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Cerca de 71% dos brasileiros desconhece os conselhos escolares

Pesquisa destaca que nas escolas onde o conselho escolar é atuante, a qualidade do ensino é melhor, relata o jornal A Gazeta do Povo

Criados para garantir uma gestão democrática e participação da comunidade na escola, os conselhos escolares são desconhecidos por 71% da população. O indicador é de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, publicada pelo jornal Gazeta do Povo, nesta terça-feira, dia 19.

A reportagem de Anna Simas destaca que a desinformação chega a 80% entre os pais com baixa escolaridade e mais de 55 anos. O Ipea ouviu 2.773 pessoas em todo o Brasil no final de 2010.

O professor Angelo Ri¬¬cardo Souza, do Núcleo de Políticas, Gestão e Financiamento da Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), enumera quatro causas para o resultado:

1) “A prática do conselho escolar tem 15 anos, o que é muito pouco tempo para termos uma atuação efetiva”.

2) “Não existe divulgação suficiente nem conscientização dos pais de que sua participação é fundamental para o andamento da escola”.

3) “O entendimento de que educação é papel exclusivo dos professores”.

4) “Falta de tempo dos pais”.

Pela lei, o conselho escolar tem a função de decidir sobre três aspectos: administrativo, financeiro e pedagógico. Deve ser composto por professores e pedagogos, funcionários, alunos com mais de 16 anos, pais e membros da comunidade. Cada gestão vale por três anos, podendo haver reeleição

Para o professor da UFPR, na prática os conselhos estão mais ligados ao trabalho administrativo e financeiro do que ao pedagógico, embora 94% das pessoas que disseram saber da existência do conselho afirmem que a função pedagógica é a mais importante.

Segundo a pesquisa, 91% das pessoas veem na fiscalização dos recursos financeiros o maior papel do conselho. “Como também faz parte do trabalho manejar os recursos, os conselheiros acabam se envolvendo com isso em primeiro plano e deixam de lado as discussões sobre o ensino”, disse Souza ao jornal paranaense.

A pesquisa indica ainda que 91% dos pais que procuram espontaneamente a escola para ajudar sabem da importância do conselho para a comunidade.

O Ipea destaca que nas escolas onde o conselho escolar é atuante, a qualidade do ensino é melhor. O jornal relata que a Secretaria de Educação do Paraná também identifica essa ligação, além da importância de a escola ter um diretor comprometido, uma proposta pedagógica eficiente e pouca rotatividade de professores.

A Gazeta do Povo relata o caso de duas escolas e ouve a opinião de dois pais-conselheiros.

A escola Ângelo Trevisan, no bairro Santa Felicidade, em Curitiba, está entre as três do Paraná que conseguiram nota 6 no Ideb na primeira etapa do ensino fundamental, meta prevista para 2021 pelo Ministério da Educação. A diretora do colégio, Antônia Maria Dezan Lobato, enfatiza a participação dos pais. “Sempre que precisamos, convocamos os conselheiros. Muitos deles, claro, têm suas atividades diárias, mas reservam uma parte do tempo para vir à escola”, disse.

Entre as conquista do conselho está a criação do ensino da língua italiana, que não é obrigatória nas escolas. “O conselho é uma ferramenta insubstituível, até porque o usamos para fazer o que muitas vezes o poder público deveria, mas não dá conta”, disse a diretora.

A conselheira e mãe Maria Aparecida Bacayoca de Ribeiro, faz parte do conselho há sete anos e disse: “passei a ver que a educação formal do filho também depende de mim”.

Na escola Algacyr Munhoz Mae¬¬der, a diretora Yasodara Collyer de Maga¬¬lhães conta que as últimas decisões do conselhor foram sobre a limpeza e pintura dos muros pichados, assim como questões sobre indisciplina. “Mes¬¬mo assim é muito difícil trazer a família para a escola. A única época do ano em que vejo os pais vindo aqui e realmente interessados é durante a rematrícula”, disse.

Ronaldo Gui¬¬lherme Tavares, músico, conselheiro e pais de dois filhos da escola Algacyr Munhoz Maeder, disse que sempre se dispôs a conhecer a escola dos filhos, até ser convidado pela diretora para integrar o conselho. “Vi no conselho a chance de levar as demandas da comunidade para a escola, mas também de ficar mais próximo da vida escolar dos meus filhos”, afirma.

Tavares participa do projeto Escola Aberta, que leva a comunidade a desenvolver atividades com os alunos nos fins de semana. Ele dá aulas de violão para os alunos. “A maioria dos pais que conheço não tem o menor interesse. A alegação é sempre a mesma: falta de tempo”.

A superintendente da Secretaria Estadual de Edu¬¬cação (Seed), Merougy Cavet, informou que para o primeiro semestre estão previstas ações para que a comunidade entenda a importância de participar da escola. “Hoje os boletins bimestrais são on-line, mas vamos voltar a fazer de papel, para que os pais se obriguem a ir até a instituição e a se integrar mais com o colégio”, afirmou.

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