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Brasil está longe de cumprir metas mínimas de educação de qualidade

País está entre os 53 países que estão longe de atingir as metas da Educação para Todos até 2015, prazo acordado por 164 países na Conferência Mundial de Educação, em 2000

 

Divulgação

 Desigualdade educacional entre ricos e pobres ainda é muito grandeDesigualdade educacional entre ricos e pobres ainda é muito grande

A educação do Brasil ocupa o 79° lugar entre 129 países avaliados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Segundo o Relatório Global de 2008, divulgado no último dia 30 de abril, o Brasil está entre os 53 países que estão longe de atingir as metas da Educação para Todos até 2015, prazo acordado por 164 países na Conferência Mundial de Educação em Dacar, Senegal, em 2000.

 

O combate ao analfabetismo, a paridade de gênero – o Brasil tem mais meninas do que meninos na escola –, a educação infantil e a qualidade da educação fazem parte das metas nas quais o Brasil está mais atrasado. Também estão entre os desafios as grandes desigualdades educacionais entre ricos e pobres, brancos e negros e entre as regiões do País. Este ano, pela primeira vez, a Unesco produziu um relatório específico com dados sobre o Brasil, comparando os anos de 1999 e 2006.

“As maiores desigualdades na freqüência à escola na idade apropriada são encontradas quando se confrontam os segmentos populacionais mais pobres e mais ricos”, diz o estudo. Segundo o estudo, entre os jovens mais pobres, 25% estão na escola, contra 50% dos jovens mais ricos; entre os mais pobres, menos de 1% encontra-se no ensino superior, taxa que sobe para 40% entre os mais ricos.

A situação é grave na análise das crianças de até três anos: em 2006, apenas 13% tinham acesso ao ensino, uma pequena melhora sobre o índice de 9,2% registrado em 1999. Na comparação entre ricos e pobres a desigualdade é muito grande: do segmento 20% mais pobre, apenas 9,7% estavam em creches; entre os 20% mais ricos, essa taxa era de 29,6%.

Entre as crianças brasileiras de 4 a 6 anos, o documento revela que houve crescimento no acesso ao ensino na comparação com 1999, quando a taxa de freqüência era de 60,2%, passando para 72,7% em 2006.

Em relação à cor, no acesso na idade correta ao ensino médio e superior, observou-se alguma melhora, sendo reduzida em 20,9 pontos percentuais a distância que separa a taxa dos brancos da alcançada pelos negros.

Durante a apresentação do relatório, o representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny, destacou que os dados serão utilizados para aprofundar a discussão sobre a educação no País. “O trabalho da Unesco não se encerra com a entrega dessa publicação. Vamos aprofundar uma discussão técnica sobre os resultados do Relatório Brasil com vários segmentos educacionais”, disse.

Defourny entregou o relatório para o ministro da educação, Fernando Haddad, para a vice-presidente da União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Suely Duque, e para a secretária-executiva do Consed, Wanessa Zavarese Sechim.

Para que o Brasil consiga atingir as metas de Dacar, Vicent Defourny sugeriu que o Ministério da Educação realize reuniões técnicas junto a Unesco, ao Consed e a Undime para fortalecer o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e adotar outras diferentes iniciativas.

O ministro da Educação disse que o relatório demonstra que o Brasil tem que enfrentar a desigualdade num ritmo mais acelerado. “Para se ter uma idéia, no Brasil, o investimento por aluno na região Nordeste é metade do que é investido na região Sudeste”, disse.

Para Haddad, Brasil saiu muito atrasado no debate sobre educação, mas tem condições de atingir as metas de Dacar. “A agenda da educação é urgente e precisa do envolvimento da sociedade. Antes andávamos numa avenida esburacada, mas agora já está pavimentada e há muito que se fazer”, disse.

O lançamento do Relatório Global de 2008 faz parte das atividades da Semana de Ação Mundial, celebrada em abril, e que este ano teve como tema “Educação de Qualidade para Todos: Fim da Exclusão Já!”.

As seis metas que os países se comprometeram a atingir até 2015:

1) expandir e melhorar a educação e cuidados na primeira infância;

2) assegurar o acesso de todas as crianças em idade escolar à educação primária completa, gratuita e de boa qualidade;

3) ampliar as oportunidades de aprendizado dos jovens e adultos;

4) melhorar em 50% as taxas de alfabetização de adultos;

5) eliminar as disparidades entre gêneros na educação;

6) melhorar todos os aspectos da qualidade da educação.

A íntegra do Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos Brasil 2008

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