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Aumento na aprovação faz nota do Ideb crescer em 674 cidades

Em outros 2.497 municípios, a aprovação também contribuiu para melhorar a nota, mas não foi o único fator, diz reportagem da Folha de S. Paulo

A nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 674 municípios subiu de 2005 a 2007 exclusivamente por causa do aumento nas taxas de aprovação e não em função da melhora do desempenho dos alunos, diz reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta segunda-feira, dia 3. Esses municípios representam 16% dos avaliados da primeira a quarta séries. Em outros 2.497 (58%), a aprovação também contribuiu para melhorar a nota, mas não foi o único fator.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia do Ministério da Educação responsável pela avaliação, diz, no entanto, que o componente que mais explicou o avanço nacional no Ideb foi a melhoria do desempenho em matemática (46%) e português (14%). Já a aprovação contribuiu por 41% da melhoria do resultado.

O presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, disse aos repórteres Antônio Góis e Fábio Takahashi que se as aprovações aumentarem sem um desempenho melhor dos estudantes a tendência é o Ideb cair no futuro. “Se a cidade deu um salto na aprovação e o desempenho dos estudantes não cair, isso é ótimo. Mas, se aprovou demais sem saberem nada, a tendência é o Ideb cair.”, disse.

O presidente-executivo do movimento Todos Pela Educação, Mozart Ramos, também destaca que a nota do indicador cairá no futuro sem um desempenho melhor dos alunos em português e matemática. “O próximo secretário de Educação dessas cidades não terá mais essa gordura para queimar, já que os que aumentaram a aprovação de forma acentuada chegaram perto do limite. Seu Ideb poderá estagnar ou até piorar se o desempenho dos alunos não avançar”, disse.

O professor da USP, José Marcelino Rezende Pinto, criticou a vinculação de mais recursos às taxas de aprovação. “Numa situação normal, o aumento da aprovação seria motivo de festa. Em um sistema no qual se vinculam recursos à taxa de promoção, o dado é de difícil mensuração. Mas aprovar não significa que o aluno aprendeu ou que a escola cumpriu sua função de ensinar”, disse.

O jornal retrata a situação do Rio de Janeiro e outras cinco cidades onde a aprovação foi fundamental para aumentar a nota do Ideb. No Rio, a taxa de aprovação da 1ª à 4ª série do ensino fundamental na rede municipal aumentou de 86% para 94% de 2005 a 2007. A nota média na Prova Brasil – que avalia o aprendizado de Língua Portuguesa e Matemática – caiu de 4,91 para 4,86.

O assistente do Departamento Geral de Educação da Secretaria de Educação, Antônio Mateus Filho, disse que a aprovação maior aconteceu sem a perda de qualidade. “A queda na Prova Brasil foi mínima. Isso mostra que não houve prejuízo da qualidade do ensino.”

Em Itapicuru (BA), aprovação passou de 53% em 2005 para 100% dois anos depois. A secretária de Educação da cidade, Florinda Oliveira, garantiu ao jornal que as aprovações aumentaram em função da qualidade no ensino. “Aqui não há esse negócio de passar os meninos por lei. Foi realmente um trabalho que fizemos com todas as escolas.” A coordenadora da Associação de Professores Licenciados da Bahia, Maria Amália, disse, no entanto que vai procurar “saber como aconteceu esse milagre”.

Em Sapezal (MT), com aumento de aprovação de 50,4%, a secretária de Educação, Telma Bogucheski Ribeiro, também garante que não houve facilitação para os alunos serem aprovados. “Se fizéssemos isso, a nota na Prova Brasil cairia muito, o que não ocorreu.” As médias no município caíram 0,03% no período.

A Secretaria de Educação de Pontal do Araguaia (MT), que aumentou a taxa de aprovação em 44,2%, citou o reforço extraclasse como um fator para melhoria do índice.

Em Santa Cruz do Xingu (MT), onde a aprovação foi de 47% para 90%, a Secretaria de Educação disse que a melhoria aconteceu por causa do atendimento individualizado ao aluno em dificuldade.

Em Lafaiete Coutinho (BA), onde a aprovação melhorou 12,8%, foi implementado o sistema de ciclos, onde a aprovação se dá por períodos maiores, geralmente de dois ou quatro anos.

Leia a íntegra da matéria da Folha de S. Paulo (só para assinantes do jornal)

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