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Conselho Escolar ainda é pouco valorizado

Falta de motivação da comunidade, desconhecimento sobre como funciona e a grande rotatividade dos docentes são apontados como as causas, diz O Estado de S. Paulo

Os conselhos escolares estão presentes em boa parte das redes estaduais e municiais, mas ainda não conseguem impor uma gestão democrática nas escolas públicas, revela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta segunda-feira, dia 16. O último levantamento do Ministério da Educação sobre a situação dos Conselhos Escolares é de 2004, quando cerca de 70% das redes estaduais e 25% das municipais possuíam um conselho.

“Esse número aumentou muito, principalmente nas redes municipais. Não tenho conhecimento de nenhum Estado que ainda não tenha regulamentado a existência desses órgãos”, disse o coordenador do Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares do MEC, Roberto Júnior, à repórter Karina Toledo.

Dois especialistas ouvidos pelo jornal apontam a falta de motivação da comunidade escolar, o desconhecimento sobre como funciona o conselho e a grande rotatividade dos docentes como as causas do problema.

O professor da Faculdade de Educação da USP, Elie Ghanem, disse que “nem entre o magistério há empolgação em disputar uma vaga de representante, pois isso implica responsabilidades, um ônus para quem já tem um trabalho desgastante”.

A educadora Denise Carreira, da ONG Ação Educativa, disse que a grande rotatividade dos docentes impede a criação de vínculos com as escolas. “Isso esbarra nas condições precárias do professorado, que tem de se dividir entre várias escolas, o que dificulta a participação em reuniões”, afirmou.

A reportagem conta a história do funcionário público Manuel Tertuliano, que tem os filhos matriculados na rede estadual no distrito de Engenheiro Marsilac, zona sul de São Paulo. “A eleição do conselho este ano na escola da minha filha teve várias irregularidades. O edital de convocação só foi divulgado dentro da escola, durante a reunião não foi feita ata ou lista de presença e quando tentei colocar meu nome entre os candidatos, a diretora disse que a lista já estava completa. Levei um documento pedindo a impugnação da eleição e ela chamou a polícia”, disse ele.

Particulares

O Estado de S. Paulo também entrevistou três escolas particulares sobre o tema. Embora elas não precisem de conselhos escolares, muitas adotam formas de participação.

No Vera Cruz, um grupo preocupado com a segurança no entorno do colégio começou a se reunir em 2005 para debater soluções e deu origem à Organização de Pais Solidários (OPS) Vera Cruz. “A gente não trata de assuntos pedagógicos, mas de questões que tangenciam tanto o âmbito escolar como o familiar, como o trânsito na saída da escola, o lanche vendido nas cantinas, questões de ética e comportamento”, disse Claudia Visoni, membro da comissão organizadora.

Na Escola Castanheiras, no Tamboré, uma comissão de pais se reúne toda a semana. “Organizamos festas para angariar fundos e financiar a reforma de uma entidade que cuida de crianças carentes em Santana do Parnaíba. Também organizamos o ciclo de palestras da escola e visitas dos alunos ao teatro e à Sala São Paulo, passeios em trilhas, e criamos um clube de leitores para os pais”, disse Luciana Cachem, que tem um filho na escola.

No colégio I.L. Peretz, na Vila Mariana, os os próprios pais de alunos controlam a mantenedora do colégio, a Associação Cultural Religiosa Brasileira Israelita (Acrelbi). A cada dois anos é eleita uma diretoria. Todas as decisões têm de ser aprovadas pelos pais. “Não interferimos no conteúdo curricular, mas caso queiram construir um laboratório, por exemplo, nós precisamos aprovar o projeto e o orçamento”, conta Luis Largman, diretor-presidente da Acrelbi.

Leia a íntegra das matérias de O Estado de S. Paulo

Conselho escolar é pouco estimulado

Particular tem grupo voluntário

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