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Bolsa permanência do ProUni atrasa até 4 meses

O atraso no repasse dos R$ 300 mensais acontece porque são feitos após todas as faculdades terminarem o vestibular, informou o Ministério da Educação ao O Estado de S. Paulo

Os universitários que conseguiram a bolsa permanência do Programa Universidade para Todos (ProUni) estão esperando até quatro meses para receber os R$ 300,00 mensais, revela o jornal O Estado de S. Paulo desta quarta-feira, dia 20. O primeiro pagamento deste ano aconteceu só na semana passada.

O Ministério da Educação informou à repórter Simone Iwasso que o atraso acontece porque os repasses são feitos após todas as faculdades terminarem o vestibular. Assim, diz o jornal, mesmo quem já cursa o 2º ano não recebe o benefício todo mês.

De acordo com a diretora da área responsável pelo pagamento das bolsas do ProUni, Paula Branco de Melo, os atrasos ocorrem por um problema no sistema e a situação deverá ser corrigida a partir do próximo semestre. “Estamos tentando ajustar o sistema para que possamos fazer esses pagamentos todos os meses, sem precisar esperar finalizar o vestibular e sem atrasos”, disse.

O ProUni dá bolsa integral para estudantes que possuam renda familia de até um salário mínimo e meio (R$ 697,50) e bolsa parcial de 50% para estudantes que possuam renda familiar de até três salários mínimos (R$ 1.395,00).

O benefício é concedido ao estudante na forma de desconto sobre os valores cobrados pelas instituições de ensino superior privadas. Em contrapartida, a instituição ganha isenção de alguns tributos.

Já a bolsa permanência só é concedida para o aluno que tem bolsa integral. Os R$ 300,00 ajudam os estudantes a terminem a faculdade.

O Estado de S. Paulo ouviu três universitários sobre o programa. Todos elogiam o ProUni, mas pedem mudanças, principalmente para se manter no curso.

Pâmella Aguiar, de 24 anos, é de São Paulo e cursa o 2º ano de Medicina na Univali, Itajaí (SC). Ela reconhece que dificilmente poderia sair de um Estado para outro e cursar Medicina sem a ajuda, mas reclamou dos atrasos. “Graças a Deus existe o ProUni, mas o programa precisa ser aperfeiçoado. O atraso acontece todo semestre. Fiquei duas semanas com R$ 1,79. Fica difícil tirar notas boas se, na hora de ir lá tirar xerox, você só tem dinheiro para metade das folhas”, afirmou.

Rone Carlos, de 22 anos, aluno do 2º ano de Medicina da Unipac, de Araguari, Minas Gerais, disse que o dinheiro é pouco, pois a renda da família não chega a dois salários mínimos pra sustentar quatro pessoas. “Minha família se mudou para cá, pois morando juntos as despesas são reduzidas. Mas passamos por vários apuros quando a bolsa atrasa que influenciam na nossa alimentação. Participar de congressos, comprar livros, copiar apostilas, bancar transporte e demais gastos é tudo lenda”, reclamou.

Para Gabriela Gaia, aluna do 3º ano de Medicina no interior de Minas, a bolsa permanência não é suficiente para ela permanecer no curso. “Propaganda sobre a inserção de alunos carentes pelo ProUni é muito bonita, e o programa de fato nos ajuda a ultrapassar a barreira mais difícil, que é a vaga numa universidade. Mas para permanecermos na faculdade precisamos de suporte”, afirmou ao jornal.

Leia a íntegra da reportagem de O Estado de S. Paulo

O ProUni

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