by

Brasileiro está na final do prêmio de melhor professor do mundo

O professor de ciências Wemerson da Silva Nogueira, de 26 anos, está classificado entre os 10 finalistas do Global Teacher Prize, considerado o Nobel da Educação, informou a organização do prêmio na noite de terça-feira, dia 21.

Formado em ciências biológicas, Wemerson é professor da escola estadual Antônio dos Santos Neves, em Boa Esperança, cidade de 15 mil habitantes no noroeste do Espírito Santo, e também dá aulas em uma faculdade particular, informa o G1.

O resultado da premiação será divulgado no Global Education and Skills Forum 2017, em Dubai, dia 19 de março de 2017. O vencedor ganhará US$ 1 milhão.

Em 2014, Wemerson ficou em 2° lugar no prêmio Boas Práticas, na categoria Tecnologias na Sala de Aula, com o projeto “Karaoquímica Aprendendo Química com Arte de Cantar”, concedido pela Secretaria de Educação do Espírito Santo. No ano passado  Wemerson ganhou o Prêmio Educador Nota 10, uma iniciativa da fundação Victor Civita, com o projeto “Filtrando as lágrimas do Rio Doce”, que estudou os impactos do rompimento da barragem da empresa Samarco, em Mariana (MG)

Leia também: 

O projeto Filtrando as lágrimas do Rio Doce

Disseram que meus projetos não me levariam a lugar nenhum

O professor Wemer no Global Teacher Prize

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Wemerson conta como foi o projeto realizado em uma escola de Nova Venécia, sua terra natal, vizinha de Boa Esperança. “A comunidade é carente de tudo e muitos alunos faziam o tráfico de drogas nos arredores e nas dependências da escola. Comecei a motivá-los para a música, para o esporte e, por fim, envolvi os pais. Os alunos passaram a ter interesse pela escola e pelo contexto social”, disse.

Em um dos projetos, chamado ‘Karaoquímica’, os alunos cantavam as fórmulas. Em outra iniciativa, liberou o celular nas aulas e converteu os aparelhos em fonte de consulta. Também fez um trabalho de combate à violência, após saber que alunos sofriam violência em casa.

Já no projeto “Filtrando as Lágrimas do Rio Doce”, o professor levou os alunos até as margens do rio, contaminado pelos resíduos de mineração após o rompimento da barragem. Em classe, os alunos desenvolveram sistemas para tratar a água e devolver a potabilidade. “Distribuímos os filtros para a comunidade ribeirinha e os moradores puderam ter de volta água limpa em casa”, disse o professor.

Brasileiro honrado

Ao site de notícias do grupo Globo, Wemerson disse que está “muito honrado”. “Ficar entre os 10 melhores do mundo é uma alegria tão grande porque eu percebo que consegui dar valor a profissão que escolhi pra minha vida. Toda a trajetória que desenvolvi nesses cinco anos teve um significado, que agrega grandes valores para mim e para meus alunos. O valor monetário do prêmio tem peso, mas a indicação pelo reconhecimento do meu trabalho tem um valor que me fortalece”, disse.

“Nesse atual momento da educação, nós professores temos que inovar. A escola pública é um espaço de grande valor, dentro dela você encontrar as respostas para ser um cidadão global, para transformar o mundo. O professor tem que estar buscando isso nos alunos constantemente”, afirmou Wemerson.

Filho de um casal de agricultores que estudou até a 4ª série do ensino fundamental, Wemerson disse que a “educação foi a base de tudo”. “Educação foi a base de tudo, pois meus pais não têm muita formação, mas me falavam ‘ou você estuda, ou trabalha na roça’ e sempre me incentivaram”, relatou.

Ao jornal paulista, ele afirmou que tem sete irmãos, entre eles uma advogada, uma formada em radiologia e outra na área social. “Todos nós estudamos em escolas públicas, com muita dificuldade. Quando eu tinha 14 anos, vendia picolé na rua e guardava o dinheiro, pois sonhava fazer faculdade”, lembrou.

No entanto, não conseguiu entrar em uma universidade pública e decidiu fazer um curso a distância. “Sou formado num EAD (Ensino a Distância). Muitas pessoas torcem o nariz, mas foi o que consegui fazer. Com minhas economias, eu pagava R$ 190 de mensalidade”, disse.

Com apenas quatro meses de curso, ele se apresentou em uma escola que enfrentava falta de professores e começou a substituir os faltosos nas aulas. “O dinheiro da substituição me ajudou a terminar o curso de Ciências Biológicas”, recorda

Wemerson já sabe o que irá fazer caso vença prêmio. “A prioridade é construir um laboratório de Ciência e Tecnologia na minha cidade, aberta a todos. Sei da importância porque minha escola não tinha um microscópio para mostrar uma célula para os alunos.” Outra parte do dinheiro vai para uma instituição que incentive a formação de professores e o restante usará em sua formação. “Sonho em conhecer a realidade da educação em outros países, os mais avançados, como a Finlândia, e outros mais carentes. Isso pode me ajudar no trabalho no Brasil”, afirmou a O Estado de S. Paulo.

O Global Teacher Prize é concedido pela Varkey Foundation, de Londres. Os dez finalistas foram selecionados entre 20 mil indicações e inscrições de 179 países.

 

 

 

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterEmail this to someone