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Brasil investe pouco no aluno da educação básica e paga mal os professores, diz OCDE

O Brasil investe muito pouco dos alunos da educação básica e paga muito mal os professores. A constatação, mais uma vez, está no novo relatório Education at a Glance 2017 (Um Olhar sobre a Educação), que compara a educação de 45 países, realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“O governo brasileiro investe 0,6% de seu produto interno bruto (PIB) na educação básica (a média da OCDE é 0,8%) e as instituições públicas investem U$ 3,8 mil anuais por criança (a média da OCDE é US$ 8,7 mil)”, aponta o estudo, divulgado nesta terça-feira, dia 12.

O relatório mostra que os índices mais baixos de investimento em educação ocorrem, sobretudo, por causa dos baixos salários dos professores e pelo fato de haver um menor número de professores por aluno – são 14 crianças, contra 8 na média da OCDE.

A OCDE diz que o salário inicial do professor no Brasil é de US$ 13 mil anuais para o ensino básico, bem abaixo das médias da OCDE, que são todos acima de US$ 30 mil.

O relatório destaque que o professo brasileiro ainda ganha bem menos na comparação com outras profissões que exigem uma formação integral. “Os salários dos professores são baixos em comparação com outros trabalhadores de tempo integral com educação similar. Esse é um grande obstáculo para atrair jovens para o ensino. Embora os salários aumentem de acordo com o nível de educação prestado, eles ainda estão entre 78% e 94% dos salários dos trabalhadores com formação universitária em tempo integral”, relata o texto.

Brasil básico

Entre os 45 países analisados no estudo (35 são desenvolvidos e outros 10 são convidados), apenas seis investem menos com alunos do ensino básico do que o Brasil, entre eles a Argentina (U$ 3,4 mil), o México (US$ 2,9 mil) e a Colômbia (U$ 2,5 mil). A Indonésia é o país lanterna, com investimentos de apenas US$ 1,5 mil. Luxemburgo é o líder da lista, com US$ 21 mil.

O investimento médio nos países da OCDE nos últimos anos do ensino fundamental e no médio é de US$ 10,5 mil por aluno, o que representa 176% a mais do que o Brasil.

Ensino superior

A reportagem de Daniela Fernandes, da BBC Brasil, sobre o estudo destaca que no caso do ensino superior o Brasil tem um investimento mais próximo dos países ricos: US$ 11,7 mil, contra US$ 16,1 mil na média dos demais países.

O trabalho da OCDE afirma que Portugal investe US$ 11,8 mil), Estônia (US$ 12,3 mil), Espanha (US$ 12,5 mil), Itália (US$ 11,5 mil), República Checa (US$ 10,5 mil) e  Polônia (U$ 9,7 mil).

Em média, os membros da OCDE gastam quase a metade a mais por estudante do ensino universitário do que com os do ensino básico, “enquanto Brasil e México gastam três vezes mais”.

Diferença

Esta diferença explica o investimento total do Brasil em educação. A OCDE destaca que houve aumento dos investimentos públicos em educação no Brasil: 4,9% do PIB. A média dos países da OCDE é de 5,2% do PIB.

Apesar da pequena melhora no nível de investimentos em educação, o Brasil continua entre os últimos do ranking dos testes de avaliação do PISA, também realizado pela organização dos países ricos.

Na avaliação da OCDE, houve maior acesso à educação no país, com a inclusão de alunos mais pobres e também com atrasos de aprendizagem, o que empurra o desempenho geral dos brasileiros para baixo, diz a agência de notícias da Grã-Bretanha.

Avanços

O relatório mostra alguns avanços, diz a reportagem de Luiz Fernando Toledo, de O Estado de S. Paulo. Entre os adultos de 25 e 34 anos, o percentual de alunos que completou o ensino médio subiu de 53% em 2010 para 64% em 2015.

O Education at a Glance 2017 ressalta, no entanto, que apenas 53% dos alunos de 15 anos estão matriculados no ensino médio. Na média dos países da OCDE, pelo menos 90% dos alunos entre 15 e 17 estão no ensino médio.

Na pré-escola, 37% das crianças brasileiras de 2 anos e 60% das de 3 anos estão na escola, contra 39% e 78%, respectivamente, dos países mais ricos.

No Brasil, uma emenda constitucional de 2009, deu prazo para que até 2016 fosse garantida a matrícula escolar a todos os brasileiros com idade entre 4 e 17 anos. De acordo com a pesquisa, em 2015, 79% das crianças de 4 anos estavam na escola, menos do que 87% da média da OCDE.

 

 

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