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Após 6 meses interditada, USP Leste volta a funcionar

Em todo o campus foram instalados dutos de ventilação para permitir a saída do gás metano do subsolo e 23 bombas auxiliam esse processo

As aulas da Universidade de São Paulo (USP) no campus leste foram retomadas nesta segunda-feira, dia 18, após o local ter sido interditado pela Justiça, em janeiro, por causa do solo contaminado. Foi constatada na época a presença de gás metano no subsolo, proveniente de dejetos retirados da dragagem no rio Tietê e da presença de terra e entulhos contaminados.

A Agência Brasil informa que a universidade preparou para os alunos uma programação com debates, mesas e palestras da empresa Weber Ambiental, responsável pela instalação de um sistema de ventilação do gás metano.

Em toda a USP Leste foram instalados dutos de ventilação para permitir a saída do gás metano do subsolo e 23 bombas auxiliam esse processo. Existem também 117 poços de monitoramento – inspecionados semanalmente por técnicos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), responsáveis pela medição de metano. Como os edifícios foram construídos sobre dejetos, o procedimento continuará sendo feito por tempo indeterminado, para evitar o acúmulo do gás.

“A questão do gás metano, que é gerado pela degradação da matéria orgânica no subsolo, é um processo até natural. Mas não é conveniente que esse gás se concentre embaixo das lages dos edifícios. Por isso, os edifícios foram construídos com colchão de brita embaixo e, para que o sistema de ventilação desses gases fosse eficiente, precisava instalar as bombas que fazem o papel de ventilar e não deixar esse gás se concentrar”, explicou a diretora da unidade, Maria Cristina Motta de Toledo.

Outra medida adotada foi a colocação de tapumes metálicos em grande parte do campus para proteger as pessoas de terras e entulhos que contêm substância contaminante. Também foi plantada grama para impedir que a poeira dessa terra se espalhe. “Por causa da característica de não solubilidade em água e de não volatilidade, ou seja, não passagem para a atmosfera dessa substância, a Cetesb considera que esse tipo de ação é provisoriamente aceitável, enquanto não se define o destino definitivo desse material. Futuramente, [ele] pode ser retirado ou receber outro tipo de contenção. A Cetesb que vai definir.”

Como o semestre inicia com duas semanas de atraso, as aulas estão previstas para encerrar no dia 19 de dezembro. Alguns cursos, porém, terão de compensar aulas práticas que não foram dadas por falta de laboratórios adequados.

A aluna Bárbara Eleodora Guimarães de Oliveira, de 22 anos, que está no quarto ano do curso de têxtil e moda, disse os alunos mais velhos foram mais prejudicados. “Quando a gente foi para o outro campus na Cidade Universitária, a gente não teve nada disso [laboratórios]. O meu ano não foi tão prejudicado, porque a gente está com matérias mais teóricas do que práticas, mas o segundo e o terceiro ano foram prejudicadíssimos”.

Segundo a diretora da USP Leste, uma parceria com instituições que emprestam seus laboratórios para as aulas, como o Senai e outras empresas, vai contornar essas deficiências. “Os equipamentos como computadores foram reinstalados, os livros deslocados voltaram, os espaços foram readequados. Mas outras atividades foram retomadas antes, como uma parte da pesquisa”, informou a diretora.

Para aluna do último ano de gestão de políticas públicas, Aline Gonçalves Nascimento, de 20 anos, o grande problema é a indefinição sobre os problemas ambientais do campus. “A gente passou por um semestre muito conturbado, e para mim é como voltar para minha casa. Só que, ao mesmo tempo, é uma casa bagunçada. Então, hoje é muito mais expectativa do que algo concreto. Eu não sei o que vai acontecer, e a gente não tem um sentimento de certeza para nada. Pode ser que hoje ou amanhã eles decidam que não vão mais deixar a gente aqui.”

A USP Leste tem 4,4 mil estudantes, cerca de 400 funcionários e professores, dez cursos de graduação e nove de pós-graduação.