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Arte-Educação cresce após 10 anos dos parâmetros curriculares

O ensino da Arte ganha nova dimensão, novo olhar, modalidades específicas e adaptações que levaram em consideração as peculiaridades culturais de cada região *

Por Cecília Galvão e Heloisa Pacheco

Os Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação Básica foram criados há 10 anos, incluindo a área de Arte, e desde então, o Brasil passa por um processo de evolução no ensino da disciplina nas escolas públicas do país. O ensino da Arte ganhou nova dimensão, novo olhar, modalidades específicas e adaptações que levaram em consideração as peculiaridades culturais de cada região. Mesmo assim, o MEC avalia a necessidade de aprofundar os estudos, as pesquisas e avaliações referentes ao ensino-aprendizagem da Arte nas escolas brasileiras.

Para o Diretor de Concepção e Orientação Curricular para o Ensino Básico, da secretaria de Educação Básica do MEC, Marcelo Soares Pereira da Silva, desde a criação dos PCN´S – Parâmetros Curriculares Nacionais –a educação básica obteve um novo olhar reforçado com a formulação das Diretrizes Curriculares Nacionais -criadas pelo Conselho Nacional de Educação em fim dos anos 90 até 2004- e depois, com a iniciativa de estados e municípios em criar suas próprias diretrizes.

Estética

Segundo o professor, o MEC avalia a introdução dos PCN´S de forma positiva. “Tivemos avanços grandes na área da Arte-educação na educação básica, especialmente no tratamento da questão da estética e da formação da criança e do adolescente. O fato da arte estar presente em propostas curriculares de vários estados e municípios mostra que o ensino da disciplina está avançando”.

Mesmo não tendo em mãos documentos que comprovem o avanço, o MEC tem o conhecimento de estudos e pesquisas realizadas na área, e sabe que apesar dos resultados positivos dos últimos 10 anos, o trabalho dos pesquisadores/educadores não pode parar. “Sabemos que neste momento é importante intensificarmos os estudos, criarmos reuniões de trabalho e seminários para obtermos um mapeamento melhor do impacto dos PCN´S na área de Artes”, diz professor Marcelo.

Este ano, a Diretoria de Concepção e Orientação Curricular para o Ensino Básico – MEC – dinamizou o trabalho com o foco em arte e, segundo o diretor, a previsão é estender o trabalho até 2009. “Queremos construir sínteses que possibilitem novas orientações, e a produção de novos encaminhamentos e tratamentos para o ensino da arte nas escolas. Desta forma, garantiremos os avanços e cumpriremos as metas ministeriais”, finaliza.

 

Produção cultural

Uma das elaboradoras dos Parâmetros Curriculares em Artes e professora doutora da USP, Maria Heloisa Ferraz, diz que a grande contribuição do documento foi ampliar e aprofundar o foco do ensino da Arte nas instituições escolares. Se antes, a questão da Arte na escola era somente a produção do aluno, atualmente, observamos a inserção da produção cultural, tanto nacional como internacional, ao se trabalhar com a apreciação e a reflexão.

A também professora doutora da USP, Rosa Iavelberg, outra elaboradora dos PCNs, compartilha com Ferraz a idéia de que os documentos trouxeram como princípio o diálogo entre o sistema da Arte e o da educação, porém enfatiza a necessidade de uma interface maior entre o sistema da arte contemporânea e o sistema da educação contemporânea, pois observa que se não houver essa sinergia não se fala nem de Arte, nem de educação.

“É preciso trazer para a arte e para a educação, algo que se perdeu com a marquetização da arte na escola e nos espaços culturais. Tem que haver um novo olhar que vise à aproximação da produção com a fruição, para possibilitar uma experiência em arte”, diz Iavelberg.

Parâmetro

Heloísa Ferraz e Rosa Iavelberg pontuam que os PCNs não foram criados como currículo nacional, mas um parâmetro para que cada secretaria de educação pudesse elaborar seus planos com as particularidades das regiões. Nestes documentos curriculares subseqüentes, produzidos pelas diversas secretarias de educação estaduais e municipais, aparece o enfoque da produção cultural, solidificando essa maneira de abordar o ensino da Arte.

“Alguns estados e municípios estão redigindo seus documentos, com um recorte mais voltado para a prática de sala de aula, em que há propostas de seqüência de atividades. Esse tipo de formato de documento, diferente dos PCNs, não necessita que o professor faça a transposição didática, mas permite que ele crie em suas aulas se a orientação não for fechada, nem rígida”, diz Iavelberg. Segundo ela, esses planos curriculares refletem uma necessidade do professor, a de haver um documento mais próximo da atuação de sala de aula, em que ele não precisa assumir todos os níveis de transposição didática e de elaboração do desenho curricular.

Assim como os PCNs trouxeram a questão da inserção da produção cultural, também apontaram para o aprofundamento das quatro linguagens: Artes Visuais, Dança, Música e Teatro, com o intuito de que ao longo da escolaridade o aluno pudesse ter uma formação consistente nessas linguagens. Porém, por não ter havido uma formação para a recepção dos documentos houve entendimentos equivocados; como o de exigir de um especialista em uma linguagem para trabalhar com as outras e, às vezes, em períodos curtos, impossibilitando o aprofundamento da linguagem proposto pelos parâmetros.

Na visão das especialistas, os PCNs possibilitaram avanços do ensino da arte na escola, pois trouxe a necessidade de discussão do currículo da arte, do papel do especialista, da formação dos professores e da inserção do professor de arte no ensino fundamental de 1o. ao 5º. Ano, que ainda não é obrigatória.

Está matéria foi extraída do boletim do Instituto Arte na Escola, da Fundação Iochpe

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