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Ao fazer 5 anos, Federal de ABC é mal compreendida, revela pesquisa

Currículo interdisciplinar é questionado por alunos. Evasão no bacharelado de Ciências e Tecnologia chega a quase 50%
A Universidade Federal do ABC comemora 5 anos nesta sexta-feira, dia 16, com as presenças do ministro da Educação, Fernando Haddad, e do ex-presidente Lula, enfrentando um dilema: o seu projeto pedagógico diferenciado é mal compreendido na própria instituição, revela um estudo realizado pela historiadora Tatiana Carvalho, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Uma reportagem da Agência USP mostra que o problema maior está em dois cursos interdisciplinares, os bacharelados em Ciências e Tecnologia (BCeT) e Ciências e Humanidades (BCeH), ambos com duração de três anos. Após a primeira parte da graduação, o aluno pode completar a formação com outras carreiras, como Economia, Engenharia ou Licenciaturas em Matemática, Física e Filosofia.

“Boa parte das pessoas está acostumada com cursos de formação voltados para o mercado. A maioria dos ingressantes em BCeT almeja fazer Engenharia, e não o bacharelado. São pouquíssimos os estudantes que param na primeira graduação”, disse a pesquisador ao repórter Bruno Capelas.

Ela ressalta que problema afeta as intenções da universidade de se tornar uma instituição voltada para a pesquisa – 52% dos 510 alunos matriculados na pós-graduação contam com bolsas auxílio, da Capes, Fapesp, CNPq ou da própria UFABC.

Segundo ela, a evasão em BCeT é de quase 50%. “Um levantamento interno da UFABC, apontou outras razões. São elas: a falta de prestígio da instituição; a dificuldade das disciplinas, que são trimestrais, mas com o mesmo conteúdo que uma semestral teria; a falta de traquejo de alguns professores, que são, em grande parte, jovens doutores; e, por fim, a dificuldade de conciliar estudo e trabalho”, disser a pesquisadora à Agência USP.

Ela destaca que o currículo interdisciplinar também é questionado por alunos. “Muitas disciplinas têm problemas porque seus professores ainda não entenderam a proposta, uma vez que vieram de outras universidades, que usam o modelo tradicional”, afirmou.

Outro problema apontado pela pesquisa é que a região do ABC, em crise após a construção de montadoras em outros locais, ainda não se apropriou da universidade. “Antes de sua fundação, a UFABC era vista por parte da opinião pública regional como um possível instrumento para superar essa crise, formando profissionais de acordo com a demanda da região. Entretanto, ela tem outra proposta: tornar-se um centro de pesquisa, transformando a região em um polo tecnológico, como hoje faz a Unicamp com a área de informática. Ainda assim, existem muitas críticas dizendo que a ‘Federal’ é apenas no ABC, e não do ABC”, afirmou.

Na opinião dela, “a região ainda não despertou” para o potencial da universidade. “Ainda é cedo para dizer o que vai se fazer da UFABC nos próximos cinco ou dez anos. A impressão que fica é que ela não quer ser como a USP. Ela quer ser a UFABC: grande, mas do seu próprio jeito”.

Além dos dois bacharelados interdisciplinares, a UFABC oferece 25 cursos de formação específica. Ao todo, são 5.528 alunos na graduação e 510 na pós-graduação. Ela reserva 50% das vagas para os estudantes da rede pública.

A universidade tem aulas em Santo André e São Bernardo, que também será sede de um novo campus.

Veja a íntegra da dissertação de mestrado da historiadora Tatiana Carvalhoпастор владимиррегистрация сайта в rambler3d сканирование зубов