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Crise na Universidade Federal de Rondônia se agrava

Dois alunos e um professor já foram detidos. Greve já dura mais de 60 dias e reitoria está ocupada há mais de um mês. Reitor é suspeito de irregularidades
Em greve há mais de 60 dias, a Universidade Federal de Rondônia (UNIR) enfrenta uma crise que se agrava a cada dia. Na sexta-feira, dia 4, dois alunos foram detidos pela Polícia Federal. No dia 21 de outubro, um professor também foi preso pela PF. A reitoria está ocupada há mais de um mês. Alunos e professores exigem a saída do reitor José Januário de Oliveira Amaral, suspeito de cometer diversas irregularidades.

Na última segunda-feira, uma audiência na Assembléia Legislativa decidiu pedir o afastamento imediato do reitor e encaminhar um relatório ao Congresso Nacional sobre a situação. O Ministério da Educação instituiu uma comissão investigativa e deve concluir o trabalho até o próximo dia 17 de novembro.

O professor Jorge Luiz Coimbra, 1º vice-presidente da Regional Norte I do Sindicato dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), disse ao site do sindicato que os alunos foram detidos pela Polícia Federal acusados de injúria. Eles foram presos quando buscavam panfletos em uma gráfica. Os alunos foram liberados depois de assinar um termo na delegacia e os 1.500 panfletos foram apreendidos.

Já o professor Valdir Aparecido da Silva, do Núcleo de História, foi preso sob a acusação de que seria o responsável por uma explosão ocorrida próxima ao local onde estudantes e professores faziam uma manifestação. O sindicato relata que a imprensa local informou que o deputado federal Mauro Nazif (PSB/RO) teria sido agredido por policiais durante a manifestação.

A Andes informa ainda que no mesmo dia da prisão dos alunos, o professor Fabrício Moraes de Almeida teve o vidro de seu carro quebrado por uma pedra, na qual estava amarrado um bilhete com ameaças.

O professor Coimbra disse que a Justiça Federal já concedeu reintegração de posse do prédio da reitoria, mas diversas negociações conseguiram adiar a decisão.

Na audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado, em Porto Velho, ficou decidido que um relatório será encaminhado à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Federal para análise e providências. Professores e alunos presentes exigiram que a Câmara convoque o reitor para prestar esclarecimentos.

O deputado estadual Hermínio Coelho (PSD), autor do requerimento para realização da audiência, acredita que a crise na UNIR é um desdobramento da greve de 2008, quando docentes e alunos exigiram melhorias das condições de trabalho. “Naquela ocasião, a reitoria assinou dois termos de ajuste de conduta e se comprometeu a resolver todos os problemas até 2010″, disse ao site da assembléia.

Segundo ele, mesmo com a expansão da Unir, através do Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), a situação piorou. Ele lamentou a ausência de representantes do MEC convidados para falar na audiência.

Segundo o professor Coimbra, os docentes e os alunos estão se organizando para retomar os conselhos superiores, que “há anos vêm apenas referendando as deliberações do reitor”. Com isso, diz, é possível pedir o afastamento do reitor através de uma medida administrativa da própria universidade.

Uma reportagem da revista Carta Capital revela que os professores grevistas afirmam estar sendo seguidos pela cidade e sofrendo intimidações desde a prisão do professor de história Valdir Aparecido de Sousa. Ele está em liberdade provisória e impedido de se reunir com os grevistas.

“O negócio aqui tá feio” disse um professor do Comando de Greve, que pediu para não ser identificado, ao repórter Felipe Milanez. “Alguns professores tem procurado dormir em locais diferentes para não sofrer nem um atentado”.

Outro problema, relata a revista, é a Fundação de Apoio da Universidade, Fundação Riomar, que está com as contas bloqueadas e sob investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).

Além disso, um laudo do Corpo de Bombeiros, da semana passada, constatou que o campus de Porto Velho apresenta risco de vida aos alunos e professores.

No último vestibular, os cursos de Agronomia, Veterinária e das engenharias Civil, Elétrica, de Alimentos e Florestal não abriram vagas no por falta de salas de aula.

Ao deflagrar a greve no dia 14 de setembro, os professores escreveram uma carta justificando a paralisação: “As condições de trabalho na UNIR têm nos levado a uma condição de desânimo, insatisfação, vergonha, estresse, baixa estima etc e o descaso por parte da administração levaram os docentes à deliberarem pela paralisação das atividades. As condições existentes são tão precárias que chegamos a trazer água e papel higiênico de casa e a usar, para fins institucionais, nossos próprios meios de comunicação (celular, notebook, internet móvel etc.); não há salas de trabalhos para docentes; não há espaço para convivência ou mesmo acervo bibliográfico suficiente para a demanda atual”.

Leia a Carta Aberta escrita no início da greve

Veja o vídeo com a prisão do professor

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