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Conselho Nacional de Educação sugere vetar livro de Monteiro Lobato

O parecer diz que o racismo estaria presente numa referência à personagem Tia Nastácia, informa o jornal Folha de S. Paulo

Um parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), publicado no Diário Oficial da União, sugere que o livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, não seja distribuído nas escolas públicas, ou que seja dado um alerta às escolas de que a obra teria conteúdo racista. Para entrar em vigor, o parecer precisa ser homologado pelo Ministério da Educação.

O jornal Folha de S. Paulo informa que o livro já foi distribuído pelo MEC a colégios de ensino fundamental, dentro do Programa Nacional de Biblioteca na Escola (PNBE), mas diz quando isto ocorreu.

O CNE cita uma nota da Secretaria de Alfabetização e Diversidade do MEC na qual diz que a obra só deve ser usada “quando o professor tiver a compreensão dos processos históricos que geram o racismo no Brasil”.

O parecer do conselho diz que o racismo estaria presente numa referência à personagem Tia Nastácia e aos animais como urubu e macaco. “Estes fazem menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano”, escreve no documento a professora Nilma Lino Gomes, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O documento relata um trecho do livro que diz: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”.

A professora disse aos repórteres Angela Pinho e Johanna Nublat que a obra, publicado em 1933, pode afetar a educação das crianças. “Se temos outras que podemos indicar, por que não indicá-las?”

A denúncia de que o livro teria conteúdos de cunho racista foi feita por Antonio Gomes da Costa Neto, servidor da Secretaria da Educação do Distrito Federal e mestrando da Universidade de Brasília (UnB) à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, que encaminho o caso ao CNE.

Em entrevista ao jornal, ele diz que o livro não deve ser proibido, mas também não deve ser recomendado para as escolas. “Não é que ele deva ser proibido. O que não é recomendado é a sua utilização dentro de escola pública ou privada”, afirmou.

Na opinião dele, o livro “todos os animais são relacionados à cor negra com preconceito, sempre para diminuir o negro em relação ao branco”.

Ele acredita que o livro ensina a criança a ser racista. “A criança não nasce racista, ela aprende a ser racista. Quando você utiliza esse tipo de livro dentro das escolas, você a está ensinando a ser racista”, afirmou.

A professora de literatura brasileira e teoria literária da Universidade Federal do Paraná, Milena Ribeiro Martins, admite que “aparecem muitos ditos preconceituosos na obra de Monteiro Lobato”, mas é contra proibir o livro nas escolas. “Precisa haver o discernimento do professor. Um livro levado para escola não é lido sem a mediação do professor”, disse ao jornal.

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