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Analfabetismo atinge 3 milhões de trabalhadores rurais

Apenas 4% das escolas rurais têm turma de ensino médio, revela uma pesquisa feita em assentamentos de reforma agrária
Cerca de 40% das pessoas entre 16 e 32 anos que moram e trabalham no campo são analfabetas. São 3 milhões dos quase 8 milhões de trabalhadores rurais, de acordo com a secretária da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Maria Elenice Anastácio.

Ela disse à Agência Brasil que o número de analfabetos pode ser bem maior se forem considerados os habitantes de pequenas cidades que sobrevivem da economia rural. Segundo o IBGE, o Brasil tem atualmente cerca de 14 milhões de analfabetos, ou 10% da população.

Para Maria Elenice, um dos maiores problemas é a falta de escola e o transporte. “O trabalhador rural tem que buscar a cidade para ter acesso à escola. Mas como vão pegar um transporte precário para estudar na cidade se estão cansados do trabalho exaustivo?”, disse.

A coordenadora do curso de Licenciatura em Educação no Campo da Universidade de Brasília, Mônica Molina, culpa a pouca oferta de escolas no campo como responsável pelas altas taxas de analfabetismo. “O interesse em estudar existe. Hoje, o trabalhador dá mais importância ao estudo do que em gerações anteriores, mas quando o aluno chega à 5ª série, dificilmente encontra turmas no meio rural. Então ele precisa ir estudar na cidade mais próxima e acaba desistindo”, afirmou à agência de notícias do governo federal.

Em uma pesquisa feita em assentamentos de reforma agrária, Molina constatou que 70% das escolas rurais são de 1ª a 4 série, enquanto 25% são para alunos de 5ª a 8ª e apenas 4% têm turma de ensino médio.

A conseqüência, diz ela, é que poucos alunos vão além dos primeiros anos de escolaridade. Este fator, somado às faltas, repetição de séries, professores despreparados e recursos didáticos escassos, leva ao analfabetismo funcional. “Sem acesso á escolarização correta na idade apropriada, o jovem acaba perdendo a condição de ler e interpretar após alguns anos”, afirmou.

Mônica e Maria Elenice defendem a ampliação do número de escolas no campo. “De 2005 a 2007 foram fechadas 8 mil escolas rurais e agora temos que garantir as que já existem”, disse Molina. “Não adianta investir em transporte das pessoas para cidades próximas. Poucos vão arriscar a vida em pau de arara para terminar o ensino médio”, afirmou Maria Elenice.гоглеalexander nesterov actorигры для детей 1 год