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A cultura da paz leva escola brasileira a ganhar prêmio internacional

Cultura da paz – A escola bilíngue, Stance Dual, ganhou prêmio internacional de Embaixadora da Paz pela ODAEE, no Chile. Este prêmio reflete o trabalho que a  escola desenvolve – há 28 anos – na formação de alunos que enxergam o mundo e suas necessidades, através de projetos que promovem a sustentabilidade cultural, ambiental e econômica.

A violência na escola é sempre notícia na mídia. Tiroteios, bullying, professores agredidos… E quando a cultura da paz de uma escola ganha um prêmio internacional? E quando a escola tem um projeto pedagógico que, além do desenvolvimento cognitivo, ensina a afetividade e a empatia? Será que vira noticia?

Em São Paulo, a escola bilíngue Stance Dual acaba de receber o título de Embaixadora da Paz, concedido pela Organização das Américas pela Educação de Excelência (ODAEE). A educação desenvolvida pela  escola foi reconhecida internacionalmente por promover  a cultura da paz, o senso de responsabilidade e compromisso nos jovens,  através de projetos pedagógicos que permeiam e respeitam a história, a cultura e o contexto social.

Na Stance, o  trabalho social  presente no currículo desde a Educação Infantil até o 9º ano e a ação empreendedora e transformadora da Associação Paulista de Apoio à Família (APAF), um trabalho com mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade social desenvolvido pelas mães da escola há 18 anos, se encontram, se completam e formam.

O que diferencia o trabalho de formação  desenvolvido pela Stance, e que deveria ser multiplicado e obrigatório em todas as escolas do País, é o formato do seu currículo. A cada ano –  da educação infantil ao 9º ano – os alunos vão permeando todas as etapas do seu  desenvolvimento intelectual, concomitante à sua formação social e afetiva. Quando terminam o 9º ano, já são cidadãos prontos para levar adiante a cultura da paz.

A orientadora educacional da Stance Dual, Ana Claudia Correia, destaca que a escola sempre trabalhou com a ideia de um projeto de convivência. “Existe uma crença nossa, e isso está escrito na nossa missão, que a escola desenvolve os aspectos afetivos, cognitivos e social de forma integrada, que chamamos de ‘desenvolvimento socioafetivo intelectual'”, diz.

Ela explica que o exercício do convívio é diário, é no dia-a-dia. Não é uma aula de ética ou uma palestra sobre bulliyng. “Isso são acessórios. Não é o principal. O principal é ter atividades e propostas incorporadas na prática do dia-a-dia”, afirma.

Trabalhar a formação do sujeito afetivo tem início com as crianças a partir dos dois anos de idade. “Com os alunos pequenos, desenvolvemos semanalmente oficinas integradas com as crianças de 4 e 5  anos de idade. Eles, naturalmente, percorrem várias  atividades oferecidas pelos educadores. A diferença de idade entre eles não importa”, diz Ana Claudia. É nestes momentos de troca, segundo ela, que vão sendo trabalhados os conceitos inerentes à formação do cidadão. A afetividade entre os pares e a cultura da paz estão evidenciados o tempo todo.

Conforme vão crescendo, as atividades de convivência continuam e os alunos da Stance, naturalmente, já sabem o que a escola espera deles enquanto cidadãos do mundo e para o mundo.

“Aqui na Stance, quando pequenos, todos têm de doar tempo. É quando as crianças organizam campanhas (não assistenciais), mas com foco no próximo. Quando entram no F1, eles têm de doar tempo e talento”, conta Ana Claudia. E quando estão no F2, além de tempo e talento, os alunos têm de ser protagonistas.

Ela explica que a cada ano os alunos têm de dar conta do que se espera deles enquanto estudante e cidadão.  Teve um 9º ano, por exemplo, que alguns foram protagonistas no projeto de construção de óculos para cegos. Veja no link http://cgceducacao.com.br/educacao-maker-alunos-constroem-oculos-para-cegos/

Ana Cláudia conta que os projetos sociais da Stance não são assistencialistas. São planejados para os alunos doarem seu tempo para ajudar as pessoas e serem protagonistas de uma transformação.  “É importante tirar os alunos do próprio umbigo, o aluno sair da capsula do ‘eu com o meu amigo, eu na minha classe, eu na minha casa, eu na minha família, eu no meio bairro’. A ideia é abrir essa visão, é ser um cidadão para o mundo, do mundo”, afirma a orientadora.

 O dia-a-dia que faz a diferença:

“Recreio Integrado” quando os alunos de diferentes idades votam e escolhem as atividades que mais gostam de fazer.

“Passagem Livre” no qual alunos do 5º ano são recebidos pelos colegas mais velhor, do 6º ao 9º ano, etapa de grande mudança na grade curricular.

“Tempo, Talento e Protagonismo” pelo qual os alunos desenvolvem projetos sociais com creches, cegos, idosos e deficientes.

“Mesa Redonda”, na qual a classe se organiza, elege um presidente e um vice-presidente, levanta e vota uma pauta para ser debatida com a direção da escola.

“Agenda Digital”, um aplicativo de lição de casa no qual cada dia um aluno é responsável por inserir as tarefas diárias para o resto da turma.

“Equipe de Ajuda”, pela qual os alunos são treinados e formam turmas para resolver conflitos, prevenção do bulliyng e da violência.

 

 

 

 

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