Na próxima segunda-feira, 2 de abril, o governo inicia o
Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) em 690 municípios do
estado de São Paulo com a intenção de diagnosticar o estado
nutricional dos estudantes do ensino fundamental da rede estadual de
ensino. Serão realizadas pesquisas com alunos, professores,
diretores, membros de Conselho de Alimentação Escolar e merendeiras,
dando mostras que a questão da alimentação saudável é um espetáculo
que não sairá mais de cartaz. Na rede privada de ensino, muito já se
faz a respeito. Algumas instituições são pioneiras, outras nem
tanto. Mas o que importa é que educação alimentar está na agenda
escolar e daí não sai. Mesmo porque o tema virou lei desde o ano
passado, por meio de portaria interministerial.
Na Escola Carlitos, em Higienópolis, a educação alimentar é
prioridade dentro e fora da sala de aula e começa já nos primeiros
anos da vida escolar. Várias são as ações que têm como tema
principal a alimentação saudável.
A
Carlitos oferece almoço para alunos que ficam em período integral
duas vezes por semana e, desde o ano passado, as refeições são
preparadas na própria escola. Com um cardápio rígido, a
nutricionista responsável, Adriana Martins de Lima, sentiu a
necessidade de mostrar aos alunos que almoçam no colégio, por que
não se pode comer batata frita e hambúrguer todos os dias. "Eles
costumam reclamar um pouco no começo, mas esse é nosso desafio.
Ensinar a eles a razão de termos a combinação de determinados
alimentos para se chegar a uma alimentação saudável", explica. A
nutricionista realiza diversas atividades práticas no intervalo
entre o almoço e o retorno às aulas da tarde, com alunos do 2o ao 5o
ano. Uma delas é a apresentação de uma série de sacolas contendo
diversos alimentos. Cada uma delas representa uma refeição: café da
manhã, almoço e jantar. Os alunos analisam cada item das sacolas e
abrem uma discussão para avaliar a qualidade nutricional das sacolas
(refeições). Martins acredita ser fundamental trabalhar desde cedo e
em parceria com as famílias. Ao colocar seu filho na Carlitos, os
pais já sabem como a questão da boa alimentação é levada a sério
nesta escola. Já para os maiores, do 6o ao 9o ano, o que faz mesmo
sucesso é a mesa de frutas oferecida no horário de intervalo. "Mesmo
aqueles que resistiam um pouco, acabaram incorporando o hábito e,
hoje, não dispensam uma fruta na hora do recreio", diz
Adriana.
Sem proibição e imposição, a Escola da Vila, zona oeste de
São Paulo, pôs em prática algumas ações simples e de efeito. Nas
cantinas das duas unidades da escola, a venda de sucos naturais e
frutas picadas tem preço mais em conta do que o "vilão" refrigerante
e outras preparações calóricas, como os salgados assados. As
cantinas não vendem frituras e nem salgadinhos de pacote. Mais
ainda, os refrigerantes não figuram nas prateleiras de exposição. "O
consumo de refrigerante não é incentivado de forma alguma. São
escondidos, mas não proibidos. A Legislação é clara quando diz para
restringir e é isso o que a escola faz", diz a nutricionista Elaine
M.M. Occhialini. Mas segundo ela, a estratégia dos preços e a
abolição da exposição dos alimentos não recomendáveis obtiveram um
bom efeito.
Os professores também participam das ações em prol da boa
alimentação, incentivando hábitos saudáveis em suas aulas. O
professor que estiver trabalhando o corpo humano vai incluir o tema
nutrição. O de educação física, idem. Durante o almoço, observam e
mostram formas mais saborosas de ingerir alimentos de boa qualidade
nutricional. "Ensinar a temperar a salada é um bom caminho",
exemplifica a nutricionista.[14]
Os pais também são incluídos na ação. Por meio de circulares,
a nutricionista dá dicas de como formar uma mesa apetitosa, como
valorizar a hora do café-da-manhã e como compor o cardápio do lanche
enviado para a escola, sempre respeitando a receita do bom
senso.