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Base Curricular vai mudar currículo da formação de professor: mais prática e temas atuais

A formação do professor vai passar por uma transformação com a entrada em vigor da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Para ensinar as novas matrizes e os cinco itinerários formativos do ensino médio, o docente precisará, além de ser especialista, ensinar em vários contextos.

A formação teórica continua imprescindível, mas a prática também assume papel principal. Estar atualizado sobre os principais temas do mundo contemporâneo é outra condição para atrair o aluno e garantir a aprendizagem dele.

Com esta filosofia, o curso de licenciatura em Letras do Instituto Singularidades, em São Paulo, aprofunda o desenvolvimento das aulas práticas. Todos os alunos a partir do 1º semestre do curso são monitores em escolas públicas e privadas. E no currículo do curso, temas contemporâneos – o movimento LGBT, o grafite, a cultura de matrizes africanas, o movimento feminista – são diariamente pautas de discussão, debates e reflexão. Para cada um deles, são chamados especialistas ou pessoas envolvidas nos movimentos em pauta, para uma conversa com os alunos.

O coordenador Marcelo Ganzela explica que a Licenciatura em Letras do Instituto Singularidades é fundamentada em quatro eixos principais: Projetos de Extensão, Tecnologia e Educação, Espaços de Aprendizagem e Protagonismo.

Neste último quesito, o aluno tem papel central. Os futuros professores são, em sua maioria, membros de coletivos, moradores da periferia e participantes de movimentos sociais. “Temos aluno bailarino, jornalista, músico, advogado e escritor. Eles direcionam muito para os temas da atualidade. Se o debate não existir e as saídas não acontecerem, os alunos cobram”, explica Marcelo. “Em conversa com os alunos, ficou claro que todos têm o objetivo de impactar na formação das pessoas e na educação do seu bairro”.

O curso de Licenciatura em Letras também oferece muitas aulas fora do espaço escolar. A turma vai ao shopping caçar neologismos, no Largo da Batata estudam a simbologia nas placas, na feira boliviana pesquisam o idioma, na feira nordestina investigam os sotaques e assim por diante.

Marcelo Ganzela ressalta que a tecnologia e todas as possibilidades que as ferramentas apresentam são amplamente utilizadas pelos alunos. “Temos uma disciplina que pesquisa o uso das novas ferramentas no mercado, sempre alinhado com o desenvolvimento curricular e acadêmico do aluno”, diz.

Mas não basta conhecimento acadêmico e prático para a formação dos futuros docentes. Ganzela conta que os alunos do ensino superior também ensinam poesia para trabalhadores de uma ciclovia. “É importante que repensem suas relações com o mundo através de atividades/oficinas como essa”, diz.

“Nossos alunos são estimulados a perceber que a linguagem está em todos os lugares, sejam nos espaços físicos ou virtuais. Se a linguagem está em todo o lugar, é possível aprender em qualquer ambiente. No nosso curso, alunos e professores estão a todo o momento discutindo linguagem, pensando linguagem e se apropriando da linguagem em diversos espaços”, afirma.

http://singularidadesletr.wixsite.com/letras

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