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Cientista no Ensino Médio!

Cientista premiada pela FEBRACE- De olho nas dificuldades diárias de quem é alérgico, a estudante Lorena Dal Collina Sangiuliano, do ensino médio do Colégio Dante Alighieri, está  desenvolvendo um kit para identificar as pequenas quantidades de proteína de leite de vaca existentes nos alimentos. O projeto irá representar o Brasil na Intel International Science and Engineering Fair (Intel-ISEF), em Phoenix, nos Estados Unidos

Foi-se o tempo que alunos do ensino fundamental e médio passavam o dia na escola estudando a partir de aulas expositivas e livros didáticos. Não são poucas as escolas que introduziram em seus currículos o desenvolvimento de projeto de iniciação científica por alunos a partir do fundamental 2. No Colégio Dante Alighieri a opção em participar do projeto “Cientista Aprendiz” é optativa, mas a adesão entre os alunos é enorme e o reconhecimento dos projetos desenvolvidos pelos alunos extrapolam  fronteiras.

Projeto premiado

Lorena Sangiuliano, aluna do EM do Colégio Dante trabalhando em projeto de pré- iniciação científica

Vamos supor que você tenha alergia à proteína do leite de vaca. Como evitar esse tipo de consumo? Você pode responder: basta eliminar do cardápio os alimentos que contenham a tal proteína. Aparentemente simples. Daí, um dia, você aceita um suco de morango, feito com água e, mesmo assim, apresenta todos os sintomas da alergia após bebê-lo. E você vai se questionar: como isso aconteceu? É bastante provável que o liquidificador no qual o suco foi preparado já tenha tido contato com as proteínas do leite de vaca e elas lá permaneceram, mesmo depois de lavado o aparelho.

De olho nas dificuldades diárias de quem é alérgico, a estudante Lorena Dal Collina Sangiuliano, 17 anos, da 3ª série do Colégio Dante Alighieri, está no processo de desenvolvimento de um kit para identificar as pequenas quantidades de proteína de leite de vaca existentes nos alimentos. “Com ele, será possível reconhecer facilmente um antígeno encontrado em alimentos que podem causar uma reação alérgica em determinadas pessoas e evitar que elas sofram desse tipo de alergia”, conta Lorena.

A ideia da estudante surgiu no programa Cientista Aprendiz, em 2014, desenvolvido pelo Dante Alighieri desde 2006. Ela se interessou pelo programa porque pretende cursar medicina no futuro e viu a chance de se aproximar da área científica mesmo antes de ingressar na universidade. “Pesquisei sobre a alergia porque ela é pouco explorada. Há 15 anos, por exemplo, nem era considerada uma doença”, explica.

Nesse ano, Lorena apresentou seu trabalho na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Com cerca de 2100 projetos inscritos, 332 foram selecionados como finalistas, sendo dois projetos do Dante Alighieri – número máximo permitido por escola. De lá pra cá, muitos avaliadores (no caso da Lorena foram cerca de 20) (pesquisadores da área, doutores e mestres) avaliaram esses trabalhos e os premiaram de acordo com suas categorias.

O projeto “Identificando Antígenos do Leite nos Alimentos”, desenvolvido por Lorena, com orientação da professora Carolina Lavini Ramos, coorientação da professora Sandra Tonidandel e realizado em parceria com a Faculdade de Medicina da USP, foi premiado este mês na categoria de saúde e escolhido como um dos nove projetos a representar o Brasil na Intel International Science and Engineering Fair (Intel-ISEF), em Phoenix, nos Estados Unidos. “Há seis anos, nosso Colégio tem, pelo menos, um representante na delegação brasileira, o que é um orgulho para nossa história”, comentou Sandra, que também é coordenadora geral da escola.

Percurso científico

Lorena está radiante com o reconhecimento de seu trabalho, mas confessa que teve algumas dificuldades até chegar aqui. Encontrar uma parceria que financiasse seu projeto foi a primeira delas. “Fiz uma lista de quem poderia me ajudar, mas pouca gente dá bola para um projeto de pré-iniciação científica”, conta. “Até que Carolina, a minha orientadora, conseguiu apresentar o trabalho para o médico imunologista Jorge Kalil, que nos colocou em contato com as pesquisadoras Keity dos Santos e Karine De Amicis, ambas da Faculdade de Medicina da USP.”

Outra dificuldade foi criar a metodologia. “Eu e as pesquisadoras – bióloga e biomédica –  do laboratório no qual trabalhei elegemos a aglutinação, que tem simples visualização”, diz. “O problema é que necessitávamos de um reagente que se aglutinaria nos alimentos. Chegamos ao látex, mas precisávamos de quem o produzisse e, por isso, buscamos uma nova parceria.” Mesmo depois de obter os primeiros dados animadores, a aluna está ciente que o processo de produção do kit envolve diversos passos e que novas padronizações de testes são necessárias para garantir a eficiência do futuro produto.

A postura de jovem cientista foi sendo conquistada aos poucos por Lorena. No dia da apresentação da Febrace, apesar de um pouco insegura por nunca ter participado de uma experiência como aquela, sabia que havia se preparado e confiava nisso. “Lembro que precisei citar as fontes consultadas durante a pesquisa e dizer o quanto o projeto era inovador”, diz. A premiação e a possibilidade de apresentar seu projeto em uma feira internacional foram recebidas com certa surpresa. “Como eu nunca tinha participado da feira, imaginava que seria apenas uma boa experiência, mas que não levaria o prêmio.”

Agora, Lorena se prepara para mostrar seu trabalho no exterior. Ela acredita que essa oportunidade abre portas para seu futuro. “Mesmo depois de formada em medicina, tenho planos de seguir pesquisando. Mostrar que eu já sei fazer um plano de pesquisa, estruturar um relatório, escrever um artigo e que também trabalhar em laboratório pode me colocar um passo à frente.” E Lorena já planeja o tema do próximo projeto no programa Cientista Aprendiz: Esclerose Lateral Amiotrófica. Saiba mais http://www.colegiodante.com.br/projeto-do-dante-e-premiado-na-febrace-e-escolhido-como-representante-em-feira-internacional/