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Brasil envia delegação recorde para Olimpíada Internacional de Matemática na Ásia

Muito se fala que os alunos brasileiros não gostam de Matemática e tem dificuldades com a disciplina. No entanto, a iniciativa de uma instituição de intercâmbio científico juvenil prova que esta percepção está mudando: o Brasil está enviando uma delegação recorde de 225 alunos para participarem da Olimpíada Internacional de Matemática da Ásia (AIMO, sigla em inglês), em Bangcoc, na Tailândia, de 2 a 6 de agosto.

São 138 alunos de escolas públicas e 87 de colégios particulares, que cursam desde o Fundamental 1 ao Ensino Médio. Acompanham a delegação 63 pessoas, entre professores e diretores das escolas. Ao todo, colégios de 12 estados estão concorrendo. No caso das escolas públicas, há instituições estaduais, municipais, técnicas e federais, entre elas o tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Em 2017, primeiro ano que o Brasil participou da competição asiática, apenas 15 alunos compareceram. Outro detalhe importante: como a prova é em inglês, o aluno precisa ter proficiência na língua. Além da avaliação de Matemática, os estudantes brasileiros participarão de uma intensa programação cultural, quando poderão interagir com os 2 mil alunos de 13 países que estarão na AIMO. Este ano ela será realizada na University of the Thai Chamber of Commerceem (UTCC), em Bangcoc.

A AIMO é uma iniciativa conjunta de três instituições asiáticas dedicadas ao estímulo do ensino da Matemática: Asian Mathematical Olympiad Union, China Education Research Association e Hong Kong Mathematical Olympiad Association. No Brasil, a AIMO tem um convênio exclusivo com a Rede do Programa de Olimpíadas do Conhecimento (Rede POC), uma instituição de intercâmbio científico juvenil que organiza competições, cursos e fóruns em mais de 20 países.

O diretor da Rede POC, Ozimar Pereira, destaca que estas competições “democratizam” o acesso dos estudantes brasileiros a estes eventos científicos internacionais. “Estas oportunidades ampliam o conhecimento dos alunos, dos professores e das escolas. Todos repensam seus métodos de ensino. As escolas passam a ter a uma postura mais internacional. Em um mundo globalizado, os jovens brasileiros precisam de uma visão mais ampla do conhecimento”, afirma.

Os brasileiros que irão competir na AIMO foram selecionados a partir da Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras (OIMSF), uma iniciativa da Académie de Strasbourg em conjunto com a Inspection Pédagogique Régionale de Mathématiques e o Institut de Recherche sur l’Enseignement des Mathématiques (IREM). No Brasil, ela é organizada com exclusividade pela Rede POC. Em 2017, mais de 300 mil estudantes de cinco países disputaram a OIMSF, sendo 70 mil brasileiros, número superior ao dos franceses.

A diretora do Colégio Pedro II, campus centro, no Rio de Janeiro, Ana Patrícia Trajano, explica que decidiu participar da AIMO após a boa experiência com a Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras. “Os alunos ficaram apaixonados e muito entusiasmados com as olimpíadas. Nós precisamos desmistificar a história que a Matemática é um bicho-papão. E estas competições ajudam muito os alunos a mudar esta visão”, diz. O Pedro II enviará 20 alunos de três campus para a AIMO.

Para o professor Dario Soares, diretor de pesquisa e extensão do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, a participação dos 15 alunos da instituição na AIMO “é uma consequência dos bons frutos alcançados por estudantes na Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras, quando obtiveram medalhas de ouro e bronze”. Segundo ele, a matemática é base para muitas outras disciplinas, porém ainda é “vista como um componente curricular de grande complexidade”. “Entendemos que metodologias diferenciadas aplicadas no ensino da Matemática poderão estimular o aprendizado e ampliar os conhecimentos a partir de práticas experimentais, gamificação, promoção de feiras e festivais da Matemática”, afirma.

Já o professor Leonardo Sousa, coordenador de Olimpíadas do Colégio Paraíso, em Juazeiro do Norte, no Ceará, relata que a escola sempre procura “estimular e preparar os alunos para participação nas olimpíadas científicas”. Na opinião dele, para melhorar o ensino de matemática no Brasil é imprescindível mostrar a importância e aplicação da matemática no dia a dia. “O papel do professor é essencial para que os alunos se interessem mais pela disciplina, aproximando o conteúdo da realidade dos estudantes”, diz. O Colégio Paraíso seleciou três alunos para a viagem para a Tailândia.

Na visão da coordenadora da escola Alef Peretz, em São Paulo, Aline Leite, “as olimpíadas permitem aos alunos uma relação com o conhecimento que transcende o vínculo com o conteúdo, favorecendo novos modos de vivenciá-lo e atingindo outros alunos, expandindo esta experiência para a escola como um todo”. A escola selecionou 14 estudantes para a competição na Ásia.

Ozimar Pereira ressalta que, além dos resultados, a experiência internacional e cultural é muito importante. “Nossa expectativa é que os alunos brasileiros tenham a melhor experiência possível e tragam isto para suas realidades, para suas vidas”, afirma.

Realizada desde 2012, a AIMO conta com a participação anual de mais de 2 mil estudantes de 13 países: Brasil, Bulgária, Casaquistão, China, Cingapura, Coreia do Sul, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Macau, Malásia, Myanmar e Taiwan.

A Rede POC foi criada em 2000 com a missão de promover a excelência na educação através do estímulo ao interesse pela Ciência, Tecnologia e Inovação. Atualmente, ela participa de eventos científicos e acadêmicos na África do Sul, Argentina, Alemanha, Austrália, Bulgária, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Coreia do Sul, Costa Rica, Eslováquia, Índia, Indonésia, Itália, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Rússia, Suíça e Suécia.

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