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Avaliação do ensino de medicina provoca polêmica

Enquanto o ministério da Saúde anuncia uma avaliação dos alunos a cada dois anos, em São Paulo formandos defendem boicote para prova do Conselho Regional de Medicina

O debate sobre o ensino de medicina e a avaliação dos cursos está causando divergências no poder público e nos alunos. Enquanto o Ministério da Saúde anuncia uma prova nacional, a cada dois anos, a fim avaliar a qualidade do ensino, estudantes prometem boicotar o exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) que será obrigatório para o registro de médico. Na terça-feira, dia 23, o governo federal anuncia a criação de 1.623 vagas de residência médica.

Os jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo trazem versões diferentes sobre o tema. O primeiro diz que a proposta da avaliar a cada dois anos abriu uma crise entre as pastas da Saúde e da Educação. O Estadão diz que a assessoria do MEC informou que “desconhece qualquer proposta do ministro da Saúde de fazer uma prova de progressão dos estudantes dos 2º, 4º e 6º anos de medicina”.

Já a Folha informa que o secretário de gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mozart Sales, disse que o MEC foi “bem receptivo” à proposta da pasta.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, admitiu que a proposta ainda não foi feita, mas que ela será formalizada. Para ele, as provas a cada dois anos podem corrigir distorções ao longo dos cursos. Atualmente, a avaliação é feita pelo Enade, uma prova nos 1º e 6º anos da graduação de medicina. Padilha afirmou que os cursos que apresentarem desempenho ruim poderão ser punidos com a redução de novas vagas ou suspensão de vestibulares.

Segundo a Folha de S. Paulo, a presidente Dilma Rousseff encarregou os dois ministros de aumentar a oferta de médicos no país.

Dados do censo da educação superior de 2010 registram 181 cursos de medicina no Brasil, com 103.312 matrículas. Em junho, o MEC anunciou a abertura de 2.415 vagas em cursos da área. Em 2010, foram oferecidas 16.838 vagas em todo o país.

Prova obrigatória

Em São Paulo, alguns alunos estão defendendo boicotar o exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Segundo o Estadão, estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) pregam o boicote e alunos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto manifestaram apoio ao ato. Já na Universidade de São Paulo (USP) o movimento não teve apoio.

Criado em 2005, o exame era opcional e passou a ser obrigatório este ano. O Cremesp condiciona a concessão do registro profissional de médico à realização do exame ao fim do sexto ano de curso. O desempenho não será levado em conta na hora de emitir o registro.

Segundo o jornal, na Unicamp os alunos lançaram um abaixo-assinado que já conta com mais de 2 mil assinaturas contra a realização do exame. “Queremos mostrar à sociedade que essa prova não vai melhorar a educação e a saúde no País. Nós defendemos uma avaliação continuada, para os problemas sejam corrigidos ao longo do tempo, e não uma que é realizada apenas no final do curso”, afirmou o coordenador de Educação do Centro Acadêmico Adolfo Lutz, que representa os alunos de medicina da Unicamp, André Citroni.

Em nota, a Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp afirmou que é “interessante a participação dos alunos para ajudar a reconstruí-lo (o exame)”.

O coordenador-geral dos estudantes da Famema, Caio Del Arco, do 3º ano, disse que está tentando convencer todos os estudantes do 6º ano sobre a importância do boicote. “O problema é que o Cremesp não deixa muito claro se o desempenho na prova realmente não vai ter algum impacto no futuro”, disse.

Apesar do protesto, o jornal O Estado de S. Paulo informa que o número de inscritos para a prova ultrapou 3,2 mil. Em 2011 – quando a avaliação não era obrigatória -, 418 estudantes se inscreveram.

O coordenador do exame do Cremesp, Bráulio Luna Filho, criticou o protesto dos alunos. “Esse tipo de prova é feita no mundo inteiro. O que é mais lamentável é que, em sua maioria, são alunos de instituições públicas com condição privilegiada que estão se recusando a serem avaliados”, disse.

O primeiro-secretário Conselho Federal de Medicina (CFM), Desiré Callegari, informou que a entidade “aguarda o desenrolar do que é feito hoje apenas em São Paulo para melhor analisá-lo como instrumento de avaliação”.

Bolsas de residência

O Ministério da Saúde anunciou a criação de 1.623 bolsas de residência médica para 2013, número que corresponde a 15% das vagas existentes no País. As bolsas serão para 19 especialidades prioritárias. Outras 1.270 bolsas de residência serão ofertadas para profissionais de saúde, como enfermeiros. A meta é financiar 4 mil bolsas de residência médica e 3,2 mil bolsas multiprofissionais até 2014.

As residências serão criadas em hospitais universitários, faculdades e instituições filantrópicas e estaduais.

Instituições receberão incentivo para cada dez novos alunos de residência, que variará de R$ 3 mil a R$ 8 mil, de acordo com a região – Norte e Nordeste receberão o incentivo maior e o Sudeste, o menor. O investimento total será de R$ 82,7 milhões em 2013.

Segundo o ministério da Saúde, a média brasileira de médicos por habitante é de 1,8 a cada mil. Na Alemanha esta proporção é de 3,6 e em Portugal, 3,9. O ministério promete também reduzir a desigualdade. No Norte, por exemplo, a relação é de 0,9 médicos por mil habitantes.

O ministério quer ainda criar um cadastro nacional de especialistas, para saber quantos são os profissionais e onde estão atuando

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