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Atravessamentos entre família e escola

Marcelo Cunha Bueno é educador e diretor da Escola Estilo de Aprender em São Paulo

Às vezes tenho a impressão de que escola não é lugar de crianças, mas de palavras. Uma impressão que se faz verdade quando, para nos relacionarmos e conhecermos o outro, usamos palavras marcadas. Escola deveria ser um lugar de aberturas. Um espaço de atravessamento entre culturas.

Isso quer dizer que os saberes não estão fixos em uma posição, que não precisam ser sempre acessados, conhecidos, refeitos pelos mesmos caminhos, que diferentes expressões e linguagens compõem conceitos, que há múltiplas formas de entendermos e sermos entendidos pelos outros.

Vejo que muitas escolas se agarram à ilusão da tradição e dos discursos especialistas. Cabe aqui, nesse espaço dos especialistas, a pedagogia e o pedagogês e a psicologia e o psicologês, que afastam e se afastam dos problemas do dia-a-dia. É a ilusão de uma segurança de que tudo pode ser medido, explicado, quantificado.

Bem, mas estamos cansados de saber que as coisas não funcionam assim dentro das escolas. Escola é um lugar de vibrações. Uma geografia do acontecimento, a afirmação do que nos passa e nos acontece, no hoje. Por isso, escola deveria se preocupar em sentir, perceber e se costurar às relações, às experiências.

A família é responsável também por fazer e acontecer na escola. A família ajuda a escola a repensar seus pensamentos. A família ajuda os professores a escreverem os discursos sobre aquele filho, aquele estudante. A escola deve fazer a família circular e criar em seus espaços.

Escola é lugar da coletividade e a família faz parte dela. Perguntar, questionar, escutar, criar, produzir. Isso é se fazer parceiro da escola. Cada vez que a escola fala sobre fases de desenvolvimento x ou y, cada vez que fala sobre construtivismos, interacionismos, cada vez que quer explicar o vivido e o sentido com palavras marcadas, empurra a família, as culturas, a cidade para fora… criando aquele discurso de que existe um fora da escola e um dentro da escola. Escola é tudo junto… ao mesmo tempo agora! Escola é convite! Um convite para uma dança-educação entre crianças, professores, familiares. Chamar para dançar é convidar para educar junto. Falar a língua do outro, levar o outro em passos leves, não em passos marchosos.

Gosto de escola que me chama para frequentá-la. Escola que deixa pais e mães, famílias entrarem e sentirem, escutarem, verem, cheirarem o que é essa escola. Educação é relação, e só existe relação nessa intensidade do encontro entre pessoas.набор для фокусов детский от 5 леттеннис детскийкомпрессор метабо цена