by

Como as escolas bilíngues trabalham a Base Curricular e a formação do professor?

Mesmo sem uma regulamentação específica por parte do Ministério da Educação, o número de escolas bilíngues vem crescendo muito no Brasil. Os últimos dados disponíveis indicam um aumento de 24% no período 2007-2009. Somente a canadense Maple Bear, tem hoje mais de 100 unidades espalhadas por todas as regiões brasileiras.

Mas como as escolas bilíngues vão trabalhar a Base Nacional Comum Curricular? Como é a formação dos professores nestas instituições? Como elas são avaliadas? E qual a melhor idade para se tornar bilíngue? Estas questões serão abordadas na palestra “O que os educadores canadenses aprenderam em 50 anos de bilinguismo”, com Bill Morgan, diretor acadêmico associado da Maple Bear Canadian School, no próximo dia 9 de outubro, em São Paulo.

Ele participará da Learning Management Experience 2018, evento que reunirá especialistas franceses, canadenses e brasileiros para refletir sobre os novos métodos de aprendizagem no contexto das novas tecnologias. Bill Morgan é formado pela Universidade de Manitoba (Canadá) e pela Northern Illinois University (EUA) e já trabalhou em países do Oriente Médio e América do Sul aprimorando e implementando metodologias de ensino bilíngue em diversas escolas.

Base curricular bilíngue

Bill Morgan explica que a Base Nacional Comum Curricular será totalmente integrada às escolas bilíngues. “Um aluno da Maple Bear estudará os mesmos conteúdos previstos na Base Nacional Comum Curricular, mas em outro idioma e por meio da metodologia e filosofia de ensino canadense, que prevê uma abordagem centrada no desenvolvimento da autonomia do aluno e não na recepção passiva dos conteúdos”, explica. Hoje, cerca de 18% da população do Canadá é bilíngue. No Brasil, pouco mais de 3% das pessoas tem fluência em um segundo idioma.

Segundo o diretor acadêmico da Maple Bear, a imersão no inglês é uma estratégia de aprendizado da língua. “O inglês se torna a ferramenta pela qual se aprende e não a finalidade do aprendizado”, destaca.

Avaliações bilíngues

Ele afirma que todas as escolas bilíngues no Brasil são submetidas aos parâmetros de avaliação como o SAEB e o ENEM. No entanto, diz Bill Morgan, uma escola bilíngue possui naturalmente maior obrigação com o desenvolvimento da proficiência no idioma estrangeiro estudado.

“Um aluno que se formou nesse tipo de instituição deve ser completamente proficiente em ambos os idiomas estudados e deve estar apto a realizar testes como TOEFL ou IELTS e obter um excelente nível de classificação ou atingir os níveis mais avançados de certificação”, afirma.

Formação do professor bilíngue

O diretor acadêmico da Maple Bear observa que o professor de uma escola bilíngue precisa, claro, ter proficiência no idioma, mas isto é “apenas parte das habilidades que precisam ser cultivadas e desenvolvidas”. “As melhores práticas do ensino canadense propõem um professor que atua como facilitador, como um agente de transformação que permite e encoraja os alunos a tornarem-se protagonistas de seu próprio aprendizado”, ressalta o educador canadense.

Ele informa que o modelo de formação do professor na Maple Bear envolve “milhares de horas de treinamentos na escola, treinamentos de líderes e cursos para atualizações referentes ao aprimoramento do programa educacional”.

Bill Morgan afirma que o jovem que pensa em ser professor bilíngue precisa “investir o máximo de tempo possível no desenvolvimento de sua competência no idioma estrangeiro”, mas, ressalta que “o domínio linguístico é de pouca valia sem uma boa formação acadêmica na área em que se atuará”.

Escola bilíngue

O diretor acadêmico da Maple Bear Canadian School enumera algumas recomendações para os mantenedores que desejam transformar suas instituições em uma escola bilíngue. Além de se dedicar ao estudo do idioma adicional que será oferecido aos alunos, ele destaca a importância de se criar na escola “um ambiente verdadeiramente bilíngue”.

“A verdadeira escola bilíngue é um local onde a língua estrangeira se torna realmente uma ferramenta de aprendizagem tão central como a língua materna”, ensina. Ele diz que o modelo educacional bilíngue canadense foi construído a partir da visão de que bilinguismo é mais que a fluência em um segundo idioma, é “a aquisição simultânea de duas línguas nativas”.

Filhos bilíngues

Bill Morgan refuta a ideia de alguns pais de que o ensino bilíngue pode confundir os filhos na hora da alfabetização. Segundo ele, o melhor momento para desenvolver o bilinguismo é justamente na infância. “A neuroplasticidade do sistema nervoso e a desinibição das crianças tende a ser maior do que as dos adultos”, diz.

Outra vantagem, ressalta, é que as crianças geralmente aprendem a segunda língua sem sotaque. “O aparelho fonador (língua e boca) ainda não está completamente desenvolvido nessa fase da vida e a criança ainda é capaz de aprender a pronunciar perfeitamente qualquer fonema, o que permite o desenvolvimento da língua sem sotaque – algo mais difícil de ser adquirido depois dos 12 ou 13 anos, que é o momento em que o aparelho fonador conclui normalmente sua formação”, diz. De acordo com ele, alfabetização no idioma estrangeiro pode ocorrer conjuntamente àquela na língua materna.

O diretor acadêmico da Maple Bear destaca ainda que os estudos científicos mais recentes revelam que as “crianças bilíngues tendem a demonstrar melhores resultados em testes de inteligência e concentração”.

Leia também:

Startup que digitalizou escolas públicas na França, chega ao Brasil e promove debate entre educadores do Brasil, França e Canadá