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Brincar também educa

estadao200715

 

 

Desde os anos 1940, pesquisas comprovam a importância das brincadeiras na formação das crianças, sob os aspectos cognitivos, emocionais, físicos, sociais e morais, relata reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta segunda-feira, dia 20. Especialistas ouvidos pelo repórter Paulo Saldaña advertem que muitos pais esquecem ou não valorizam os momentos de brincadeira.

Recentemente, a neurociência identificou a importância do brincar nas sinapses – ligação entre neurônios. “Os neurocientistas mostraram que os afetos positivos na interação da criança com o adulto geram sentimentos de segurança e prazer, fatores imprescindíveis para a saúde mental”, explica a educadora Adriana Friedmann, em um estudo encomendado pela empresa Bauducco para basear um movimento chamado Amigo ‘Q Divid’, inspirado em um biscoito feito para dividir com os colegas. Adriana afirma que os adultos “não tem realmente respeitado o ritmo das crianças; tudo precisa ter equilíbrio.”

A reportagem destaca algumas situações nas quais os pais ou professores não valorizam a brincadeira: quando o pai apressado ou o professor interrompe uma brincadeira de repente, desmontando uma linguagem que estava sendo construída. Ou o adulto que intervém enquanto a criança brinca sozinha.

A professora aposentada da Universidade de São Paulo (USP) Zilma Oliveira, explica que “os pais podem ser bons observadores das ações e interações infantis, sabedores que, ao brincar, a criança está talhando sua visão de mundo”.

Para ela, muitas vezes as escolas também falham. “Nas escolas, predomina a ideia do ensino centrado no professor e as brincadeiras livres costumam ser vistas como lazer, ignorando seu valor na promoção de importantes aprendizagens, ainda que fora do menu pedagógico”, disse a O Estado de S. Paulo.

A coordenadora pedagógica da escola Stance Dual, de São Paulo, Liliane Gomes, destaca ser necessário dialogar com os pais para que eles entendam a importância das atividades livres. Na escola, os alunos costumam ter três momentos ao longo do dia em que ficam livres. “Principalmente em relação às crianças de 5 anos, os pais ficam muito ansiosos de que eles estejam lendo e escrevendo. Precisamos de reuniões extras para que eles diminuam essa ansiedade”, explica Liliane. “Quando elas brincam, aprendem a resolver os problemas. E essa é a meta da vida.”

A pedagoga Paula Kesselman, coordenadora do espaço Mamusca, na zona oeste da capital paulista, onde pais levam seus filhos para brincar, conta que teve dificuldade no começo por causa dos pais. “Eles nos perguntavam: ‘Eles vão ficar soltos assim?'”

O jornal ouviu um pai que sempre brinca com o filho de 4 anos. O engenheiro João Arantes, de 50 anos, sabe a importância do brincar. “Em casa, a gente faz laboratório de desenho e de massinha. A gente se diverte muito”, afirmou o professor universitário. “Quero que ele tenha autonomia para decidir.”