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BNCC é a base de que seres humanos queremos criar, afirma especialista

 

Discussão civilizatória tem ligação com o modelo de sociedade que queremos. Foi com essa reflexão que o professor e mestre Miguel Thompson, diretor executivo do Instituto Singularidades, iniciou sua participação no 2° Seminário do ensino fundamental que teve como tema BNCC: perspectivas para planejar 2019, em São Paulo.

A nova Base Nacional Comum Curricular para o ensino fundamental foi aprovada e as escolas estão se preparando para incluí-la até 2020. A Base é uma norma que regulamenta a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O diretor do Singularidades resume o documento dizendo que ela busca fazer o educador pensar que tipo de ser humano estão criando e, consequentemente, que tipo de sociedade.

“Há oito mil anos começamos a criar significados separados da subjetividade e agora buscamos a integralidade”, afirma Thomson, que explica que vivemos um período de transformação do tangível para o digital, que é subjetivo.

E a BNCC trabalha os elementos da subjetividade, uma vez que exige que o aluno seja estimulado a ter pensamento crítico. Na era das “fake News”, saber peneiras as informações é mais que essencial, e a escola tem papel no desenvolvimento dessa habilidade.

O paradigma da colaboração está quebrando o pensamento de competição no mundo profissional. E nas escolas a habilidade de cooperar também deve ser desenvolvida, afinal, como Thompson afirma, “a BNCC é a base de que ser humano queremos criar.”

O diretor do Singularidades critica o modelo de ensino atual como maçante e o compara com a revolução industrial em massa que foca no homem frenético pelo trabalho, quase um robô. “A aula de 50 minutos é a esteira da fábrica…O ensino precisa estar relacionado com a emoção do aluno, tem que fazê-lo ter vontade de aprender. O ensino é chato”, desabafa Thompson, que defende um aprendizado com significado e não somente jorrando informações.

O professor defende uma escola que desenvolva alunos pensadores, que tenham pensamento crítico. Thompson revela que a Base tem influência do mundo corporativo e que há movimentos intelectuais contra o documento. As competências gerais surgem, por exemplo, para atender a demanda do mercado profissional que está mudando e precisa de uma sociedade apta.

Uma das transformações que a BNCC traz, segundo Miguel, é que antes dessas diretrizes havia uma expectativa de aprendizagem e agora há o direito de aprendizagem.

Thompson enxergas pontos positivos e negativos na Base e aconselha os educadores a sempre terem olhares críticos com as palavras que estão dentro do documentos.

Seminário

O encontro, voltado para professores de educação básica, ocorreu no Colégio Santa Maria, em São Paulo, no último sábado, 24, e foi organizado pelo Prisma (Centro de Educação do Colégio Santa Maria) com apoio da Educação.

Além de Thompson, Ivan Siqueira, membro do Conselho Nacional de Educação também esteve presente.