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Criança deve participar de escolha do novo colégio, dizem especialistas

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No fim de 2015, Isabella Guarnieri começou a pesquisar um novo colégio – para ela mesma. A estudante, de 16 anos, foi atrás da opinião de amigos, fez buscas na internet e assistiu a vídeos antes de apresentar a proposta ao pai. “Foi importante opinar, ver uma escola legal, porque sou eu quem está estudando”, conta a aluna do 1.º ano do ensino médio no Colégio Oswald de Andrade, na zona oeste de São Paulo.

Desde criança

A adolescente, que também trabalha como dubladora desde os 8 anos, não estava feliz com a turma e queria um colégio que incentivasse o desenvolvimento artístico. “A escola era boa, mas os colegas eram muito infantis. (O lado artístico) passava batido. A escola tentava ter essa proposta, mas não ia adiante.” Segundo o pai, que também é dublador, o foco do colégio nas Artes pesou na decisão, apesar de ser mais caro e mais distante da casa da família. “A Isabella acabou me convencendo”, conta Tatá Guarnieri.

Para especialistas, é importante que os pais fiquem atentos aos sinais de que o filho não está bem adaptado. “Antes dos 10 anos, a tendência é a criança adorar ir para a escola e contar para os pais. Se isso começa a mudar, é um sinal claro de que algo está acontecendo. Mas, antes de tirar, é bom falar com os professores e até com os pais dos amiguinhos”, explica Irene Maluf, especialista em Psicopedagogia e Neuroaprendizagem e membro do conselho da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

Crianças mais velhas e adolescentes já conseguem expressar melhor o que gostam ou não no colégio, mas os pais devem verificar se o motivo é realmente suficiente para justificar uma troca ou, ao contrário, se pode ser superado. “Se a criança só não gosta de Matemática na escola, não é razão para tirar. Mas, quando é algo generalizado, sim. Não é por uma coisa pequenininha que você vai sair correndo.”

De acordo com Irene, se a decisão for por mudar o filho de escola, os pais devem fazer uma triagem prévia de novas opções, sozinhos, para depois questionar a criança sobre suas preferências. “Recomendo que os pais procurem três ou quatro escolas e vejam todos os critérios, como preço, currículo dos professores, questões disciplinares, se o método é o mesmo a que seu filho está acostumado. Selecionem duas instituições e depois levem a criança só a essas.”

 O que fazer antes de decidir trocar de colégio

Ouça seu filho – Quando a criança é pequena, ela pode não conseguir se expressar claramente com as palavras, mas é possível perceber se não está feliz pelo desinteresse que ela manifesta pela escola ou por seus colegas. Se a criança for maior, pergunte a ela

Entenda o problema – Veja se o caso é pontual (com uma matéria ou um professor, por exemplo) ou se é crônico (dificuldade de adaptação ou bullying)

Tente resolver com o colégio – Se existir um problema de fato, aproxime-se da escola para buscar uma solução. Converse com professores, diretores e até pais de colegas. Em relação a notas baixas, é possível que o colégio tenha um plano de acompanhamento mais individualizado

Veja a troca como positiva – Se a opção for mesmo pela troca de escola, garanta que o processo seja feito com diálogo e tome cuidado para não passar a mensagem de fracasso (acadêmico ou de relacionamento) para a criança. Fale dessa experiência como uma nova oportunidade.

Por Júlia Marques, O Estado de S. Paulo