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CEO de startup francesa de educação critica proibição do celular na França

Celular é bom na escola? Um dos responsáveis pela introdução das tecnologias digitais na educação pública da França, o professor Pascal Bringer, CEO da Maskott, startup francesa de tecnologia educacional que está chegando ao Brasil, não apoia a recente decisão do governo francês de proibir o uso de celulares nas escolas.

Pascal estará no Brasil agora em outubro para participar do Learning Management Experience 2018, evento que reunirá especialistas franceses, canadenses e brasileiros para debater e refletir sobre os processos e métodos de ensino e de aprendizagem no contexto das rápidas e disruptivas transformações geradas pelas novas tecnologias.

“Eu acredito que o celular é a interface digital que melhor entende os jovens e seria uma pena se privar da sua utilização para fins pedagógicos”, critica Bringer.

Professor de biologia durante quase 20 anos no ensino básico, ele foi nomeado pelo Ministério de Educação da França para integrar o Comitê Nacional para Inovação e Sucesso Escolar, em 2013. Atualmente ele participa do Plano de Digitalização para Educação junto ao governo francês, projeto que atinge mais de 37 mil instituições e 5 milhões de alunos.

“Há 4 anos, eu ainda era professor de Biologia. Na época, eu utilizava os celulares dos meus alunos para fazer fotos durante as atividades práticas ou para tomar nota de alguma coisa. Acredito muito na utilização dos celulares para a aprendizagem”, reforça.

A tecnologia na Base Curricular

Pascal Bringer elogia a inclusão da tecnologia na nova Base Nacional Comum Curricular do Brasil. “As novas tecnologias estão hoje presentes na maioria das profissões, então é importante formar nossos jovens para que eles utilizem essas soluções não somente como ferramenta lúdica, como redes sociais e jogos, mas também como o domínio da lógica da programação, na produção de textos, tabelas e muitas outras aplicações”, diz.

Para ele, a tecnologia também permite “personalizar o aprendizado propondo caminhos individualizados que vão otimizar a performance de cada um”.

Ensino à distância para os jovens

O CEO da Maskott também é um entusiasta do ensino à distância e diz ser favorável à proposta da reforma no Ensino Médio do Brasil que prevê este método de ensino. “A formação à distância pode trazer bons resultados se for associada com momentos presenciais”, ressalta.

Em sua opinião, o ensino à distância é útil para diversificar as disciplinas e atender um número muito maior de estudantes. “Ajuda a termos formações mais diversificadas direcionadas aos jovens, que não poderiam ser propostas em alguns lugares. E atender e solucionar alguns problemas relacionados ao número limitado de professores, ou locais que tenham pouca capacidade para receber muitos jovens”, argumenta.

Professor digital

Bringer não concorda com uma tese muito comum feita hoje no Brasil e em vários países, de que a escola é do século 19, o professor do século 20 e o aluno do século 21. “Desde que eu me interesso por esse tema, há 20 anos, eu escuto dizer que nós não avançamos e que os professores são resistentes às novas tecnologias. Porém, quando eu olho no retrovisor, no sistema francês, tudo mudou”, afirma.

Bringer recorda que quando estava no ensino médio, não havia nem aulas em vídeos e a tecnologia era o retroprojetor com slides. “Quando nós substituímos os correios pelo e-mail, foi como uma revolução, ninguém mais queria voltar atrás”, relembra. Ele prevê que a evolução vai transformar o professor num “coach que ensina a aprender, a tratar e a filtrar a informação e deixará de apenas transmitir a informação”.

Neste sentido, ele destaca a importância da formação digital do professor. “Pela minha vivência como professor de ciências, acho que as novas tecnologias não devem substituir os experimentos, mas sim enriquecê-los e potencializá-los”. Ele conta que na Maskott ele incentiva os chamados professores “alavancadores”. “Eles abrem as portas e treinam seus colegas. Esse processo pode ser acelerado formando regularmente os professores, preparando-os para as grandes transformações que ainda estão por vir”, afirma o CEO da Maskott.

No Brasil

A startup francesa Maskott, responsável pela implantação de soluções inteligentes para as escolas de educação básica da rede pública da França, chegou ao Brasil e para se aproximar do debate sobre educação no Brasil promoverá o Learning Management Experience 2018 (LEMA), dia 9 de outubro, das 8h30 às 17h30, no Teatro Aliança Francesa,  em São Paulo. O evento reunirá educadores especialistas do Brasil, França e Canadá para debaterem os rumos da educação no mundo, as novas metodologias e os benefícios gerados pelas ferramentas digitais. O evento é direcionado aos gestores, diretores de escola, executivos, professores, pesquisadores, pedagogos, e empreendedores do setor educacional.

Serviço

LEMA 2108 – Learning Management Experience

Dia: 9 de outubro, das 8h30 às 18h

Onde: Aliança Francesa, rua general Jardim, 182 – Vila Buarque, São Paulo

Maiores informações em

https://www.lemaedu.com.br/