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Cidade com ensino ruim tem docente mal preparado

Reportagem da Folha de S. Paulo usa como base os relatórios preenchidos pelas cidades com menor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. A infra-estrutura é o segundo problema mais citado

A formação de professores é a área mais crítica dos municípios com os piores indicadores educacionais do país, relata o jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira, dia 22. A reportagem de Angela Pinho usa como base os relatórios preenchidos pelas cidades com menor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador que mede a aprovação e as notas da Prova Brasil.

A infra-estrutura é o segundo problema mais citado; as salas de aula são descritas como “instalações inapropriadas para um ambiente de aprendizagem”. Das 19 cidades onde os relatórios foram preenchidos, em 2006 e 2007, não há quadras esportivas e laboratórios em 14 delas. Sete não tinham biblioteca.

O jornal descreve quatro casos: Araci (BA), com Ideb de 2; Paripueira (AL), com nota 1,9; Cachoeira do Piriá (PA), com 1,8; e João Dias (RN), com Ideb 1,7.

Na cidade baiana, há aulas em casas alugadas e uma delas é conhecida como “casa das cobras” porque os répteis vivem no forro da sala. A secretária de Educação, Dulcilene Mota, reclama da falta água, do transporte precário e diz que o principal problema é o professor. “Falta desejar fazer um trabalho diferente na sala de aula. Eles reclamam do salário, mas já recebem pelo que não dão”, disse ela ao jornal. O salário do do professor é de R$ 700 para a jornada de 25 horas.

O professor licenciado do município, Gisselmar Ferreira de Souza, formado em duas graduações, reconhece falhas, mas também culpa os gestores. Segundo ele, os concursos para professor não exigem nível superior. A secretária admite que os concursos são uma “tapeação” e afirma que não fez nenhum em sua gestão.

A professora Rosélia Barbosa, que leciona em Paripueira, diz que a cidade tem inúmeros problemas. “A evasão é fora do comum, por falta de transporte. Merenda não tem; material didático também não. Falta lâmpada na escola, faltava carteira. Não tem papel”, disse ela. A secretária de Educação de Paripueira, Edemara Oliveira Lara, acusa o prefeito de negligência. “Tenho tido muita dificuldade. Falei pra ele (prefeito): ‘Você é pessoa excelente, mas fora da prefeitura. Pior do que a incompetência é a negligência'”.

A única citação do jornal sobre o município de João Dias (RN) é relacionado ao acesso a Internet nas escolas. Ele só é concedido como um bônus para os alunos com boas notas.

No caso de Cachoeira do Piriá (PA), a reportagem ouviu o representante do prefeito, o advogado Guilherme de Almeida. Ele disse esperar que a reforma tributária garante mais verbas para as pequenas cidades.

A Folha de S. Paulo ouviu também a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Maria Auxiliadora Seabra, secretária da Educação de Tocantins. “Há falta de professor formado e muita gente formada de maneira inadequada. Os cursos ensinam muita teoria, mas preparam pouco para a sala de aula”, disse ela.

Leia a íntegra da reportagem da Folha de S. Paulo

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