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Aprendizagem avança no fundamental e fica estagnada no ensino médio

Os dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2017, apresentados nesta quinta-feira, dia 30, pelo Ministério da Educação (MEC), revelam que a aprendizagem vem crescendo lentamente ao longo do tempo em português e matemática no 5º ano e no 9º ano do ensino fundamental, mas está estagnada no ensino médio. (veja nos gráficos abaixo) Os resultados mostram também que a desigualdade regional ainda é muito grande no Brasil.

Conheça os resultados do Saeb

Segundo o MEC, embora o 5º ano apresente o maior avanço nas duas disciplinas, a aprendizagem média ainda está um pouco inferior ao nível básico (4, na escala até 10). O mesmo diagnóstico acontece para o 9º ano do ensino fundamental.

O MEC destaca ainda que nas duas etapas todos os Estados apresentaram melhora no ensino na comparação com o Saeb de 2015. No entanto, cerca de 70% dos estudantes do 9º ano que participaram do Saeb 2017 apresentaram aprendizagem insuficiente em matemática.

 

O mesmo percentual é registrado nos estudantes que concluíram o ensino médio tanto em matemática quanto em português. Em língua portuguesa, por exemplo, apenas 1,6% dos estudantes apresentaram aprendizagem adequada (níveis 7 e 8). O percentual equivale a cerca de 20 mil estudantes do total de 1,4 milhão que fez a prova nessa etapa. Em matemática, somente 4,52% dos estudantes do ensino médio avaliados pelo Saeb 2017, cerca de 60 mil, superaram o nível 7.

 

Os dados mostram que apenas Acre, Alagoas, Ceará, Goiás, Piauí e Tocantins melhoraram a proficiência média tanto em matemática quanto em língua portuguesa em todas as etapas da educação básica. As maiores médias estão nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

O ministro da Educação, Rossieli Soares, ressaltou que “o estudante com desempenho básico ainda precisa de acompanhamento e apoio, ainda não é considerado adequado.” Para ele, “o ensino médio está absolutamente falido, está no fundo do poço” e os “resultados são importantes para que os próximos governadores, juntamente com os prefeitos, se apropriem para gerar transformações para o país.”

O representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Maurício Fernandes, dirigente municipal de Florianópolis, disse à Agência Brasil que é preciso mais recursos e melhorar a gestão. “O mundo inteiro fez a revolução a partir da educação. A importância está no discurso, mas prioridade é prática, não é só MEC, mas redes estaduais e municipais, escolas, população”, disse.

Segundo o MEC, cerca de 77% dos estudantes participaram das provas do Saeb, totalizando cerca de 5,5 milhões de alunos de 73 mil escolas. Também foram aplicados questionários para diretores, professores e estudantes.

A edição de 2017 do Saeb foi a primeira a avaliar os concluintes do ensino médio da rede pública de forma censitária, ou seja, não é apenas uma amostra.

Também foi a primeira vez que escolas particulares participaram de forma voluntária na 3ª série do Ensino Médio por meio de adesão.

Segundo o MEC, o resultado do Índice da Educação Básica, o Ideb, será divulgado na segunda-feira, dia 3 setembro. O Ideb inclui, além do Saeb, as taxas de aprovação, reprovação e abandono, apuradas no Censo Escolar.

Para 2019, o MEC já anunciou uma reestruturação do Saeb, quando as condições de acesso e oferta das instituições de educação infantil também passarão a ser observadas.

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