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Brasileiro está dividido sobre melhora na educação

Estudo do governo federal revela, no entanto, que os avanços percebidos se situam num sistema educacional que está num patamar ainda baixo em termos de qualidade
O brasileiro está dividido na percepção sobre a educação no Brasil. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta segunda-feira, dia 28, mostra que 51,3% dos brasileiros consideram que a educação não melhorou.

A pesquisa, que não estabelece um período de comparação, revela também o desconhecimento da população sobre programas importantes para a garantia da permanência dos alunos na sala de aula.

O Ipea, ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal, constata ainda grandes disparidades de opinião de acordo com a escolaridade a e renda e entre as regiões.

Foram ouvidas 2.773 pessoas nas suas residências, em todo o Brasil, no período de 3 a 19 de novembro de 2010.

De acordo com a pesquisa, 27,3% dos entrevistados avaliam que não houve mudanças na qualidade do ensino e 24,2% acreditam que o sistema piorou.

Na opinião dos autores do estudo – Jorge Abrahão de Castro, Eduardo Luiz Zen, Paulo Corbucci e Luciana Mendes Santos Servo – os dados mostram que aqueles que percebem melhora na educação parecem acompanhar a evolução dos índices do IDEB e do Pisa, os exames da avaliação do Ministério da Educação e dos países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Entre as regiões, o Sudeste tem o maior percentual de avaliação negativa: 36,1% acreditam que a educação piorou, contra 14% no Nordeste. No Centro-Oeste, 62,9% acham que a qualidade melhorou.

De acordo com o Ipea, o maior índice de percepção de melhoria nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e no Norte, e o menor índice no Sul e no Sudeste “podem ser uma evidência de que foram ampliados os investimentos nas três primeiras regiões, já que é justamente lá onde se encontram os piores indicadores educacionais do país”.

A percepção sobre a qualidade da educação também varia de acordo com a renda e a escolaridade dos entrevistados. Para 35,4% dos que têm nível superior completo ou pós-graduação, a educação piorou. Para quem concluiu o ensino fundamental, 21,4% consideram que a qualidade da educação piorou.

Entre os que ganham de dez a 20 salários mínimos, 34,2% acreditam que o ensino está pior. Na população com renda mensal de até dois salários mínimos, 19,3% têm essa opinião.

Segundo o estudo, “o nível de conhecimento das mulheres sobre os temas avaliados foi aproximadamente 10 pontos percentuais maior que o verificado entre os homens”.

A pesquisa do Ipea mostra que 68% dos entrevistados não sabem da existência do Programa do Livro Didático. Já entre aqueles que conhecem o programa, a percepção é positiva: 67,4% das mulheres aprovam o conteúdo dos livros.

Já os conselhos escolares, responsáveis por acompanhar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da escola, são desconhecidos por 71% dos entrevistados. Já entre aqueles que conhecem os conselhos, 91% reconhecem que são importantes para a fiscalizar a escola.

Em relação à merenda, 68% conhecem os programas e a maioria aprova a qualidade a quantidade dos alimentos, embora nesta questão também exitem grandes disparidades entre regiões. Na média, 59,5% consideram a merenda boa, índice que pula para 75,8% no Sul, mas despenca para 38,6% no norte do País.

Sobre a quantidade de alimentos, 67,3% acham suficiente. Neste quesito, as diferenças regionais também aparecem: no Sul, 86,7% estão satisfeitos, enquanto no Nordeste este número desaba para 46,3%.

Nas conclusões do estudo, os técnicos do Ipea ressaltam que “que os avanços percebidos pela população se situam na percepção de melhoras num sistema educacional que está num patamar ainda baixo em termos de qualidade, quando posto em comparação com pesquisas de amplitude internacional”.

Leia a íntegra do estudo do Ipeaцерковьштатив для видеокамеры купитьдля автосервиса