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Colégios põem robótica a serviço de projetos e soluções

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Uma prótese de braço produzida em impressora 3D, óculos para deficientes visuais que sinalizam a proximidade dos objetos e sensor que detecta o grau de umidade do solo e aciona um sistema de irrigação. Esses são alguns dos projetos desenvolvidos por alunos de 12 a 16 anos em colégios particulares de São Paulo, durante aulas que ensinam conceitos de robótica e programação.

As aulas sobre essa área eram antes incorporadas pelos colégios como uma forma de atrair o interesse dos alunos para disciplinas como Matemática, Química e Física. Agora, porém, são vistas com o objetivo de ensinar uma nova linguagem e fazer com que os estudantes passem de consumidores para produtores de Tecnologia. “Nossa intenção é que os alunos pensem em soluções para problemas do cotidiano”, diz Rui Zanchetta Corrêa, professor do Colégio Stance Dual, no centro da capital.

Robótica piloto

A escola adotou neste ano as aulas em projeto-piloto para a aplicação do conceito STEM (sigla em inglês da metodologia que prevê o ensino integrado de Ciências, tecnologia, engenharia e matemática). As aulas acontecem a cada 15 dias do 6º ao 9º ano.

Foi para essa disciplina que um grupo de quatro amigos desenvolveu os óculos com sensores para deficientes visuais. Com os conceitos de programação, os alunos montaram um dispositivo que vibra com imensidades diferentes, de acordo com a proximidade dos objetos. “O professor nos apresentou uma serie de ideias para projetos, mas nós quisemos desenvolver uma tecnologia que pudesse ajudar outras pessoas. Fizemos várias pesquisas e descobrimos que seria possível criar os óculos”, diz Rafael Pereira de Almeida, de 14 anos. “Tendemos a ver tecnologia como algo distante, não pensamos em como funciona e como foi desenvolvida. Estimulamos os alunos a entender e a desenvolver soluções.”

Melhorar a vida das pessoas

Almeida está no 9º ano e ainda não tem formalmente aulas de Física, mas, para desenvolver os óculos, teve de aprender conceitos de ondas eletromagnéticas e mecânica. “Acho que vou ter facilidade para aprender a disciplina. É muito legal ver como os conhecimentos da escola podem nos ajudar a melhorar a vida das pessoas”, afirma. Os alunos pretendem aprimorar os óculos para poder doá-los para uma instituição que atende deficientes visuais.

No colégio Bandeirantes, na zona sul da capital, os alunos desenvolvem projetos de STEM para a Feira de Ciências. Neste ano, um dos grupos produziu uma prótese de braço em uma impressora 3D. “Os alunos têm muita curiosidade em saber como funcionam algumas tecnologias e não estão satisfeitos em apenas vê-las prontas. Para que assimilem todo o conhecimento, têm de fazer um relatório científico de todas as etapas do projeto, como nas universidades”, diz Elisabeth Pontes Araújo, professora de Química que orientou o projeto da prótese.

O trabalho levou oito meses para ser concluído e a principal dificuldade foi encontrar a calibragem correta para a impressora. Eduardo de Souza, de 16 anos, foi um dos nove alunos que desenvolveram a prótese e conta que, apesar de não gostar muito de Exatas, apoia a proposta. “É legal a maneira como podemos aliar disciplinas distintas para ter um resultado positivo.”

No colégio Dante Alighieri, os 20 alunos que fazem as aulas extracurriculares de robótica desenvolveram projetos para a horta da escola, que fica em um “telhado verde”. Eles fizeram sensores para irrigação do solo e sistemas que mudam de cor e emitem som quando os pés de alface já estão prontos para serem colhidos, entre outros.

Por Isabel Palhares, de O Estado de S. Paulo