Brasil precisa investir mais para colocar todos na escola, diz Unicef - CGC Comunicação em Educação
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Brasil precisa investir mais para colocar todos na escola, diz Unicef

Cerca de 3,7 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos não estão no sistema de ensino
Para cumprir a emenda constitucional que prevê a matricula na escola de todas as crianças e jovens de 4 a 17 anos, até 2016, o Brasil precisa aprovar o Plano Nacional de Educação com o investimento de 10% do PIB até 2022. A constatação é do relatório Todas as Crianças na Escola em 2015 – Iniciativa Global pelas Crianças Fora da Escola, publicado nesta sexta-feira, dia 31, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em parceria com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Hoje, a lei estipula a escola apenas para população de 7 a 14 anos.

Segundo o estudo, há 1.419.981 crianças entre 4 e 5 anos que não estão matriculadas no sistema de ensino. Entre os jovens de 15 e 17 anos, 1.539.811 estão fora da escola. No total, cerca de 3,7 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos estão fora da escola no Brasil. A maior defasagem é na pré-escola e no ensino médio, já que entre os brasileiros de 6 e 14 anos o grupo que não frequenta a escola é de 730 mil.

Para incluir toda a população de crianças e jovens ainda fora da escola, o estudo aponta como uma das medidas necessárias a ampliação dos recursos para a área. A Agência Brasil informa que o Unicef apoia a meta de investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, prevista no Plano Nacional de Educação (PNE) que está em debate no Congresso Nacional.

“A gente discorda de quem acha que o problema da educação no Brasil não é dinheiro, mas gestão. Nós temos problemas sérios de gestão, mas só com os recursos que temos hoje não conseguimos fazer tudo que é necessário: incluir todos na escola, ter qualidade, professor bem remunerado e capacitado, escola com boa infraestrutura. O desafio é enorme”, argumenta a coordenadora do Programa de Educação do Unicef no Brasil, Maria de Salete Silva.

A representante do Unicef ressalta que o maior desafio está “na outra ponta” da educação básica, o ensino médio. Nesse caso, os problemas de frequência não estão tão relacionados à falta de vagas, mas ao desinteresse dos jovens. “Isso requer uma mudança muito grande no ensino médio. Estamos com a maior população de adolescentes da história do Brasil, a gente não pode perder isso e esperar para resolver na próxima geração porque está condenando o país a ter milhões de adultos sem formação escolar”, avalia Salete.

Segundo ela, é necessário tornar a escola atrativa para a realidade dos jovens. “Você precisa trazer o aluno e incorporar na escola aquilo que é parte do projeto de vida deles. A escola está longe da vida dos adolescentes”, aponta.

O relatório Todas as Crianças na Escola em 2015 – Iniciativa Global pelas Crianças Fora da Escola alerta também para a persistência do trabalho infantil. De acordo com o levantamento, 638 mil crianças entre 5 e 14 anos estão nessa situação, apesar de a legislação brasileira proibir o trabalho para menores de 16 anos.

O trabalho comprova que a renda é um dos principais fatores que influenciam o acesso à educação. Mais de 40% das crianças de 6 a 10 anos, de famílias com renda familiar per capita até um quarto de salário mínimo, trabalham. Esse percentual cai para 1,2% no grupo de famílias com renda superior a dois salários mínimos por pessoa. Do total de crianças de 5 a 14 anos que trabalham, 93% estudam.

Estudos mostram que os índices de trabalho infantil caíram nas últimas décadas, mas ficaram estagnados nos últimos cinco anos. O levantamento do Unicef inclui tanto crianças e jovens que desenvolvem atividades econômicas, quanto aqueles que se ocupam de serviços domésticos com duração superior a 28 horas semanais.

A coordenadora do Programa de Educação do Unicef no Brasil acredita que o momento econômico que o Brasil vive tem feito crescer o número de meninos e meninas responsáveis pelas tarefas do lar. “Quando temos uma situação de oferta de emprego grande, isso pode acarretar aumento do trabalho infantil doméstico para as meninas, que substituem a mãe que foi para o mercado de trabalho. Essas meninas ficam com a responsabilidade de cuidar dos irmãos, lavar louça, arrumar a casa”, explica Salete.

Para a representante do Unicef, uma das principais barreiras para superar essas práticas é cultural. Em muitas famílias, o trabalho desde a infância é considerado normal e importante para o desenvolvimento.

Além das tarefas do lar, o trabalho infantil também está muito presente na zona rural, onde logo cedo jovens ajudam a família no trabalho do campo. “O trabalho agora é localizar essas famílias e entender o que leva aquela criança a trabalhar e o que pode ser feito para convencer a família de que aquele trabalho não é adequado”, aponta Salete.the freight companyвладимир мунтян исцелениеbest casino free slots