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Banco Mundial lista quatro prioridades da educação no Brasil

Estudo vê “progressos notáveis” nos últimos 15 anos, mas diz que a corrupção e a má administração das verbas são um entrave para melhorar a qualidade
As quatro prioridades do Brasil para melhorar a educação na próxima década devem ser qualificar os professores, fortalecer a educação infantil e o ensino médio e mais tornar o gasto público mais eficiência. É o que diz um estudo lançado segunda-feira, daí 13, pelo Banco Mundial sobre os resultados alcançados pelo Brasil nos últimos anos em educação.

O estudo diz que houve “progressos notáveis” nos últimos 15 anos e sugere que o país precisa acelerar o ritmo para ganhar espaço no mercado mundial. O trabalho informa que o Brasil teve o mais rápido aumento do nível educacional da força de trabalho em todo o mundo – entre 1990 e 2010, a escolaridade média da população passou de 5,6 para 7,2 anos de estudo.

Segundo o Banco Mundial, tais resultados começaram a melhorar em 1995, quando o governo federal criou o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental, o sistema de avaliação, como o Saeb, e os programas de distribuição de renda condicionados à frequência escolar, como o Bolsa Escola. A ampliação dessas políticas e a adoção de novas medidas resultaram na melhoria do ensino, afirma o relatório.

“Em 1993, aproximadamente 70% da força de trabalho não havia completado o ensino médio. Hoje este número é de 40%. A maior mudança não é o acesso ao ensino fundamental, mas a proporção muito maior de crianças que permanecem na escola até completar o ensino médio”, diz o Banco Mundial. Hoje os estudantes brasileiros completam entre nove e 11 anos de escolaridade, independentemente do nível escolar de seus pais. “Em 1993, a criança de um pai sem educação formal completaria em média somente quatro anos de escolaridade.”

Apesar dos avanços no acesso à educação, o Brasil ainda está “muito longe” de alcançar os níveis educacionais dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Banco Mundial alerta, porém, que o nível de aprendizado dos alunos é que “realmente conta para o crescimento econômico e não quantos anos de escolaridade eles completam”.

Um dos entraves apontados pelo Banco Mundial é a corrupção e a má administração das verbas da educação. Para os técnicos do banco, o gasto público não está “produzindo os resultados esperados”. Atualmente, o Brasil investe 5% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar que, segundo o relatório, já é superior ao verificado em países como o México, o Chile, a Índia e a Indonésia, que têm perfil demográfico semelhante ao brasileiro.

O Banco Mundial critica o fato de o Brasil investir em média seis vezes mais em um estudante do ensino superior que no aluno da educação básica. Na OCDE, a proporção é de dois para um. O estudo destaca ainda que as altas taxas de repetência permanecem, “apesar de pesquisas indicarem que a repetição é uma estratégia ineficaz para aumentar a aprendizagem”.

O banco aponta ainda “aumento no custo dos professores”, com políticas que reduziram o tamanho médio das turmas e “impuseram aumentos generalizados de salário para os professores”. Para a instituição, há pouca evidência de que o aumento salarial contribuiu para melhorar a qualidade da educação.

Para melhorar a qualificação dos professores, o banco sugere atrair os “indivíduos de mais alta capacidade para a sala de aula”, com apoio para formação continuada e recompensa pelo desempenho. Hoje, diz o estudo, a carreira docente se tornou “uma profissão de baixa categoria”, que atrai o “terço inferior dos estudantes do ensino médio”.

O Banco Mundial indica como exemplo de políticas eficientes os programas de pagamento de bônus em dinheiro para os professores a partir dos resultados alcançados pelos alunos, já adotados em Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo e no município do Rio de Janeiro. Estes programas são duramente criticados pelos sindicados dos professores.

Na avaliação do ministro da Educação, Fernando Haddad, não é possível melhorar a qualidade do ensino oferecido sem aumentar significativamente a remuneração do docente. “Ainda pagamos 60% do que deveríamos pagar, o salário médio do professor não pode ser inferior ao salário das demais profissões. Isso é uma posição cristalizada do MEC”, disse, de acordo com a Agência Brasil.

O coordenador de Desenvolvimento do Banco Mundial no Brasil, Michele Gragnolati, disse que a questão do professor é “complexa” e não se resolve apenas com salário.

Haddad evitou se manifestar contra ou a favor do modelo de premiação por mérito. “O que funciona em um estado não funciona em outro. Todo professor quer ser avaliado por mérito. A pergunta é: como aferir o mérito do professor. Alguns entendem que deve ser pelo desempenho dos alunos em testes padronizados, outros por avaliação didático-pedagógica. Não podemos passar uma receita de bolo”, disse.

O ministro lembrou o projeto lançado este ano para criar o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. Os participantes poderão usar a nota para ingressar em diferentes redes de ensino. A primeira edição está marcada para 2011. “É preciso combinar a melhoria das condições salariais com um ingresso mais criterioso na carreira. Não há critério muito adequado, os concursos são mal feitos, temos muito professores temporários trabalhando”, disse.

O estudo destaca ainda a consolidação das avaliações e cita como um grande avanço a criação, em 2005, do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). “Nenhum outro grande país com regime federativo no mundo conseguiu esse feito”, diz o estudo. O Ideb mede a qualidade do ensino oferecido pelas escolas públicas com base na nota da Prova Brasil e dos índices de reprovação. Ele atribui uma nota a cada escola, assim como às redes municipal e estadual, que precisam cumprir metas bienais para melhorar seus índices. De acordo com o Ideb de 2009, a média nacional foi de 4,6. Até 2022, a meta é chegar a 6 pontos.Продвижение молодых сайтовlist of all the countries in the worldкупить справку