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Brasil gasta R$ 10,6 bilhões com reprovação de alunos

Uma pesquisa do jornal Correio Braziliense usa dados de 2005, como investimento por aluno de R$ 1,5 mil e a reprovação de 7 milhões de estudantes na educação básica da rede pública

Um levantamento feito pelo jornal Correio Braziliense revela que o Brasil gasta R$ 10,6 bilhões por ano com a reprovação de alunos da educação básica da rede pública. Segundo a reportagem de Paloma Oliveto, o cálculo foi feito a partir das últimas estatísticas do Inep. Em 2005, os investimentos por aluno na educação básica ficaram em torno de R$ 1,5 mil. Como mais de 7 milhões de estudantes foram reprovados, o país gastou os mesmos R$ 10,6 bilhões no ano seguinte.

O jornal diz que o problema da repetência é mais grave na rede pública, que matricula 90% dos estudantes brasileiros. O Índice do Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2007 mostra que a taxa de aprovação dos alunos da rede pública da 1ª à 4ª séries variou de 78,1% (2ª série) a 83,4% (4ª série). Nas escolas particulares, a variação ficou entre 96,5% (1ª série) e 97,4% (2ª série). Nas demais etapas de ensino, a diferença se manteve.

O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Augusto de Medeiros disse ao jornal que a escola pública não foi preparada para receber os estudantes que estavam excluídos do sistema educacional até poucos anos atrás. “Na origem, a escola destinava-se aos que podiam freqüentá-la e que possuíam suas questões básicas de sobrevivência resolvidas. Com a sociedade de massa, a escolarização assumiu outro caráter. Para que serve a escola do filho da classe trabalhadora? Deverá ser diferente da escola para o filho da elite? É possível que seja a mesma e com as mesmas finalidades?”, questionou.

Ele destacou que a Constituição 1988 garante padrões mínimos de qualidade para o ensino gratuito, mas a realidade é bem diferente. “Assegurados o direito, e a permanência, dos menos favorecidos à educação, é preciso refletir sobre o que está sendo ensinado e aprendido na escola. Pouco se avançou sobre o estabelecimento desses padrões”, afirmou.

Para a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar, o Brasil ainda tem uma sociedade de exclusão. “Essa mentalidade gerou 40 milhões de adultos sem a 4ª série. A questão não é aprovar ou reprovar. O desafio é garantir uma escola na qual todos fiquem e aprendam”, disse ela jornal.

O Correio Braziliense relata ainda que a aprovação automática, sistema no qual o aluno passa de ano mesmo sem ter aprendido tudo, é apontada como uma das soluções para a repetência.

Na opinião do presidente do movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos, a aprovação automática precisa ser feita com acompanhamento individual do aluno. “A progressão continuada só dá certo se o aluno tiver apoio. É um modelo que pressupõe acompanhamento individual, que permita fazer a recuperação no contra-turno escolar”, afirmou.

A secretária de Educação Básica do Ministério da Educação acredita que a redução da repetência está ligada à melhoria da formação dos docentes. “O professor tem que ter uma boa formação para saber o que fazer do ponto de vista pedagógico”, afirmou.

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