$ 400,00 por mês e os índios e quilombolas ganharão R$ 900,00. O ministério promete ainda apoio acadêmico.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que os “alunos que vêm de escolas públicas com algum tipo de deficiência” precisam de tutores “para dar reforço pedagógico”.

O MEC ainda não tem estimativa de quantos alunos serão beneficiados, nem de quanto será investido. Os números devem sair a partir da próxima semana, quando as universidades começarão a fazer o cadastramento. A pasta informou que o atual programa de assistência estudantil (moradia, alimentação, transporte e bibliotecas) terá este ano um investimento de R$ 650 milhões.

Os estudantes começam a receber o dinheiro em junho. O pagamento será feito diretamente por meio de cartão do Banco do Brasil. Para participar, são exigidos dois critérios: renda per capita mensal inferior a 1,5 salário mínimo e estar matriculado em cursos com carga horária de no mínimo cinco horas diárias.

Segundo a Agência Brasil, para manter a bolsa, os estudantes deverão frequentar as aulas e ter um bom desempenho acadêmico. Os cadastros deverão ser aprovados pelas instituições de ensino e serão mensalmente homologados pelas instituições. Poderão ser beneficiados tanto os estudantes que ingressaram este ano pela Lei de Cotas Sociais quanto os que já estão matriculados.

As bolsas assistenciais poderão ser cumulativas com bolsas de pesquisa e extensão. O prazo máximo para o estudante continuar recebendo o benefício é até dois períodos além do tempo de conclusão do curso, caso, por algum motivo, atrase a graduação. Após esse prazo, a bolsa será cortada.

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, disse à agência de notícias do governo federal que será preciso um controle mais rígido para que as bolsas sejam destinadas a quem realmente vem de comunidades tradicionais, além de reajustes periódicos. Ele também cobrou uma mudança no programa. “Serão beneficiados aqueles matriculados em cursos com uma carga horária média de cinco horas diárias. Esse benefício deveria ser estendido a todos os estudantes de baixa renda independente do curso”, afirmou.

Uma estudante indígena também pediu rigor na fiscalização, para evitar que não indígenas recebam a bolsa, principalmente porque o programa exige apenas uma declaração com a origem familiar. “Existe estudantes não indígenas que pegam declarações com lideranças e conseguem benefícios”, disse Vilma Benedito, da etnia Tupiniquim, que estuda na Universidade de Brasília.

“Achei favorável a medida para os estudantes. Eles vêm [para as universidades] com a esperança de ter conquistas e muitas vezes não conseguem se fixar, pela dificuldade financeira, pela dificuldade com a língua. A bolsa é importante para os indígenas, mas deve haver uma forma de filtrar, senão será apenas mais uma forma de favorecer os não indígenas”, disse.

O estudante indígena Poran Potiguara, que faz engenharia florestal na Universidade de Brasília (UnB), contou ao portal do MEC as dificuldades que encontrou ao deixar sua aldeia na Paraíba. “A primeira dificuldade é a adaptação, a universidade tem um modelo elitista e você se sente desprotegido fora de sua origem. A segunda dificuldade é a do conhecimento, não que o indígena não tenha capacidade, mas sofremos o mesmo que todos os estudantes de escolas públicas”, disse. “O mais difícil é a permanência, com o modelo que temos hoje, nós temos gastos com livros, alimentação, moradia e transporte. Essa bolsa vem nos auxiliar porque algumas vezes você não vem para as aulas porque tem que escolher entre o transporte ou o que comer”, afirmou o estudante.детектор лжи 2александр лобановскийсайт детской одежды