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Brasil cai no ranking mundial da educação

País perde quatro posições (76° para 80° entre 129 países) no monitoramento das metas globais da educação feito pela Unesco. Repetência é reduzida de 24% para 19%

O Brasil perdeu quatro posições (76° para 80° entre 129 países) no ranking de monitoramento das metas globais da educação feito pela Unesco, informam os jornais O Globo e Folha de S. Paulo. O relatório anual, que será divulgado nesta terça-feira dia 25, compara dados referentes a matrículas no ensino primário, analfabetismo de jovens e adultos, repetência e evasão e paridade entre gêneros no acesso à escola.

O melhor colocado é o Cazaquistão, com índice 0,995, na escala até 1, seguido por Japão, Alemanha e Noruega. O último é Chade, com 0,408.

Segundo a reportagem de Demétrio Weber, do diário carioca, o relatório destaca que o Brasil é a única nação da América Latina com mais de 500 mil crianças em idade escolar sem estudar. Em 2006, eram 600 mil.

O Brasil tem a segunda maior taxa de repetência latino-americana, com 18,7% na escola primária. A média na América Latina é de 6,4%. No mundo, 3%. Segundo reportagem de Antônio Gois e Fábio Takahashi, do jornal paulista, o Brasil conseguiu reduzir sua repetência de 24% para 19% entre 1999 e 2006.

O estudo da Unesco lembra que mais de 60% dos alunos brasileiros não conseguiram passar do nível básico de aprendizado na prova de ciências do Pisa (exame que compara os estudantes em 57 países).

Aprendizado

Educadores e gestores ouvidos pela Folha dizem que mesmo com a alta repetência, o aprendizado não melhora. “Após ser reprovado, o aluno tem de refazer o mesmo ano, no mesmo formato. A chance de ele aprender é pequena”, diz o coordenador-geral da ONG Ação Educativa, Sérgio Haddad.

Para o professor da Faculdade de Educação da USP, Ocimar Munhoz Alavarse a taxa de reprovação é “alarmante”. “Com a repetência, a criança perde o convívio com os colegas e fica com a pecha de repetente. Isso só prejudica”, afirma.

A professora da Faculdade de Educação da UnB, Regina Vinhaes Gracindo, que é do Conselho Nacional de Educação, acredita que a repetência cairá com melhores condições de trabalho para os professores. “Isso requer docentes bem remunerados e melhores condições materiais”, disse.

A secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar, reconhece que a taxa de repetência ainda é alta e acredita que a situação melhorará por causa do Ideb, o índice criado pelo governo que mede os exames da Prova Brasil e as taxas de aprovação. “O MEC provocou a reflexão na rede, de conjugar aprendizagem com fluxo interessante”, afirmou.

Metas cumpridas

A matéria do jornal carioca informa ainda que o Brasil conseguirá cumprir a meta de universalização do ensino primário, reduzindo para 200 mil o número de crianças fora da escola em 2015. A Unesco alerta que no atual ritmo o mundo não atingirá os objetivos de oferta e melhoria do ensino para 2015: pelo menos 29 milhões de crianças continuarão fora da escola primária (eram 75 milhões em 2006) e 700 milhões de jovens e adultos permanecerão analfabetos (eram 776 milhões).

A Unesco quer que os países ricos doem US$ 7 bilhões por ano às nações pobres para acelerar o ritmo. “Se persistirem as atuais tendências, o objetivo de universalizar o ensino primário não será alcançado até 2015”, escreveu o diretor-geral da Unesco, Koichira Matsuura, na abertura do Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos (EPT) 2009. “Os países em desenvolvimento não investem suficientemente na educação básica e os doadores não cumprem seus compromissos.” O tema do relatório deste ano é “Superando a desigualdade: por que a governança é importante”.

O ranking é elaborado com base no Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos. Mesmo mantendo o mesmo índice da edição anterior (0,901), o Brasil caiu porque foi ultrapassado por três países e perdeu outras cinco posições por causa da substituição de nações listadas.

O relatório da Unesco elogia o Brasil ao citar o programa Bolsa Família e o Fundef como exemplos de solução para reduzir a desigualdade.

Leia a íntegra do relatório (em inglês e em pdf)

A matéria de O Globo

A reportagem da Folha de S. Paulo

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