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Brasil tem a quinta maior taxa de repetência entre os paises avaliados pelo Pisa

Dados mostram que, na média, 37,4% dos estudantes brasileiros já ficaram retidos em alguma etapa do ensino básico
A repetência na escola é uma das questões mais complexas no mundo da educação. Além de envolver a efetiva aprendizagem e a autoestima dos alunos, há também o lado econômico. Dados do Pisa de 2012 mostram que, na média, 37,4% dos estudantes brasileiros já ficaram retidos em alguma etapa do ensino básico – há Estados com 50% de alunos reprovados. O Brasil tem a quinta maior taxa de repetência entre os 65 países avaliados no programa da OCDE. Mas afinal, qual é o verdadeiro impacto financeiro da repetência no orçamento público?

Um dos estudos mais recentes e completos sobre o tema foi aprovado no II Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Financiamento da Educação (FINEDUCA), realizado agora em maio, no Paraná. O “Ensaio sobre o custo da repetência no Fundeb no estado do Maranhão”, do pesquisador João Bacchetto, do Instituto de Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), dá a dimensão desta verdadeira tragédia na educação: R$ 375 milhões foram gastos com alunos que repetiram em 2012, o que representa cerca de 8,46% do recebido pelo Maranhão para o Fundeb. Ao todo, 158.765 estudantes repetiram de ano.

O trabalho de Bacchetto ressalta a importância de se criar uma metodologia de distribuição de recursos que leve em consideração a questão, já que os municípios ou Estados onde há mais repetência recebem mais recursos do Fundeb, enquanto aqueles que aprovam mais estudantes tem financiamento reduzido.

O pesquisador destaca que o estudo não reflete a opinião do Inep e nem estabelece fatores positivos ou negativos que a repetência tem sobre o aluno. “O que se pretende é criar uma dimensionalidade financeira desta, para que seja proporcionado o debate sobre o seu financiamento”, escreve.

O ensaio usou os dados oficiais do custo aluno do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia do Ministério da Educação responsável pela execução financeira dos projetos. Foram considerados apenas os custos do ensino regular nos níveis fundamental e médio das escolas rurais e urbanas, não foram consideradas as escolas particulares e federais que não recebem recursos do fundo.

Ao todo, o Maranhão registrou 1.990.652 matrículas, com recursos de R$ 4.438.336.437,18 do Fundeb. O trabalho destaca que boa parte do dinheiro é da complementação recebida pela União. Para calcular a repetência, Bacchetto utilizou os dados do Censo Escolar com informações fornecidas pelo próprio estudante no Pisa.

Segundo ele, pelos dados do Pisa 2012 foi possível “observar que em muitos estados (Alagoas, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Sergipe) mais de 50% da população masculina matriculadas em escolas urbanas haviam registrado a repetências em seus históricos escolares”.

De acordo com o trabalho do pesquisador do Inep, o Pisa e o Censo mostram “o quanto a repetência ainda é um constante na vida dos estudantes, desfazendo-se o mito de que houve uma redução drástica desta”. Bacchetto reconhece que dados do Pisa ainda são insuficientes para o cálculo do custo da repetência, já que a idade do aluno é na faixa de 15 anos e muitos ainda estão sujeitos a repetência em seu futuro escolar.

No cálculo de repetentes, o ensaio desconsiderou algumas variáveis que poderiam alterar o resultado, como alunos especiais (eles recebem mais recursos), EJA, ensino multietapa, entre outras. Assim fechou-se um total de 158.765 repetências entre a passagem do ano letivo de 2012 para o ano de 2013, a um custo de R$ 375 milhões.

Segundo Bacchetto, “esses valores e quantidades não são irrisórios para a realidade educacional brasileira, se considerarmos o total do Fundeb de quase 100 bilhões de reais”. O pesquisador, que agora está ampliando o estudo para todo o Brasil, estima que “o custo da repetência no Brasil mora na casa dos bilhões de reais”.

João Bacchetto sugere aos gestores do Fundeb “um olhar mais atento para estes valores” e alerta que “é preciso tomar cuidados para não se cair em processos que levem a mera punição ou premiação”. Ele encerra seu estudo com um registro: “se canalizássemos parte dos bilhões de reais gastos na repetência para a melhoria da própria educação o Brasil talvez conseguisse dar um grande passo”. (Fábio Galvão, CGC Educação)взломанный бой с тенью на андроид6 directum 7 dis системы 8 docsvisionмедицинская справка формы