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Crianças e TV – qual o limite?

Já não é de hoje que a sociedade e o governo tentam encontrar uma fórmula para regular o que é veiculado na televisão. Em fevereiro deste ano, o Ministério da Justiça publicou uma Portaria instituindo novos critérios de classificação de programas de TV por faixa etária e os horários de exibição. O assunto, polêmico, ganhou espaço na mídia e opiniões discordantes. Afinal, a responsabilidade do que uma criança assiste na TV cabe só aos pais ou às emissoras de TV também? Uma questão que há muito tempo já foi levada pra dentro de sala de aula.

Na Escola Estilo de Aprender, no Alto da Lapa, a TV é um tema sempre presente e discutido em reuniões de pais e também em palestras. O coordenador pedagógico da escola, Marcelo Cunha Bueno, diz que não há como negar a forte presença da TV e a influência de seu conteúdo na vida do brasileiro, daí a necessidade de mostrar aos pais como usar este eletrodoméstico de forma positiva. Sobre a nova Lei, Marcelo é enfático: “definir o horário de exibição é responsabilidade da emissora, sim! A programação tem que se adaptar ao universo de hoje, crianças não dormem mais tão cedo. Não dá pra jogar toda a responsabilidade nas costas dos pais. Como é possível o canal mais assistido do pais mostrar cenas de sexo às 21hs? Ou de violência às 18hs? A TV acaba colocando a criança em contato com coisas que não precisa ver nesta idade, além de mostrar uma sexualidade fora de contexto, uma vulgarização das relações”, desabafa.

Nos encontros que realiza na Escola, Marcelo explica às famílias que a TV deve ser usada como recurso educacional, para que as crianças aprendam sobre a cultura brasileira e sobre o mundo em que vivem. “É importante que os pais assistam à TV junto com seus filhos, pontuando aspectos interessantes, o que auxilia na formação dos pequenos”, diz. Quanto ao conteúdo, cabe também aos pais selecionar o que as crianças podem ver. Para isto, segundo Marcelo, as famílias devem primeiro se auto-educarem, parando de ver programas sensacionalistas e estereotipados. “Quando o bom exemplo começa dentro de casa, afasta-se a possibilidade da criança se aproximar destes conteúdos que não refletem a realidade”, explica.

Conseguir transformar a relação da criança com a televisão em algo positivo não é tão simples. Prova disto são os diversos relatos que Marcelo ouve dos pais no dia-a-dia escolar. Muitos comentam que usam a televisão como babá eletrônica ou mesmo como moeda de troca. “Diversos pais acabam valorizando a TV mais do que as próprias crianças e utilizam este recurso para ajudar seus filhos a comer mais, para fazê-los dormir e até como prêmio quando dizem `faz a lição que eu deixo você ver TV´. E nada disso é bom”, comenta.

Para Marcelo, apesar da baixa qualidade da programação, é ainda possível encontrar bons programas na TV aberta. Para auxiliar os pais nesta tarefa de “separar o joio do trigo”, a Estilo de Aprender criou o projeto “Dica Cultural”. Ao longo da semana, são enviados para os pais emails com sugestões de bons programas na TV e também dicas de shows, teatro, cinema, exposições e outros eventos culturais. A iniciativa vem surtindo efeito. Segundo Marcelo, a cada dia os pais participam mais enviando sugestões e comparecendo aos eventos. “É importante auxiliarmos os pais nesta escolha. E o retorno é excelente. Muitos mudaram o discurso e agora buscam valorizar o que é bom. Deixam de ir ao shopping para ir ao Museu, ao teatro”, comenta.

Para estimular o contato dos pais com obras de qualidade, a Estilo de Aprender conta ainda com o projeto “Contato Cultura” em que escola e pais trocam emails com textos e poesias. A escola tem ainda um mural em que exibe dicas de exposições e cinema, e promove atividades culturais freqüentes em seu espaço. No próximo dia 21 de abril é a vez dos Parlapatões se apresentarem por lá, com o espetáculo Bricabraque. É a escola assumindo seu papel como agente cultural.александр лобановский супермаркет классвзлома денег в играхпроект бани своими руками